01 janeiro, 2012

1212 - 2012 - VIII CENTENÁRIO DO PRIMEIRO FORAL DE ALENQUER

.
.
A Carta de Foral outorgada por D. Sancha em 1212
.
«Em nome do Padre, Filho, e Espirito Santo, Amen. Saibam todos que eu rainha(1) D. Sancha, filha de d'el rei D. Sancho(2), que foi filho de Affonso I, rei de Portugal, pela graça Deus, senhora do castello chamado Alemquer(3), de minha espontanea vontade, bom animo e intimo amor do coração, dou e concedo ao sobredito castello e a todos os seus habitantes tanto presentes como futuros, bom foral, segundo o qual me serão pagos a mim e aos meus successores, por vós e vossos successores, os direitos reaes abaixo designados.
Dou-vos portanto como fôro que aquelle que voluntariamente, perante os homens-bons e com a mão armada devassar a casa alheia, pagará 500 soldos(4), e isso sem vozeiro(5). E se o devassador for morto dentro de casa, pagará ou quem o matar, ou o dono da casa, um maravedi(6); e se for unicamente ferido, pagará por isso meio maravedi. Pela mesma forma por homicidio e rapto feito publicamente, se pagará 500 soldos. Também quem ferir com pedras, sendo o delicto provado pelo testemunho dos homens-bons pagará 500 soldos. Por metter porcaria na bocca(7) de alguem, se pagará 60 soldos, havendo testemunho dos homens-bons. Furto provado pelo testemunho dos homens-bons, será restituido nove vezes no seu valor.
Quem quebrar o relego do vinho(8), e o seu vinho vender no relego, e for condennado pelo testemunho de homens-bons, pagará a primeira vez 5 soldos, e a segunda vez 5 soldos, mas se ainda terceira vez for encontrado, havendo testemunho de homens-bons, o vinho será todo entornado e os arcos das cubas serão cortados. Do vinho vindo de fóra darão de cada carga um almude e o resto será vendido nos relegos. 
Ácerca das jugadas(9) determino, que até ao Natal do Senhor serão cobradas; e de cada junta de bois se dará um modio(10) de milho ou trigo, conforme semear; e se semear de ambos os cereaes, pagará d'um e d'outro pelo alqueire aforado da villa. E o quarteiro(11) será de 14 alqueires e medidos sem braço curvado ou razoura. O cavador se semear trigo dará uma teiga(12) e se semear milho o mesmo. E de geira de bois um quarteiro de trigo ou milho, segundo semear. E o parceiro de cavalleiro(13) que não tiver bois, não dará jugada.
E os habitantes de Alenquer poderão ter livremente lojas e fornos de pão e de louça; e dos fornos de telha darão décima.
Quem matar um homem fóra do couto pagará 60 soldos, e quem ferir um homem fóra do couto pagará 30 soldos. Quem na estrada, com armas, ferir algum pagará metade do homicidio. Quem puchar por armas, ou as for buscar a casa por ira, se não ferir pagará 60 soldos.
E os homens de Alenquer tenham as suas herdades povoadas, e os habitantes d'ellas pagarão por homicidio, por rapto ou por mettter porcaria na bocca 60 soldos, sendo ametade para o mordomo da villa e ametade para o senhor da herdade; e irão ao appellido(14) segundo o costume de Lisboa. E os homens que habitarem herdades de Alenquer se fizerem furto e for restituido como acima fica dito, ametade será para o mordomo da villa e ametade para o senhor da herdade.
E a almotaceria pertencerá ao concelho(15); e o almotacé será mettido(16) pelo alcaide e conselho da villa. E darão de fôro, de cada vaca um dinheiro, e de veado um dinheiro, e de novilho um dinheiro, e de carga de besta de pescado um dinheiro, e de barco de pescado um dinheiro. E do julgado(17) o mesmo. E da alcavala(18) tres dinheiros. E de veado, de novilho, de vacca e de porco um dinheiro; e de carneiro um dinheiro. Os pescadores darão o décimo.
De cavallo, ou mula, ou macho, comprado ou vendido por homens de fóra, de dez maravedis para cima paguem um maravedi a mais; e de dez maravedis para baixo, paguem só mais meio maravedi. De egoa vendida ou comprada darão dois soldos, e do boi dois soldos  e de vacca um soldo, e do burro e burra um soldo. Do mouro e moura meio maravedi(19); do porco ou carneiro onze dinheiros. Do bode ou cabra um dinheiro.
De cada carga de azeite ou de pelles de boi, ou bezerro, ou veado, darão meio maravedi. De cada carga de cera darão meio maravedi. De cada carga de anil(20), ou de pannos, ou de pelles de coelhos, ou de pelles vermelhas ou brancas. ou de pimenta ou de grãos darão um maravedi. De bragal(21) dois dinheiros; de fatos de pelles tres dinheiros. De linho, ou de alhos, ou de cebolla, o décimo. De peixe de fóra, o décimo.
De gamellas, ou vasos de madeira, o décimo. De tudo isto que venderem homens de fóra, se houverem pago a portagem(22), e comprarem outros objectos, não pagarão portagem alguma.
