16 julho, 2009

FOI HÁ 40 ANOS E NO ENTANTO PARECE QUE FOI ONTEM...

( Selos da minha colecção )


Faz hoje 40 anos que, pelas 13,32 UTC, arrancou de Cape Canevaral a missão "Apollo XI". Num foguetão "Saturmo V" seguia o módulo "Eagle" e a bordo deste os astronautas Neil Amstrong, Edwin "Buzz" Aldrin e Michael Collins. Quando no dia 20. 7.1969 Amstrong deu o primeiro passo na Lua, o Presidente Kennedy diria: Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade.

Onde estava eu nesse dia? Não propriamente na «face desconhecida da Lua», mas em algo semelhante... Estava em Mueda, Planalto dos Macondes, no norte de Moçambique e posso garantir-vos que por lá ninguém deu por nada, porque nada lá chegava... Quando em 1970 cheguei ao «Continente», então apercebi-me de toda a euforia que por aqui girava em torno das transmissões em directo das missões lunares.
Parece que foi ontem... ( Psst! Nunca digam isto, porque podem pensar que estão a ficar velhos!).
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( Mueda " Terra da Guerra" - "Aqui trabalha-se, luta-se e morre-se"- 1969 - Apresenta-se o 1.º Cabo Especialista, Mecânico de Rádio, Lourenço!)






13 julho, 2009

D. THOMAZ DE NORONHA - UM POETA ALENQUERENSE


Da sua biografia consta que nasceu em Alenquer, «em data incerta, e terá falecido em 1651. Era filho de um fidalgo escudeiro de D. Sebastião. Casou com uma prima e, tendo enviuvado, casou pela segunda vez. Jacinto Cordeiro, no seu Elogio dos Poetas Lusitanos (1631), coloca-o entre os mais célebres poetas do seu tempo. Devido ao carácter satírico das suas composições poéticas, era conhecido como o «Marcial de Alenquer». Foi um dos primeiros poetas barrocos a sentir o ridículo do artificialismo e a reagir contra ele».
Num dicionário de Literatura colhemos mais esta informação: «Fidalgo de boa estirpe, levou uma vida algo aventurosa e veio a dissipar bens e fazenda, acabando na miséria. Cantou muitas vezes a pobreza em que vivia, e não se envergonhava de pedinchar, em papéis diversos, sustento e outras esmolas.
A sua obra poética é a dum caricaturista desbocado que não receia as desvergonhas e obscenidades. Às vezes, num retrato sóbrio, manifesta-nos, aqui ou além, os caracteres da sociedade do seu tempo. Uma ironia quase subtil insinua-se nos seus poemas, muito ricos de alusões ao mundo concreto e circunstancial que o rodeava.».
O poema que se segue é seu e foi retirado «...de um cancioneiro do século XVII». Na adaptação ao português de hoje os erros são meus e farão o favor de os perdoar:
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A um Fernando do Pó, moleiro de Alenquer, que andando de amores com a filha de um barqueiro pescador, o achou uma noite em sua casa, e lhe deu muita pancada com um remo.
..
DÉCIMAS
Se acaso o que tenho ouvido
por esta terra assim é
senhor Pó, vossa mercê
cuido que o tem sacudido;
pelo que, tenho entendido
que, de hoje em diante, já
vossa mercê não será
Fernando do Pó, mas só
Fernando que não tem Pó
pois tão sacudido está.
...
Colhe-vos o velho mau
(ó velhice desumana!)
que, de pescador de cana,
se fez pescador de pão;
com um remo por varapau
vos colheu, e em tal extremo
que, errando com a porta, temo
saísseis pela janela;
vós entrastes à vela
porém saístes ao remo.
...
Quando em vossa casa agora
mói todo este lugar
ides vós na alheia buscar
quem vos moa lá por fora!
Ó quanto melhor vos fora
e fora melhor partido
não terdes, senhor, sabido
como agora tendes já
a diferença que há
de moer a ser moído!

29 junho, 2009

ELAS ESTÃO LÁ, PROCUREM-NAS....







