27 julho, 2009

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS - FRANKFURT «A IRREVERENTE»

A cidade alemã de Frankfurt, a dos «arranha-céus» e dos parques verdes, dos banqueiros e dos filósofos, das putas e dos crentes, das finanças e da cultura, a das avenidas «abertas à bomba» na II Guerra, a das «catedrais que não são catedrais» e das «igrejas que não são igrejas», impressiona pela sua juventude e irreverência, atributos que contrabalançam o título de maior centro financeiro da toda poderosa Alemanha.

Logo nos arredores surgem-nos as hortas citadinas, a exemplo de outras cidades alemãs, suiças ou francesas. É aí, em terrenos públicos postos à sua disposição, que os habitantes da cidade se desenfastiam dela enfiando as mãos na terra e fazendo crescer todos as plantas hortícolas que depois levam à sua mesa com o prazer suplementar de terem sido eles a produzi-las. Um exemplo a seguir nos municípios portugueses.


Mas em breve surgem-nos imponentes os «arranha-céus» onde se alojam os Bancos. Bancos alemães? Não. De todo o mundo!

Caminhar nas suas ruas movimentadas é um divertimento. Por vezes deparamo-nos com o imprevisto, o insólito ou o inesperado. Olhem só o que este camarada inventou... Uma loja de cachorros ambulante, repousando sobre os seus ombros. Juro que não tinha mãos a medir, aquilo era só vender cachorros quentes a 1 Euro por unidade. Aqui fica de borla a idéia. Copiem-na e depois é só ir para a 24 de Julho, para Alvalade ou para a Luz em dia de jogo e verão o sucesso e o lucro!






Aposto que não advinham qual o combustível que fazia mover este veículo que, na ocasião, atravessava o centro histórico. Electricidade? Frio... Era Cerveja! A cerveja que bebiam enquanto davam aos pedais. E por ali circularam divertidos e cantando!



Frankfurt tem também uma arte de rua espectacular. Alegrando os modernos e por vezes frios edifícios, lá está ela, irreverente, divertida e desconcertante como a própria cidade...


Esta cidade é também aquela que no país acolhe o maior número de estrangeiros, os quais aí trabalham ou estudam. Aqui eram iranianos que exibiam as fotografias da repressão que o regime tenta que o Mundo não veja.

Mais adiante, era uma manifestação de «educadores de infância» em luta por melhores salários, manifestação essa organizada pelos Verdes e pelos Sociais-Democatras. O meu alemão não deu para perceber quanto ganhavam, nem quanto gostariam de ganhar. Mas garanto-vos que a manifestação era alegre, tinha boa música, um dos senhores no palco cantava bem e o ambiente entusiasmava à participação. Que diferença... Ali não se descarregava bílis nem arremessava bonés. Fez-me lembrar as nossas manifestações dos primeiros tempos após Abril e até apetecia saltar lá para dentro e...saltei!













16 julho, 2009

FOI HÁ 40 ANOS E NO ENTANTO PARECE QUE FOI ONTEM...

( Selos da minha colecção )


Faz hoje 40 anos que, pelas 13,32 UTC, arrancou de Cape Canevaral a missão "Apollo XI". Num foguetão "Saturmo V" seguia o módulo "Eagle" e a bordo deste os astronautas Neil Amstrong, Edwin "Buzz" Aldrin e Michael Collins. Quando no dia 20. 7.1969 Amstrong deu o primeiro passo na Lua, o Presidente Kennedy diria: Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a Humanidade.

Onde estava eu nesse dia? Não propriamente na «face desconhecida da Lua», mas em algo semelhante... Estava em Mueda, Planalto dos Macondes, no norte de Moçambique e posso garantir-vos que por lá ninguém deu por nada, porque nada lá chegava... Quando em 1970 cheguei ao «Continente», então apercebi-me de toda a euforia que por aqui girava em torno das transmissões em directo das missões lunares.
Parece que foi ontem... ( Psst! Nunca digam isto, porque podem pensar que estão a ficar velhos!).
...