De carga de pão ou sal, que venderem ou comprarem homens de fóra, e de cada besta cavalgar ou muar darão tres dinheiros; de cada besta asinina tres mealhas(23). Negociantes naturaes da villa, que quizerem dar soldada, receba-se-lhes; se a não quizerem dar, paguem portagem. Da carga de peixe que homens de fóra, levarem, darão seis dinheiros de portagem. Peões darão o oitavo do vinho e linho.
Os besteiros (24) tem o fôro de cavalleiros A mulher de cavalleiro que enviuvar conserva as honras de cavalleiro enquanto não torna a casar; se casr segunda vez com um peão, fará fôro de peão. O cavalleiro que envelhecer ou enfraquecer a ponto de não poder tomar armas, conserva os seus privilegios. Se alguma viuva de cavalleiro tiver um filho residente na sua casa, que possa fazer o serviço de cavalleiro, faça-o por sua mãe. O almocreve(25) que viver de almocreveria, pague o tributo uma vez por anno. Mas o cavalleiro que empregar o seu cavallo ou as suas bestas na alcreveria, não faça (ou pague) nenhum fôro como almocreve. O caçador de coelhos que for à soeira(26) e ah ficar, dará uma pelle de coelho; e quem ahi permanecer oito dias ou mais, dará um coelho com a sua pelle. E o caçador de coelhos, de fóra, dará o décimo todas as vezes que vier caçar.
Os moradores de Alemquer que colherem pão, vinho, figos, ou azeite em Santarém ou outra qualquer parte, e que o quizerem conduzir para Alemquer para gasto seu e não para tornar a vender, não darão portagem por isso.
Quem tiver uma rixa com qualquer e depois da rixa entra na casa d'elle e de caso pensado pegar n'um páo ou cajado e com elle o espancar, pagará 30 soldos. Se alguem de imprevisto e accidentalmente bater n'outro(27), nada pagará. Inimigos de fóra não entrarão na villa sobre o seu inimigo senão em caso de tregoas ou para alcançar justiça. Se qualquer cavallo matar alguem, o dono do cavallo dará o animal ou pagará o homicidio segundo escolher.
Os clerigos terão fôro de cavalleiros em tudo, e se forem encontrados com alguma mulher em coito, o mordomo não lhes tocará nem os prenderá de fórma alguma, poderá porém prender a mulher se assim lhe aprouver.(28)
Da madeira que vier pelo rio, de que até agora davam oitavo, darão o decimo. Da atallaia da vila(29) deve a rainha ter ametade e os cavalleiros a outra metade com os seus corpos. O cavalleiro de Alemquer a quem o rico homem(30) que em meu nome possuir terra, tiver admittido á cavallaria e tiver dado terras e bens, dos seus, eu o admittirei no numero dos meus cavalleiros. O mordomo ou sayão(31) não irão a casa de nenhum cavalleiro, sem levar consigo porteiro do pretor(32); e o rico homem que em meu nome possuir a villa, não poderá metter alcaide(33) algum que não seja de Alemquer. As casas que os meus nobres homens, ou freires, ou hospitalarios possuirem em Alenquer, ou mesmo mosteiros, erão fôro de cavalleiros.
O gado perdido que for trazido ao mordomo, elle o guardará até ao fim de trez meses, e em cada mez o fará apregoar para que se o dono vier o possa achar; se porém até ao fim dos trez meses o dono não apparecer, então o mordomo poderá dispor do gado como coisa sua.
Em cavalgada(34), o alcaide não tome nada à força, mas o que espontaneamente lhe quiserem dar. De cavalgada de 60 ou mais cavalleiros, pagarão a meias comigo. O ferreiro, ou sapateiro, ou pelleiro que possuirem casas em Alemquer e n'elas trabalham, não pagarão por ellas fôro algum. Quem tiver officiais de ferreiro, ou sapateiros, mouros, trabalhando em sua casa, não dê fôro por elles. Mas os officiaes de ferreiro ou sapateiro que vivem dos seus officios e não possuirem casas, venham para as minhas lojas e façam-se mmeus foreiros.
Quem vender comprar cavallo ou mouro fóra de Alemquer, aonde comprar ou vender ahi dará portagem. Os peões que houverem de hypothecar os seus haveres, dêem décima d'elles ao mordomo, e o mordomo assegrar-lhes-ha a troco da décima o seu direito; se porém recusar fazel-o, fal-o-ha o pretor pelo seu porteiro.
Os moradores de Alemquer não darão luctuosa(35). Os adais(36) de Alemquer não dêem o quinto do quinhão dos seus corpos. Soldados de Alemquer não tenham zaga(37) no exercito. Os padeiros darão de fôro de cada 30 pães um. As portagens e foros e quinto dos sarracenos(38) e outros ficarão segundo o costume actual, salvo os que estão acima exarados ou que eu vos cedo. De alcaidaria(39) de cada besta que vier de fóra com peixe darão dois dinheiros e de cada barco de peixe miudo onze dinheiros, e de todo o outro peixe miudo onze dinheiros, e de todo o outro peixe darão seu fôro.
Quanto aos navios mando que o alcaide(40), dois remeiros, dois arraes e um calafate, tenham fôro de cavalleiros.  Isto tudo que está escripto vos dou e concedo por fôro; e para tudo irá o mordomo com o testemunho dos homens-bons e não de outros. Os cavalleiros de Alemquer testemunharão com os infanções(41) de Portugal.