Na vizinha Galiza, nas Rias Baixas, mesmo na Península de O Grove - a de todas as excursões aos mexilhónes - mesmo aí, existem segredos bem guardados de praias paradisíacas, com água à temperatura algarvia ( partidas da Corrente Quente do Golfo.... ).
É tempo, pois, de rumar ao Norte e deixarmo-nos ir pela auto-estrada até às imediações de Pontevedra. Chegados aí, apanha-se a carretera para a península de O Grove, aquela que passa por Sanxenxo e Portonovo. Quando lerem esses nomes, olhem para o lado e sigam em frente, porque não tardará muito estarão a deslizar pela língua de areia de A Lanzada que tem praia do mesmo nome.
Depois dessa imensa recta, uma enorme rotunda. Pela direita vão ter à cidade piscatória de O Grove, vizinha de La Toja, com marisqueiras «porta sim, porta sim». Se tomarem o caminho da esquerda passarão por San Vicente del Mar. Continuando, estarão no pinhal e, depois, por alturas do Reboredo, começarão a surgir tabuletas indicando praias. Façam favor de se atreverem e não se arrependerão por terem metido o rico carrinho na terra batida.
Boa praia, e, ao fim do dia, numa esplanada fresquinha, mexilhões com Alvarinho. Divirtam-se.













19 junho, 2009

AS INVASÕES FRANCESAS E O COMBATE DE ALENQUER, NO DIA 10 DE OUTUBRO DE 1810


Por vezes é assim. Vamos para a Biblioteca Nacional com um programa de pesquisa bem definido e depois... é uma desgraça. Vem à rede de tudo um pouco, menos o que lá nos levou. E tudo piora quando por obra e graça do Espírito Santo ( por isso ele "soprou" tanto, aqui em Alenquer, sua terra de eleição ) lográmos conseguir que nos viessem à mão 10 anos de jornais antigos com o título «Damião de Goes»! Então a perdição é completa... Irei partilhando convosco algumas descobertas.
É de Guilherme Henriques esta achega ao combate de 10 de Outubro travado em Alenquer, combate a que ele havia já feito referência, evocando uma descrição do seu padrinho General Duque Saldanha que do mesmo foi testemunha em primeira mão a partir do QG instalado na "Arcada" do Espírito Santo:
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«Há dias tive a oferta de uma obra inglesa sobre a Guerra Peninsular, intitulada Adventures in the Rifle Brigade pelo capitão Sir John Rincaid. Nele encontrei as seguintes referências:
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Na manhã de um dia de muita chuva e vento retirámos até Alenquer, pequena vila, ao cimo de um monte, cercado de outros mais elevados; e como o inimigo não se tinha mostrado na véspera, tomámos posse das casas ( pobres alenquerenses...), com razoável probalidade de nos ser permitido o prazer, pouco usual de comermos um jantar debaixo de telha.
Mas quando o arrátel ( cerca de meio quilo ) de vaca - que era a ração diária de cada praça - estava talvez meio cozido, e no momento em que um oficial de dragões estava narrando que tinha patrulhado seis léguas para a frente sem encontrar sinais do inimigo, vimos aqueles indefatigáveis (sic) mariolas, no monte em frente das nossas janelas, começando a cercar-nos com uma mistura de cavalaria e infantaria; soprando um vento de tal forma que a cauda comprida de cada cavalo estava estendida, em recta, e tocava o focinho do cavalo que o seguia, fazendo o efeito de todos estarem enfiados num cabo e rebocados pelo que vinha na frente.
Umas poucas de companhias formaram e contiveram o inimigo enquanto o resto da Divisão se estava reunindo. Deitámos fora o caldo como era normal e metemos os sólidos fumegantes, nos sacos, para serem mastigados oportunamente, e continuámos a nossa retirada.».
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- Conclui Henriques: « Concorda isto exactamente com o que me contou o Marechal Duque de Saldanha que fazia parte da mesma Brigada.
- Damião de Goes, n.º 253, 2 de Janeiro de 1910, p. 3.
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Para o próximo ano, no dia 10 de Outubro, completar-se-ão 200 anos sobre este acontecimento histórico que a nossa Vila testemunhou. Esperamos que a data venha a ser dignamente comemorada, como, aliás, tem vindo a acontecer um pouco por todo a País, nas vilas e cidades que foram palco destas ocorrências.