( Mueda " Terra da Guerra" - "Aqui trabalha-se, luta-se e morre-se"- 1969 - Apresenta-se o 1.º Cabo Especialista, Mecânico de Rádio, Lourenço!)






13 julho, 2009

D. THOMAZ DE NORONHA - UM POETA ALENQUERENSE


Da sua biografia consta que nasceu em Alenquer, «em data incerta, e terá falecido em 1651. Era filho de um fidalgo escudeiro de D. Sebastião. Casou com uma prima e, tendo enviuvado, casou pela segunda vez. Jacinto Cordeiro, no seu Elogio dos Poetas Lusitanos (1631), coloca-o entre os mais célebres poetas do seu tempo. Devido ao carácter satírico das suas composições poéticas, era conhecido como o «Marcial de Alenquer». Foi um dos primeiros poetas barrocos a sentir o ridículo do artificialismo e a reagir contra ele».
Num dicionário de Literatura colhemos mais esta informação: «Fidalgo de boa estirpe, levou uma vida algo aventurosa e veio a dissipar bens e fazenda, acabando na miséria. Cantou muitas vezes a pobreza em que vivia, e não se envergonhava de pedinchar, em papéis diversos, sustento e outras esmolas.
A sua obra poética é a dum caricaturista desbocado que não receia as desvergonhas e obscenidades. Às vezes, num retrato sóbrio, manifesta-nos, aqui ou além, os caracteres da sociedade do seu tempo. Uma ironia quase subtil insinua-se nos seus poemas, muito ricos de alusões ao mundo concreto e circunstancial que o rodeava.».
O poema que se segue é seu e foi retirado «...de um cancioneiro do século XVII». Na adaptação ao português de hoje os erros são meus e farão o favor de os perdoar:
...
A um Fernando do Pó, moleiro de Alenquer, que andando de amores com a filha de um barqueiro pescador, o achou uma noite em sua casa, e lhe deu muita pancada com um remo.
..
DÉCIMAS
Se acaso o que tenho ouvido
por esta terra assim é
senhor Pó, vossa mercê
cuido que o tem sacudido;
pelo que, tenho entendido
que, de hoje em diante, já
vossa mercê não será
Fernando do Pó, mas só
Fernando que não tem Pó
pois tão sacudido está.
...
Colhe-vos o velho mau
(ó velhice desumana!)
que, de pescador de cana,
se fez pescador de pão;
com um remo por varapau
vos colheu, e em tal extremo
que, errando com a porta, temo
saísseis pela janela;
vós entrastes à vela
porém saístes ao remo.
...
Quando em vossa casa agora
mói todo este lugar
ides vós na alheia buscar
quem vos moa lá por fora!
Ó quanto melhor vos fora
e fora melhor partido
não terdes, senhor, sabido
como agora tendes já
a diferença que há
de moer a ser moído!

29 junho, 2009

ELAS ESTÃO LÁ, PROCUREM-NAS....







Na vizinha Galiza, nas Rias Baixas, mesmo na Península de O Grove - a de todas as excursões aos mexilhónes - mesmo aí, existem segredos bem guardados de praias paradisíacas, com água à temperatura algarvia ( partidas da Corrente Quente do Golfo.... ).
É tempo, pois, de rumar ao Norte e deixarmo-nos ir pela auto-estrada até às imediações de Pontevedra. Chegados aí, apanha-se a carretera para a península de O Grove, aquela que passa por Sanxenxo e Portonovo. Quando lerem esses nomes, olhem para o lado e sigam em frente, porque não tardará muito estarão a deslizar pela língua de areia de A Lanzada que tem praia do mesmo nome.
Depois dessa imensa recta, uma enorme rotunda. Pela direita vão ter à cidade piscatória de O Grove, vizinha de La Toja, com marisqueiras «porta sim, porta sim». Se tomarem o caminho da esquerda passarão por San Vicente del Mar. Continuando, estarão no pinhal e, depois, por alturas do Reboredo, começarão a surgir tabuletas indicando praias. Façam favor de se atreverem e não se arrependerão por terem metido o rico carrinho na terra batida.
Boa praia, e, ao fim do dia, numa esplanada fresquinha, mexilhões com Alvarinho. Divirtam-se.