Todo aquelle que observar este Fôro seja abençoado de Deus e de mim; quem porém o quizer infringir terá a maldição de Deus e de mim; quem porém o quizer infringir terá a maldição de Deus e a minha. Esta carta foi feita no último dia de Maio de MCCL(42); eu supra nomeada rainha D. Sancha que esta carta mandei passar reborei-a em Monte maior perante as testemunhas idoneas que assignam  e presentes foram.
- D. Gonçalo Mendes, filho do conde D. Mendo.
- Gomes Viegas, filho de Egas Viegas.
- Lourenço Egas, filho de Egas Henriques.
- Martim Gonçalves, filho de Gonçalo o Sarraceno.
- D. Egídio, filho de Rodrigo Fernandes de Lisboa.
- Gonçalo Peres, filho de Pero Gonçalves de Pavia.
- D. André, porteiro da Rainha.
- Fernando Gonçalves, escrivão da rainha, testemunhas.
------------------------
(1) - «rainha» - As filhas legítimas de rei tinham, então, direito ao título de rainhas. É esso o caso da princesa D. Sancha filha legítima do rei D. Sancho I.
(2) - «rei D. Sancho» - D. Sancho I (1154-1211), filho de D. Afonso Henriques e de D. Mafalda de Sabóia. Foi casado com D. Dulce de Aragão de quem teve 11 filhos, 5 varões e 6 do sexo feminino. A ele sucedeu D. Afonso II com quem D. Sancha teve uma relação muito conflituosa.
(3) «senhora do castello chamado de Alemquer» - Os rendimentos de Alemquer foram, primeiro, da rainha D. Dulce. Depois D. Sancho doou a vila de Alenquer à sua filha mais querida, D. Sancha. Morto o rei, tomou ela posse da vila como sua donatária de acordo com a vontade de seu pai vertida em testamento e deu-lhe a primeira Carta de Foral.
(4) - «Soldo» - Moeda de baixo valor. As primeiras moedas cunhadas pelos nossos reis foram os maravedis ou morabitinos e os dinheiros. Os primeiros já eram cunhados pelos Almorávidas em ouro. Com esse mesmo ouro e outro da mesma fonte se teriam cunhado os primeiros morabitinos no reinado de D. Sancho I. O dinheiro era uma moeda de bolhão, liga de cobre e prata onde o primeiro metal prevalecia. É evidente que com a Reconquista e por algum tempo, as antigas moedas continuaram em circulação, do mesmo modo que outras dos reinos vizinhos.
(5) - «e isso sem vozeiro» (chamemos-lhe «advogado»).  A este propósito refere Luso Soares no seu ensaio A Vila de Alenquer: "Este aviso «e isto sem vozeiro», parece indicar-nos o poder absoluto de D. Sancha e portanto o de todas as donatárias".
(6) - «maravedi» Primeira moeda em ouro cunhada no reino no tempo de D. Sancho I, conhecida na nossa numismática como morabitino. O morabitino de D. Sancho I «tem no anverso a inscrição SANCIVS  EXRTVGALIS, entre dois círculos lineares. No campo a figura do rei coroado a cavalo, empunhando na mão direita a espada e na esquerda o ceptro, encimado por uma cruz equilateral. No reverso a inscrição IN NE PTRIS ILIIII SPS CCIA, entre dois círculos lineares. No campo, cinco escudetes dispostos em cruz, carregados de quatro besantes e contornados por quatro estrelas». Todavia, dado que estamos ainda muito próximos da Reconquista, pode, mesmo, o texto referir-se à moeda Almorávida que ainda circularia.
(7) - «metter porcaria na bocca» - do latim merda in bucca. Crime medieval altamente ofensivo que consistia em colocar excrementos ou lixo na boca de alguém. Tomado à letra seria assim, mas, tratar-se-ia, tão só, de arremessar esterco ou lixo à cara de alguém, o que já seria muito ofensivo.
(8) - «relego do vinho» - Período reservado à venda do vinho do rei ou do senhor. De facto, o vinho proveniente dessas propriedades gozava de um período para ser vendido nas vilas e cidades sem  a concorrência de qualquer outro produzido localmente, sendo este um grande privilégio. A produção dos reguengos, terras reais, gozavam de um relego de três meses.
(9) «jugadas» - Antigo tributo ou imposto pago em espécie.
(10) - «modio» ou «moio» - antiga medida de capacidade usada para secos, nomeadamente cereais. Equivalia a 60 alqueires ou 799,980 litros. Como o refere G. J. Carlos Henriques esta equivalência variava de terra para terra, pelo que em Alenquer e Lisboa 1 moio equivalia a 56 alqueires.
(11) - «quarteiro» - Equivalia a 1/4 de moio.
(12) - «teiga» - Equivalia, geralmente a 4 moios.
(13) - «parceiro de cavalleiro» - Sendo o cavaleiro proprietário do terreno, «parceiro» seria aquele qu cultivava esse terreno pagando meias, terças, etc.do produto colhido.
(14) - ir ao «appellido» - acorrer ao chamamento às armas, geralmente em consequência das «correrias» dos mouros que ainda dominavam o sul do território.
