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07 agosto, 2011

A revista "Única" do "Expresso" mandou Zita Seabra à «nova Rússia»

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O VÓMITO FEITO REPORTAGEM
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Melhor fora tê-la mandado a outra parte... mas foi à «nova Rússia» que a mandou. Porquê? Porque ela já foi comunista e agora odeia o comunismo (o seu passado de comunista deve dar-lhe noites de pesadelo). Ora eu também já o fui e agora não o sou, e, para que não subsistam dúvidas sobre quem aqui escreve, devo dizer que,  no confronto com a realidade e com a experiência, concreta, de construção do «Homem novo», em mim prevaleceu o pensamento de Mário Soares em detrimento do de Álvaro Cunhal, o que não fez de mim um anti-comunista, nem tão pouco um homem arrependido do seu passado. Mas Zita... Ah, Zita, essa «czarina vermelha», é um caso... digno de ter pena. Vejamos, pois, o que Zita conta e o que eu vi e ouvi na Rússia, no ano passado, quando  fiz precisamente o mesmo circuito que ela agora fez (1100 quilómetros e não 70 como está na legenda da fotografia da p. 26):
- Zita fala-nos, com alguma simpatia, do «czar Boris [Ieltsin] (...) que tentou tirar a Rússia do atraso imenso». Tanto quanto me apercebi, Ieltsin é a figura política mais menosprezada, gozada até, na Rússia actual, que só o evoca para lembrar as suas monumentais bebedeiras.
- Refere Zita: «(...) toda a gente, todos os guias, em todas as conferências, chama a coisa  pelo nome e diz sempre, referindo-se aos 70 anos de comunismo: "o tempo do terror soviético". Como ela também o disse, todos se referem ao período comunista (mesmo à época de Estaline) com «inteira naturalidade» evocando o que de bom e mau ela teve, quanto ao resto, népia! Um, o guia que tive em Moscovo, era um ferrenho comunista, o outro, o que nos acompanhou durante o resto da viagem e em S. Petersburgo, culto e educado, nunca usou as expressões que ela diz serem comuns a todos os guias. Em lado algum ouvi essa expressão, embora admita que as pessoas, intimamente, possam ter sobre esse período as mais variadas opiniões.
- Refere Zita os canais e as «dezenas de eclusas». São dezassete, ao todo, o que é obra, mas fica longe das «dezenas». Mas, o saber contar (pelos dedos?) de Zita será o menos... Diz ela sobre S. Petersburgo que, na cidade, «do comunismo ficou-nos apenas um triste museu da História Política da Rússia (...). Mas, será possível que Zita não tenha visto, ancorado num dos canais e regurgitando de turistas, o cruzador «Aurora» ele próprio um dos mais importantes museus da Revolução de Outubro? Não andei a contar museus porque sofri uma overdose de igrejas, é verdade, mas... esse entrava pelos olhos dentro! Menos pelos de Zita, já se vê...
- Se a geografia e a matemática são uma trapalhada para Zita, a História, então, tem que se lhe diga. Refere a senhora:«(...) pelo rio Neva inicia-se o cruzeiro pelos 70 km a que os russos chamam "caminho da vida", porque durante a II Guerra Mundial(...). Errado...! A «estrada da vida», com que se abasteceu a cidade e as tropas, quando da II Guerra Mundial e do cerco Leninegrado, passava pelo Lago Ladoga (foi aberta uma estrada com 400 km a norte de Tckevin que ligava a este) e não pelo rio Neva.
- Zita não viu «foices e martelos». Ou não quis ver? Escreve ela que «ao longo de todo o percurso (...) encontrei uma foice e martelo» numa das eclusas. Lamento contrariar e, por todas, aqui fica o edifício sede do poder local de Yeroslav, uma praça onde se situa a catedral dessa cidade e que todos os turistas que fazem esse circuito visitam:
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Não esperava nem encontrei «foices e martelos» no mosteiro de Goritz nem nas construções de madeira de Kizji, mas, onde era lógico encontrar, como vestígio de uma época histórica elas lá estavam, por exemplo:
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Em S. Petersburgo - estátua de Lénin e «foice e martelo» na frontaria do edifício
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-Em Moscovo - No conjunto exposicional das Realizações Económicas da URSS - Conjunto notável, verdadeiro e gigantesco museu da época soviética - «foices e martelos» por todo o lado.
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Moscovo - Numa das estações de metro, mas estava também em muitas outras.
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Foram tantos os símbolos do antigo poder que a minha objectiva fixou, sem que houvesse da minha parte qualquer preocupação específica em os procurar... mas Zita, notável especialista em arte, encontrou em Moscovo um edifício neo-manuelino. Boa, vejam-no acima, mas sempre lhes digo que, do mesmo modo que uma andorinha não faz a Primavera, também umas conchas não fazem o manuelino, ou, mais propriamente, o gótico-tardio.
Resumindo porque o «papagaio já vai alto». As «foices e martelos» não significam nada para a Rússia de hoje, mas são parte da sua história e, por isso, por lá ficaram, lá estão. Esses e outros, como as «estrelas vermelhas», os monumentos à «grande guerra pátria», mesmo que isso desagrade a Zita que andou na Rússia`«à conversa» com padres católicos, facção religiosa que nada conta para os russos.
O que hoje preocupa os russos, isso sim, e foi várias vezes expressamente referido pelos guias, são as «máfias» instaladas, esses milionários vindos do nada que sugam a sua economia e que, preocupação ainda maior, deram à luz descendentes que vivem no luxo e na opulência, não estudam nem trabalham, nem tão pouco evidenciam competências para virem, um dia, a gerir as enormes fortunas dos papás. Quanto ao resto, é um País que se ocidentaliza, que se moderniza, que cresce, que adquiriu novos hábitos de consumo e vê o comunismo como uma página da história que foi voltada.
Nota: Não deixa de ser preocupante ler um artigo destes, numa revista respeitável, de um jornal respeitável. Preocupante, não em termos ideológicos. Preocupante pelo modo como a verdade é tratada, nas pequenas e grandes coisas, como atrás o demonstramos, não exaustivamente, porque um post de um blog tem limitações. Isto é o que resulta daquilo que conhecemos. Que patranhas nos venderão, a par e passo, sobre o que não conhecemos?

