21 maio, 2011

OUTRO ALENQUERENSE (QUASE ESQUECIDO...)



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LUSO SOARES - HOMEM DO DIREITO E DA CULTURA


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As minhas deambulações pelos leilões on line levaram-me a tropeçar (e a licitar) na obra cujo rosto acima reproduzo. O seu autor, já desaparecido, Fernando Augusto de Freitas Mota Luso Soares, nasceu em Alenquer no dia 2 de Março de 1924, na casa que seus pais habitavam na Calçada Francisco Carmo, logo abaixo do mirante e à esquerda de quem desce.


Seu pai, alto funcionário público, ocupava nesta Vila um dos lugares de Conservador. Foi ainda em Alenquer que Fernando Luso Soares fez a sua instrução primária, após o que a família se retiraria para a capital. Não deixa por isso de ser curioso que a primeira obra por si produzida, em 1941, tivesse sido precisamente esta monografia sobre a sua terra natal, obra que eu já havia consultado na BN e que, embora bem escrita, para o investigador mais exigente, diga-se em abono da verdade, nada trás de novo ou surpreendente.


Quis o acaso que ao frequentar a faculdade de Direito viesse a ser aluno de Processo Civil deste ilustre alenquerense que aí leccionava em busca do doutoramento que, na minha perspectiva, injustamente lhe viria a ser negado quando o júri recusou a sua tese por a considerar «demasiado filosófica». Uma treta, os motivos foram outros e bem mais mesquinhos, pois ao tempo era a extrema-direita que imperava entre o doutoral corpo da Faculdade e Luso Soares era da área do PCP, amigo íntimo do General Vasco Gonçalves (pois é amigos, e olhem que isto não foi há muito tempo...).


Quando Luso Soares entrava ano Anfiteatro 1 da Faculdade para leccionar, a enorme sala tornava-se pequena. Era assim tão grande o interesse reinante pelo Processo Civil? Não. O motivo era outro. A enorme cultura do professor tornava estas aulas, onde o Processo Civil era só mais um tema, verdadeiramente apetecíveis. E, fruto de uma paixão pecadora (digo eu), por lá perpassava, sempre, uma inevitável alusão ao seu Sporting Clube de Portugal! Não há homens perfeitos...


Luso Soares foi um dos mais brilhantes advogados da praça lisboeta e, também, um dos poucos que em tempo de Ditadura advogou no famigerado Tribunal Plenário em defesa dos presos políticos. O glorioso «25 de Abril» encontra-o precisamente aí, ao lado de Salgada Zenha exercendo a defesa de militantes da«ARA-Acção Revolucionária Armada» (tida como o braço militar do PCP, a quem se deveram, entre outras acções, o atentado ao COMIBERLAN [NATO] em Oeiras, aos helicópteros de Tancos e às viaturas que no porto de Lisboa aguardavam embarque para a guerra colonial), entre eles de Carlos Coutinho.


Outra das grandes paixões de Luso Soares foi o Teatro. Para além de ficcionista, ensaísta, autor de compêndios jurídicos e tradutor (traduziu Maiakovski, Giradoux, Vitrac, entre outros) este alenquerense foi, também, autor dramático e crítico teatral.


Terminamos com a inserção de uma listagem das suas obras:




  • Crime a 3 Incógnitas (1953).


  • Notas para a Criação da Novela Policial em Fernando Pessoa (1954).


  • Crimes e Criminosos na Divina Comédia de Dante (1954).


  • O Crime de um Fantasma - Romance (1954).


  • O Mais Inteligente dos Estúpidos - Novelas (1956).


  • Tentação Escarlate com Eficácia em Cor de Burro Quando Foge (1960).


  • O Parque dos Camaleões - Contos (1962).


  • Os Cavalos Marinhos - Drama (1963).


  • O Banqueiro Anarquista e Outros Contos do raciocínio de Pessoa (1964).


  • Vontade de ser Ministro (1965).


  • Cadáver Adiado que Procria (1967).


  • Quando Menos se Espera (1967).


  • Grandezas e Misérias num Sonho de Maiorais de Gado (1967).


  • A Outra Morte de Inês (1968).


  • Literatura Dialéctica Estrutura - Ensaios (1971).


  • António Vieira (1973).


  • Teatro Vanguarda - Revolução e Segurança Burguesa (1973).


  • A Novela Dedutiva em Fernando Pessoa (1976).


  • A Teoria Geral do Direito Civil - Manual (1977).


  • Vasco Gonçalves - Perfil de um Homem (1979).


  • O Direito Processual Civil - Manual (1980).


  • Maria Pia, Duquesa de Bragança contra D. Duarte Pio, o senhor de Santar (1983).


  • A Decisão Judicial e o Raciocínio Tópico-Abdutivo do Juiz - Direito (1983).


  • Vontade de Ser Ministro (1999).


  • O Poeta era um Fingidor (1999).


  • O Agravo e o seu Regime de Subida - Direito.


  • PIDE(DGS - Um Estado dentro do Estado.


  • Ainda: Foi Co-Director de «Cronos: Cadernos de Literatura (1965-1970).

15 maio, 2011

A ANTIGA FÁBRICA DA «CHEMINA»

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FOTOGRAFIAS DE UMA MANHÃ DE DOMINGO

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Desde que ardeu num fatídico dia do ano 2000 (passaram-se onze anos?!!!), a «Chemina» tornou-se numa ruína que tem tendência para se eternizar, ainda por cima bem no centro da vila de Alenquer. Nestes 11 anos tem faltado de tudo um pouco: justiça, ideias, espírito de iniciativa, amor pela terra, e, por fim, dinheiro!