(15) - «almotaçaria» - «almotacé» - O almotacé era um funcionário municipal de prestígio cuja missão se assemelhava à do antigo edil romano. O termo provirá do árabe al-mohtacel que deriva do verbo hoçabe que significa cortar. O almotacé tinha uma missão bastante diversificada no contexto do bom funcionamento das vilas e cidades, pois, tal como os aferidores, fiscalizava os pesos e das medidas e providenciava a taxação dos produtos alimentares. Zelava, ainda pela limpeza e manutenção dos espaços públicos e pela ocupação dos mesmos. Podiam aplicar pequenas sanções e participavam na elaboração das posturas municipais.
(16) - «mettido» - eleito.
(17) - «julgado» - próximo do tributo que se pagava ao juíz.
(18) - «alcavala» - adicional em dinheiros que se pagava pela a carne comprada no mercado ou açougue. Segundo GJCH este tributo era dos empregados do juíz. Um termo que, curiosamente, chegou aos dias de hoje como «adicional», algo mais pago ou recebido sobre o que se adquiriu ou auferiu.
(19) - Tinham, então, decorrido poucos anos sobre a Reconquista e os mouros e mouras que por cá haviam ficado eram transaccionados como mercadoria, daí havendo lugar ao pagamento de imposto.
(20) - «anil» - Corante de origem vegetal que dava aos tecidos um tom azulado.
(21) - «bragal» - Panos de linho muito grosseiros.
(22) - «portagem» - imposto de passagem ou de entrada, cobrado, normalmente à entrada das vilas e cidades.
(23) - «mealha» - Cada uma das metades de um dinheiro cortado à faca ou à tesoura.
(24) - «besteiros» - Militares que usavam como arma a besta. Cada concelho estava obrigado a contribuir para as hostes reais com um determinado número de besteiros, os besteiros do conto, recrutados entre aqueles que tinham posses para adquirir a arma e, normalmente, sustentar a montada em que se deslocavam.
(25) - «almocreve» - Sendo, então, as comunicações muito limitadas, os almocreves tinham na sociedade medieval (em Portugal, mesmo até aos inícios do séc. XIX) um importante papel a desempenhar, pois eram eles quem, com as suas montadas, transportavam de terra para terra as mais variadas mercadorias e até o correio e as notícias. Cada vila ou terra importante tinha o seu corpo de almocreves.
(26) - «for à soeira» - esta caça fazia-se, então, utilizando redes e armadilhas o que exigia uma «espera» ou «soeira» obrigando a que os homens permanecessem muito tempo ausentes no campo.
(27) - Como diríamos hoje: de forma não dolosa.
(28) - Pobre condição a da mulher, classe privilegiada a dos servidores da Igreja.
(29) - «attalaia da vila» - Defesa, guarda da vila. Era esta, segundo o foral custeada metade pela rainha outra metade pelos cavaleiros
(30) - «rico homem» - do latim nobilis homo, a ele estava confiada a tenência da área.
(31) - «mordomo ou sayão» - magistrados judiciais. O primeiro recebia queixas que encaminhava para o concelho, executava penhoras e faz prisões, mas, também cobrava impostos e procedia à execução de bens.
(32) - «porteiro do pretor» - oficial judicial.
(33) - «alcaide» - Entenda-se alcaide-menor.  Ao tempo da Reconquista o alcaide era o governador militar da praça da vila ou da cidade. Após a Reconquista as suas funções evoluíram para a área judicial. Para precaver e defender as populações dos seus abusos foi criado o cargo de alcaide-menor sendo este eleito entre os homens bons, o qual tinha como missão controlar a actividade do alcaide-mór.
(34) - «cavalgada» - Incursão militar nesses tempos em que a Reconquista ainda estava em curso. Refere GJCH que «esta condição era muito necessária para proteger o povo contra as exigências da soldadesca».
(35) - «luctuosa» - Importância que os proprietários recebiam por morte dos seus rendeiros, mas, também, contribuição que onerava a terra toda a vez que, por falecimento, esta mudava de possuidor. Algo como o imposto sucessório que ainda conhecemos.
(36) - «adail» - Cavaleiro, cabo-de-guerra, aquele que nesses tempos difíceis da Reconquista conduzia as hostes que se infiltravam em terrenos de ninguém ou do inimigo, guerreando-o ou saqueando. O adail era, ainda, aquele que na vanguarda da coluna indicava o caminho a seguir.
(37) - «zaga» - Rectaguarda do Exército ou da coluna militar. - Em latim non teneant zagam in exercitu regis, assim determina a carta que os cavaleiros de Alenquer não sejam colocados na rectaguarda, já que era honrosa cavalgar na dianteira da coluna.
(38) - «quinto dos sarracenos» - Parte que cabia á rainha dos despojos tomados nas correrias contra os mouros.
(39) - «alcaidaria» - o que se pagava ao alcaide-mór.
(40) - «alcaide» - Neste caso significa capitão do navio.
(41) - «infanções» - pequena nobreza que se situava acima dos cavaleiros e abaixo dos rico-homens.
(42) - 31 de Maio de 1212 da nossa era.