06 janeiro, 2011

SAUDADES DO BOM TEMPO DE VERÃO

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YAROSLAVL - A PRINCESA DO VOLGA
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Quando a luz avermelhada do alvorecer se insinuou pelo pequeno camarote do «Princesa Anastácia», espreitei o rio. Foi quando esta ponte iluminada sobre o Volga me disse que o próximo destino estava por perto. Yaroslavl estava, já ali, à nossa espera.
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Vista do rio, à pouca da luz da manhã que rompia por entre alguns pingos de chuva, a cidade esperava-nos, oferecendo-nos desde logo alguns «cartões de visita», como que dizendo «venham e verão».
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Yaroslavl, cidade de 600.000 habitantes a cerca de 250 quilómetros da capital moscovita, é uma das cidades que, tal como Alexandrov, Ivanovo, Rostov, Sergieve Posad (a «Vaticano» ortodoxa) ou Kostrovo, formam o chamada «Anel Dourado de Moscovo».
A cidade comemorou este ano o seu milenário e o mural policromado acima, agora inaugurado no recinto do Mosteiro, imortaliza os seus fundadores. Quando da nossa visita, a cidade estava a uma semana dos grandes festejos que teriam a presença do Primeiro-Ministro Putin, pelo que a azáfama era imensa, não havendo rua, edifício, parque ou monumento que não estivesse de «cara-lavada» ou recebendo obras de requalificação.
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Situada nas margens do grande rio, a cidade abre-se a este numa saudável convivência. Duas ordens de passeios pedestres, este que mostramos e um outro mais abaixo, ao nível do rio, estendem-se por quilómetros a todo o comprimento da cidade.
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Se de um lado desses passeios fica o rio, do outro oferecem-se ao visitante magníficos e históricos edifícios.
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Mosteiro do Salvador - Conjunto que remonta a 1505 e ponto de paragem obrigatório.
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Yaroslavl é, também uma cidade de jardins, como este no centro da cidade que faz morrer de inveja quem o vê, pelo cuidado posto no seu arranjo, pelo pormenor e pelo bom gosto dos arranjos florais.
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Praça central da urbe, onde se situam os principais edifícios administrativos da Região e da Cidade.
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Como em todas as cidades do País, a cidade acolhe imensos parques onde o verde torna aprazível a visita. A um português assalta logo uma pergunta: Como é possível tantos e tantos hectares tão bem limpos e tão bem tratados? Outra cultura, é claro...
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Catedral da Assunção - Igreja recentemente objecto de grandes obras de restauro e que data de 1210.
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Igreja de Santo Elias, na mesma praça onde se situam os principais edifícios administrativos da Região e da Cidade.
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Ainda nesta mesma praça este bonito edifício administrativo, a Câmara local, construção da era soviética ornamentado profusamente com o antigo símbolo do regime.
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Chama da Pátria, no monumento ao soldado soviético que lutou na grande guerra pátria (WWII). Uma constante em todo o País e aqui também. O bonito conjunto é bem maior e a fotografia apenas documenta um pormenor do mesmo monumento.
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Junto ao Volga nasce um novo e monumental Parque. Por detrás e à direita, irá ser edificado o novo estádio que em 2018 acolherá jogos do Mundial de Futebol. Um bom pretexto para então visitar uma das cidades mais lindas da Europa, Património Cultural da Unesco, cidade gémea de Coimbra.