Não se poderá culpar o actual executivo seja do que for (eu, pelo menos, não o faço) pois sei das dificuldades financeiras com que tem lutado para cumprir com o inadiável, situação, pelos vistos e à luz de declarações recentes, herdada de algum extra-terrestre... mas adiante.

Entretanto, enquanto o dinheiro não regressa, fiquemos com a beleza do imóvel, beleza que nem o estado degradação a que chegou consegue ofuscar.

Mas também com algumas notas «biográficas»: A fábrica da «Chemina» nasceu por iniciativa dos irmãos José Joaquim e Salomão Guerra que exerciam na fábrica «do Meio» as funções, respectivamente, de chefe da secção de acabamentos e da de tecelagem, os quais para aqui vieram oriundos de um outro centro de lanifícios, a Arrentela, Seixal.

Foram estes que, de facto, reuniram junto de banqueiros e industriais portuenses, onde avultavam Cândido Ribeiro da Silva e Carlos José Alves, os capitais necessários à fundação do estabelecimento.

Enquanto Fábrica de Lanifícios da Chemina, SARL esta empresa teve sempre escritórios e sede na cidade do Porto, na Rua Formosa, n.º 376. Em 1948 foi vendida passando a ser pertença da firma Fábrica Barros, Lde assim se manteve, por breve lapso de tempo, até encerrar em 1949. Depois, em 1952, foi de novo trasaccionada, passando a designar-se Empresa de Lanifícios Tejo. Ld.ª. Encerraria, definitivamente, em 1994, sendo adquirida pela Câmara Municipal de Alenquer.

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14 abril, 2011

50.º ANIVERSÁRIO

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YURI GAGÁRINE - O PRIMEIRO HOMEM A ORBITAR A TERRA

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Há 50 anos, no dia 12 de Abril, a União Soviética surpreendia o Mundo colocando em órbita terrestre o primeiro astronauta, Yuri Gagárine, único tripulante da cápsula «Vostok I» que lançada do cosmódromo de Baikonur efectuou um surpreendente voo de 1 hora e 48 minutos.

Gagárine nasceu na aldeola de Klúchino, na região de Smolensk e frequentou em Gjatsk a escola profissional onde se tornaria metalúrgico-fundidor, vindo depois a ingressar na aviação militar e daí, em 1960, transitaria para o destacamento de cosmonautas.

Se hoje nos interrogarmos sobre «o que demonstrou este primeiro voo», a resposta parecer-nos-à bem simples: Ele comprovou que o ser humano não só era capaz de elevar-se ao cosmos a uma altura de mais de 300 quilómetros e aí viajar a uma velocidade de 28.000 Km/hora, como lá permanecer mantendo as suas capacidades de trabalho. Afinal, coisa bem simples, mas muito importante para uma ciência que então dava os primeiros passos.

Certa vez perguntaram a um aluno moscovita, numa composição escolar, «o que faria ele se um dia encontrasse um extraterrestre». A sua resposta correu a imprensa da época: «Sorrir-lhe-ia como Gagárine». É esse sorriso aquele que hoje aqui lhe deixamos em alguns selos da época que fazem parte da nossa colecção.

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11 abril, 2011

SEMPRE HÁ CADA UMA...

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O CANDIDATO CONTRA A «INDIFERENÇA» NÃO DEIXARÁ NINGUÉM INDIFERENTE

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Assim será. Ao aceitar ser candidato «independente» pelas listas do PSD, distrito de Lisboa, às próximas legislativas, o ex- candidato presidencial Fernando Nobre deu um verdadeiro «chuto» na indiferença.

Bem consciente disso, desde logo afirmou que receava «vir a ser incompreendido». Pela parte que me toca, eu que não tive compromissos eleitorais com o senhor, direi como em certo filme Vasco Santana disse ao candeeiro: «Compreendi-te!». Está visto que tu queres é ser, o quê, pouco interessa, conquanto que seja alguma coisa que se veja, Presidente da Assembleia da República, pois então!

Bom, chegados aqui a coisa torna-se séria, sabendo nós das possibilidades disso poder vir a acontecer pergunto: Mas, esse senhor que nunca dirgiu uma Assembleia de Freguesia ou Municipal, que nunca passou pelo nosso Parlamento ou Governo, que da política só teve essa experiência de uma campanha eleitoral, quer (e há quem dê cobertura a esse querer...) sentar-se a dirigir a mais alta Assembleia do País, a de S. Bento? Mas será que para tão alto cargo, o qual também exigirá do seu ocupante um certo capital de experiância política que lhe permita ser «ponte» que ligue ou tente ligar as forças políticas representadas, quando tal se tornar necessário ao bom funcionamento do órgão, qualquer um serve?

Quando assim equaciono as coisas, sinto um certo «arrepio» ao ver o entendimento que certas forças políticas continuam a ter da nossa governação, colocando em primeiro lugar o eleitoralismo e o oportunismo e em lado algum a competência e a preparação para o exercício dos cargos.

Todavia, este recente «facto» político coloca-me ainda uma segunda interrogação: Quais os verdadeiros objectivos da anterior candidatura presidencial de Fernando Nobre, uma candidatura que, ao que se disse, contou com a simpatia (indisfarçável) da ala «soarista» do PS? Começo a vislumbrar uma resposta, mas guarda-la-ei para mim, já que cada um saberá tirar as suas conclusões.

Quanto a tudo o resto, a opção legítima agora tomada pelo homem da AMI de entrar numa lista partidária, ele, o PSD e os seus antigos apoiantes e votantes que se entendam com ela e com mais este Carnaval em tempo de Quaresma.