08 novembro, 2011

A REFORMA ADMINISTRATIVA E AS FREGUESIAS


«...O PRIMEIRO E MAIS SÓLIDO PATAMAR DA DEMOCRACIA PORTUGUESA»
.
.
Em 2006, no jornal local «Nova Verdade», publiquei o artigo acima. Finalmente, decorridos meia dúzia de anos, a reforma das freguesias ganha corpo e sentido. Penso que no momento actual terá algum interesse recordar aqui o que então escrevi.
.
O título não é nosso, tomámo-lo de empréstimo a Armando Vieira, presidente da ANAFRE - Associação Nacional de Freguesias, que assim as definiu, concluindo: «...mas continuam a ser o parente paupérrimo da administração pública, vivendo de muita carolice».
Ao todo, por esse País fora, são 4.257, mas o seu peso no Orçamento do Estado é, tão só, de 0,21%! Daqui facilmente se concluirá que, quando se fala da extinção de freguesias, a causa nunca poderá ser económica, ou, pelo menos exclusivamente económica.
Neste universo de mais de quatro milhares de autarquias há de tudo um pouco: Concelhos com uma única freguesia, como, por exemplo, Alpiarça ou Barrancos e concelhos com 89 freguesias como Barcelos. Freguesias com 46 habitantes (2001) como S. Bento de Ana Loura em Extremoz e outras como Algueirão-Mem Martins, Sintra, com 62.557 (2001).
Ainda mais dois exemplos quanto à desproporcionalidade reinante entre freguesias, os quais até poderão não ser dos mais expressivos: Alfândega da Fé, um concelho com 5.796 habitantes, possui 20 freguesias, sendo que duas têm menos de 100 habitantes, dez menos de 200 e seis menos de 500. Arcos de Valdevez regista 51 freguesias, oito com menos de 200 habitantes, 26 com menos de 500 e 12 com menos de 1.000.
Como conjugar esta realidade com uma recente afirmação de Eduardo Cabrita, Secretário de Estado-Adjunto e da Administração Local, o qual numa lógica de proximidade e de serviço público defendeu que «é necessário transformar cada freguesia numa mini-loja do cidadão»? Provavelmente procedendo a uma reforma administrativa (...).
.
- Vila Verde dos Francos - A freguesia do concelho mais distante da sua sede, Alenquer.
.
Mas, para além do da dimensão ainda subsiste outro problema: o crescimento das urbes, com o surgimento de novas centralidades, tornou sem sentido uma antiga divisão administrativa. Por exemplo, em vez das actuais freguesias de Triana e Santo Estêvão, dividindo ao meio a vila, não faria hoje muito mais sentido a existência de uma freguesia cuja área abrangesse toda a Vila?
Outra questão pertinente, no que às freguesias respeita, é a das competências. Nas freguesias urbanas, com dezenas de milhar de habitantes, a inexistência de competências em áreas consideradas fulcrais como a segurança, a habitação, políticas sociais, etc. são extremamente sentidas. E como entender que uma freguesia, com o seu reduzido orçamento não possa recorrer ao crédito sequer para adquirir uma máquina de que necessita com urgência para tratar dos seus caminhos?
.

- ALENQUER - Entre o Tejo e a Serra de Montejunto iam 16 freguesias. Quantas ficarão?
.
É ainda necessário que, no futuro, o cumprimento de um mandato numa Junta não seja mais considerado um acto de carolice. Os tempos e os novos desafios aconselham que em cada Junta haja um autarca a tempo inteiro, embora isso só faça sentido num quadro diferente do actual, com freguesias com outra dimensão e novas e mais dilatadas competências.
***
 Tanto quanto julgamos saber, o trabalho de adaptação do nosso quadro concelhio de freguesias ao que o «Documento Verde» propõe, está a decorrer sem problemas de maior, com as forças políticas e órgãos autárquicos empenhados na obtenção de um consenso tão amplo quanto possível, mas um consenso que em nada prejudique as populações.
O espírito do documento tem estado presente, mas o quadro que se desenha não virá a ser um quadro a «régua e esquadro», passando por cima de toda a lógica que as realidades locais impõem. Pois que assim seja e que esta venha a ser uma reforma bem aceite, seja qual for o número de freguesias que daí resulte.

09 outubro, 2011

A «VILA ALTA» DE ALENQUER

.
.
O ADRO DA MISERICÓRDIA 
(UM VELHA HISTÓRIA TIRADA DE UM VELHO JORNAL) 
«Tem sido, de épocas remotas até ao presente, o adro da Misericórdia o centro de reuniões dos ilustrados da terra. Ali se têm enterrado e desenterrado muitas reputações.
Teve Alenquer os conventos de frades de S. Francisco, Santa Catarina e Carnota; as colegiadas de Santo Estêvão, S. Pedro, Triana e Várzea, aonde eram admitidos grande número de ociosos; haviam os escrivães dos corregedores, provedores, juízes de fora e muitos outros, sendo então esta vila denominada a terra de penas e glórias.
Em todas as tardes, até alta noite, grande parte daquela caterva de indivíduos tomava assento na bancada do adro discutindo religião, política, justiça e a vida privada de cada um dos ausentes e dos que, pouco a pouco, se retiravam.
Fez em tempo parte daquela reunião o venerável Padre Manuel da Costa Martins, avô dos sr. Alfredo Pereira do Carmo, sendo sempre o último a retirar.
Perguntando um dia porque era sempre o último a sair daquele lugar, respondeu:
- Quero ouvir o que dizem dos outros e não quero que ouçam o que dizem de mim.
Acabaram os frades, as colegiadas e a nova organização judiciária e administrativa resumiu o número de escrivães, mas ainda assim o adro da Misericórdia continuou a ser frequentado por muitos indivíduos da primeira sociedade: - Não sabemos se com os antigos vícios e virtudes…».

-In O ALEMQUERENSE,  N.º 192 de 15 de Novembro de 1891
.
As manhãs de Domingo, porque mais sossegadas e livres de carros em incessante movimento, são para mim boa ocasião para deambular pelas ruas de Alenquer. Subi à minha Vila Alta de sempre, e quando olhei de frente a Igreja da Misericórdia, logo me veio à memória a história acima transcrita.
Também nos meus tempos de infância e juventude, aquele banco que ali se vê era poiso certo para a cavaqueira e, não diria má língua, mas para uma revista noticiosa do que de bom e mau pelo bairro ia acontecendo. E, olhando o banco, é como se ainda ali visse os irmãos Paulo, o Adriano Mendonça, o meu tio Renato, o Álvaro Avellar, o Zeca Pina, o Zé Augusto Carteiro entusiasmado com as aventuras do Papillon que o Século publicava diariamente em tiras de banda desenhada... Como é (sempre) bom regressar a esta Vila Alta, centro histórico da vila de Alenquer!
.

.
Mas, olhando melhor, pergunto a mim mesmo o que faz ali aquele «matacão» carregado de fios (eléctricos? dos telefones? da tv cabo? de todos e mais algum que agora esqueço?) projectado contra a fachada sóbria da centenária igreja? Realmente... E pergunto: Quando será que essas empresas perdulárias em ordenados milionários dos seus administradores se dignam enterrar a fiarada, numa atitude de respeito pelo nossso património e pelas nossa zonas urbanas mais antigas e qualificadas?
Mas, que mais vejo? Que fazem por aqui estes candeeiros «pindéricos» (a crise pode justificar muita coisa, mas não justifica tudo)? Ao menos que fossem uns candeeiros «lanterna», vagamente apontando ao antigo, como os que mais recentemente foram colocados nos passeios à beira-rio...
.
 . 
Nasci nesta primeira casa da antiga Rua Direita da Praça, depois Rua Jornal A Verdade, hoje Rua Renato Leitão Lourenço. Mas digo-vos uma coisa: fui um puto com sorte, pois nesse passeio, hoje feito estacionamento automóvel, brinquei eu muitas vezes à sombra das árvores que aí existiam (entre elas uma ameixoeira cujos frutos não tinham tempo para amadurecer) e dei belas pedaladas de triciclo. Avante... 


.
Também brinquei muito no largo deste chafariz. No imóvel coberto de azulejos morou a família Batoréu, por baixo, ficava a loja do sr. Marques, e mesmo em frente, a salsicharia e padaria do sr. Ventura. Ao lado, depois da travessa, ficava a taberna do Moreira (depois do Galinha) e, por cima, morava a sr.ª Amélia do Hotel, ficando no rés do chão o escritório do solicitador sr. Juta. Ainda no andar térreo, era o lugar de frutas e hortaliças da sr.ª Margarida (a que alguns chamavam «Maria Gulosa»), também lugar de peregrinação e de culto da miudagem que aí comprava os rebuçados com os cromos da bola. Sempre no afã de completar a caderneta não havia tostão que escapasse! No primeiro andar viria anos depois a morar o meu avô Tomé, e, após a sua retirada, foi escritório do advogado Dr. Ralha Leitão.
Hoje está tudo velho... aposto vai cair! Mas havia mais. Aqui, neste largo reunia de madrugada a «praça de homens» onde os jornaleiros vinham alugar os seus braços. E como dar largas à imaginação não custa nada, já pensaram como aquela parede escalavrada ficaria bonita com um painel de azulejos evocativo desses tempos difíceis que faziam de cada «cavador» um herói?
.
.
Do Adro da Igreja, caminhando agora em sentido oposto, entra-se no Largo Luís de Camões ou Largo da Câmara, por natureza e vocação a sala de visitas da vila. Naquele prédio que ali se vê, morou a sr.ª Júlia Carreira e, por debaixo, ficava o escritório de seguros da «Império» que pertencia ao sr. Fernando Campeão, então comandante dos bombeiros e onde trabalhava a nossa grande actriz amadora Maria Luísa. Também lá morou o Rocha com a sua filharada. Bom homem e bom guitarrista, o Rocha foi o grande animador dos conjuntos de baile locais.
Hoje está no estado que se vê. Aposto que vai de pantanas para o quintal do Mimoso...
.
.
Quem se aproximar do gradeamento, sempre tem a recompensa de, olhando para a direita, ver lá no alto a Igreja conventual de S. Francisco, ex-libris da vila de Alenquer. Mas, tenho a certeza, que no alto do campanário o galo (que dizia à vila o tempo que ia fazer) está a olhar um tanto ou quanto admirado para aquela «molhada» de antenas de comunicações que conspurcam uma paisagem que se dizia ser intocável! Canta galo! Canta até que alguém te ouça...
.
.
.
E agora... Agora, não digo mais nada. São só duas bonitas fotografias para lavarem os olhos de tanta coisa que não deveriam ter visto na ilustração desta minha «viagem», quase sentimental, onde recordei a Vila Alta de há cincoenta anos. Mas, acreditem, Alenquer merece este incómodo (é sempre incómodo para quem o escreve e para quem o sofre) que, assim o espero, tão só deve ser interpretado como uma ajuda, talvez impertinente, aos homens e mulheres de boa vontade da minha terra a quem os alenquerenses confiaram a «coisa» pública, ainda por cima em tempo de «vacas magras» e de executivo «balcanizado».

03 outubro, 2011

A DESAPARECIDA FREGUESIA DE SANTIAGO

.

.
UMA MEMÓRIA QUE SE DESVANECE
.
Esta velha fotografia da minha colecção mostra-nos a torre sineira da já desaparecida igreja de Santiago, a qual se situava fora muralhas, nas costas da antiga Judiaria, pendurada na colina que do Castelo desce para o rio por cima do sítio da Redonda.
Por acaso esta fotografia é uma das melhores entre as poucas que conheço da vetusta ruína. Em miúdo, eu e outros «exploradores» da minha idade, gostávamos de trepar ao andar sineiro para aí gozarmos do prazer da conquista que tal aventura alpina nos proporcionava. Depois, descíamos ao «Olho d'Água», que era então a nossa piscina, e dávamos uns valentes mergulhos, ali onde a água saída das nascentes gorgulhava a alguns metros de fundura, para, por fim, nos deitarmos ao comprido na pedra do esbarro (assim chamávamos à vertente inclinada do açude por onde a água esbarrava) gozando do prazer simultâneo do sol e da água que descendo nos cobria e refrescava. 
Mas desiludam-se os putos de hoje que queiram imitar-nos, pois a Torre há muito que caiu e, nem sei mesmo se as pedras escaparam, pois esses terrenos que na fotografia vemos livres, aparecem-nos hoje bem vedados e guardados.
Quanto ao «Olho d'Água» perguntem à EPAL por ele e escusam de procurar pelo açude, obra do arquitecto José Terésio Michelotti (nos primeiros anos do séc. XIX) que alguns alenquerenses e escravos argelinos para aqui trazidos levantaram em boa pedra da região, pois dessa importante obra de hidráulica que fazia mover os cilindros que destroçavam o trapo da Real Fábrica de Papel, nem a evidência de alguns alicerces por lá ficou assombrando o leito empedrado do rio. 
Mas regressemos a Santiago e à sua Igreja desaparecida, a qual, segundo Guilherme João Carlos Henriques, «foi edificada por D. Afonso VI, no sítio da primitiva...». Diz ainda o historiador que a igreja primitiva «...foi fundada pelo primeiro rei de Portugal, em comemoração de um milagre que teve lugar ao pé do postigo nas muralhas, em frente do sítio dela».
Segundo João Pedro Ferro, a referência mais antiga que se conhece, relativa à freguesia de Santiago, remonta a 1226, portanto, a segunda mais antiga das cinco freguesias que a vila de Alenquer já teve (Santo Estêvão, Santiago, Santa Maria de Triana, Santa Maria da Várzea e S. Pedro). A freguesia de Santiago, pela sua situação na vila, não tinha nesta fogos ou almas, mas a ela pertenciam Pancas, Parrotes e Carregado. Anexada esta freguesia à de Santo Estêvão, extinguir-se-ia, também a paróquia. Foi quando «...a igreja caiu rapidamente em ruína (...) foi derrubada, sendo o material aproveitado na construção de uma ponte que liga à estrada da Merceana», a qual, por sua vez, também desapareceria, embora dela ainda guarde boa memória.
.
.
Na muralha próxima ao local onde outrora se ergueu a igreja de Santiago, vê-se este nicho (que foi porta ou janela) e, ao olharmos para ele, quantas vezes já imaginámos que, limpa a muralha, iluminado o nicho, como ficaria ali bem uma imagem de Santiago, daquelas que os santeiros minhotos e galegos esculpem em granito da região (e não são caras...). Depois era só colocar um gradeamento que lhe desse segurança e uma placa que evocasse as desaparecidas igreja e freguesia de Santiago. E assim se alindava uma entrada da vila, situada junto às muralhas do Arco da Conceição, antiga Porta do Carvalho. Não sei se a muralha é pública ou privada, mas se é privada concerteza que o seu proprietário não se oporia à sua limpeza, alindamento e conservação.
.
.
Em Alenquer, porque aqui há beleza natural, História e algum património interessante, gostamos muito de falar de Turismo. Turismo de passagem, já vê, porque para uma indústria turística faltam todas as infraestruturas que habitualmente suportam uma indústria dessas. Admitamos que a Alenquer vêm turistas e que estes, chegados cá sejam atraídos pelas muralhas do castelo acima, uma evidência que não pode passar despercebida ao viajante. Aí chegados, que se lhes oferece aos olhos?
.
1 - A Torre da Couraça (propriedade privada que já há muito tempo deveria ter sido expropriada) esventrada e tomada pela vegetação. Sobre a Torre erguia-se uma casa de habitação que foi da administração da Real Fábrica de Papel, onde funcionaram serviços públicos e camarários enquanto os actuais Paços do Concelho estiveram em construção e que, por último, foi consultório médico. Disse-me quem percebe do assunto que, dentro do enorme fosso, jaziam vigas de madeiras preciosas que hoje já não se encontram em lado nenhum...
.

2 - A Igreja da Várzea, propriedade da autarquia (que já lá vão  bons anos deu 15.000 contos por ela à Diocese de Lisboa, para, depois, nunca mais saber o que lhe fazer) com o telhado novo que o IPPAR lhe pôs a ser devorado pela vegetação e a torre no estado que se vê. Projectos de recuperação ainda houve (Casa Memória Damião de Goes)... Ao abrigo do Programa Operacional de Cultura poderia ter sido musealizada com fundos a 75%, mas, os 25% que faltavam, eram mal empregues se o não fossem em alcatrão!
.
3 - O recinto interior escalavrado e pedregoso (torrado pelos herbicidas) ornamentado por um improvisado parque automóvel, materiais e entulho. Não seria possível ajardinar o recinto em socalcos ou implantar um anfiteatro em pedra?
.
4 - O lixo convivendo com as muralhas. O piso do passadiço que corre junto á muralha está num estado lastimável.
.
O mais curioso disto tudo é que ainda na última sessão da Assembleia Municipal (há poucos dias), os deputados municipais votaram por unanimidade a entrada de Alenquer para a «Rota das Judiarias» (eu também. Eu também benza-me Deus, porque não gosto de ser desmancha prazeres...), tudo por amor ao Turismo, já se vê... Pois bem, este «presépio» que neste Domingo fotografei, é uma das portas de entrada da Judiaria!
Não sei quantos deputados municipais dessa maioria unânime já puseram os pés na Judiaria (seria engraçado ter esse número), mas votaram convictamente. Pois então, agora façam como eu um acto de contrição e peçam ao nosso executivo que, com algumas sobras do que a crise leva, ponha um pouco de ordem e limpeza no nosso património. E, também que, pelo menos, comece a pensar em algumas soluções de futuro para a Torre da Couraça e para a Igreja da Várzea. É porque senão... senão não vale a pena continuarmos a falar de Turismo.