24 abril, 2014

1974 - 2014 40 ANOS DE LIBERDADE



Já não se trata de festejar Abril. A contragosto de alguns, os mais poderosos, Abril cumpriu-se. Do que se trata agora é de afirmar, como cidadãos, que exigimos ser respeitados, de lembrar aos que governam que o devem fazer a pensar em nós, nunca neles, muito menos nos que lá fora nos impõem uma "solidariedade" paga a peso de ouro. Para isso, este é um bom dia, porque nos recorda, nas palavras de Sofia,

O dia inicial inteiro e limpo
onde emergimos da noite e do silêncio
e livres habitamos a substância do tempo

A todos desejo um bom 25 de de Abril. Um dia da Liberdade alegre e de luta, porque não desistimos do amanhã que nos pertence!

16 abril, 2014

A ALENQUER DOS ANOS 60



A PROPÓSITO DE UMA ENTREVISTA COM ALDO PAVIANI...


A revista "Finisterra", editada pelo Centro de Estudos Geográficos, no seu .º 5 dado à estampa em 1968, trouxe um trabalho assinado por um geógrafo brasileiro, Aldo Paviani, intitulado "Alenquer, aspectos geográficos de uma vila portuguesa".
Sobre Aldo Paviani nada vos direi, ou melhor aconselho-vos que na minha lista de blogues (ao lado) procurem aquele que se intitula "Plano de Reordenamento da Baixa de Alenquer", abram-no e lá encontrarão tudo sobre ele numa oportuna e excelente entrevista que lhe fez o meu jovem amigo Frederico Rogeiro, que tão bem nos anda a ensinar como "olhar" para esta nossa linda vila tão necessitada de carinho.
Só que essa sua entrevista (bem lembrada!), levou-me de volta aos anos 60 da minha juventude e da Alenquer de então, pois como lhe escrevi, o trabalho de Paviani dá-nos conta da Alenquer que o tempo e a mão do homem moldaram, mas, principalmente da Alenquer que ele conheceu em 1967, a Alenquer que havia sofrido as terríveis cheias de Novembro desse mesmo ano. Imprescindível, pois, ler a entrevista do Frederico Rogeiro, a qual, em parte, irá ser publicada no "Nova Verdade", mas que está reproduzida na íntegra no seu blogue aqui citado.


Olhando estes postais de então, certamente diremos: «Não está muito diferente, nos dias de hoje...». Eu direi: «Não sei se está melhor...». Mas há diferenças. Olhem, não há tanta construção e se repararem com atenção, notarão algumas dessas diferenças. Por exemplo, acima, no canto inferior direito, quantos ainda se lembram dos armazéns da FNPT (Federação Nacional de Produtores de Trigo? Havia quem dissesse: "F.... não posso trabalhar", os malcriados, já se vê...). Fizeram-se lá festas e bailes. E a seguir ao mercado: a casa da palmeira onde moraram os meus amigos Alfredo e Luís Ferraz, Reparem ainda na Chemina a laborar e mais adiante o Parque Vaz Monteiro recém-modernizado pelo presidente João Mário. Na Vila Alta, notarão a falta de muitas construções.


Neste outro postal, vê-se ainda melhor o Parque Vaz Monteiro e a Chemina, enquanto à direita as escolas ainda não tinham nascido. Mas, o que é óbvio, é a falta de carros nas avenidas e largos. Sobre a colina, ao fundo, ainda não tinha irrompido na paisagem aquela "jabardice" do Brandão que deveria ser implodida. Ao lado esquerdo, olhando, lá está a velha estância do Correia que haveria de dar lugar ao edifício da CGD e do outro lado da rua Triana, a fábrica/oficina de móveis do Adriano Graça que desapareceu para dar lugar ao novo edifício que ocupa todo aquele espaço. Ao início da Rua dos Guerras nota-se que o prédio do João Mário ainda não havia sido construído.
Meus amigos, esta é uma Alenquer a preto e branco, bonita sem dúvida, mas a preto e branco. Todavia acredito e peço-vos que acreditem também, que haveremos de ter a Alenquer colorida com que sonhamos. Porque quem acredita sempre alcança!

09 março, 2014

QUANDO SPÍNOLA ATACOU O PORTUGAL DE ABRIL

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UM INTERESSANTE DOCUMENTO ENTÃO EMITIDO EM ALENQUER
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Foi há trinta e nove anos!... Os acontecimentos do "11 de Março" são conhecidos, fazem parte da nossa História recente. E em Alenquer? Em Alenquer viveu-se com muita preocupação esse dia, e quando se temeu que algo de grave estava em marcha (e estava), à semelhança do que aconteceu em muitos outros locais ao redor de Lisboa, o PCP que tinha, então, grande poder de mobilização junto das maiores empresas locais, mandou avançar os seus militantes e simpatizantes para o cruzamento do Carregado.
Pretendia-se com isso evitar que eventuais forças contra-revolucionárias atingissem Lisboa, e, por esses anos, era ainda fácil controlar os acessos à capital, tão poucos eles eram. O cruzamento do Carregado era um dos pontos-chave, pelo que, na tarde desse dia, bem depressa ficou sob controle das «Brigadas de Vigilância» como abaixo, no documento reproduzido, Carlos Cordeiro lhes chama.
Nesse tempo ainda aí funcionava o posto da PVT, o que originou que de início o ambiente tivesse chegado a estar quente, pelo que o agente presente no posto decidiu, em boa hora, fechá-lo e partir. Entre os presentes chegou a considerar-se o assalto ao mesmo para ter acesso às comunicações, todavia a sugestão não vingou.
Nas "barricadas" do Carregado estranhava-se a ausência dos camaradas socialistas... Os ponteiros do relógio iam passando e deles nada. Que se passaria? Estariam com dúvidas? Esperavam por uma melhor definição da situação? Mas eis que algo acontece: tarde e más horas os socialistas chegaram e chegaram como quem vem para tomar conta da situação. Saíram dos carros decididos, braçadeiras identificadoras nos braços e ar de quem diz «agora o controle» é nosso. Por acaso conhecia bem quem parecia «comandar» as hostes do PS, o meu amigo Covas, nesses tempos, de Alhandra...
Bom, o que poucos sabiam e os recém-chegados muito menos, é que outro «controle» havia e estava no último andar do velho edifício do cruzamento, o  qual servia de Centro de Trabalho do PC, local donde se dominava na perfeição todo o cruzamento. Aí, uns quantos militantes com boa pontaria não estavam sozinhos (com curiosidade, verifiquei que, com engenho, simples caçadeiras podiam ser adaptadas para disparar bala)... Pelo que cá em baixo, os quadros comunistas, sabedores da situação, iam assistindo ás novas manobras com alguma bonomia e um certo ar divertido. Terminando este quadro, diremos que tudo acabou por correr em ambiente de democrática cooperação em defesa do 25 de Abril.
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- Documento do espólio do Dr. Teófilo Carvalho dos Santos, depositado nos arquivos da Fundação Mário Soares.
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Entretanto, em Alenquer, o Dr. Teófilo Carvalho dos Santos, ao tempo candidato a deputado constituinte, tinha urgência em chegar a Lisboa. Mas como fazê-lo com tantas "barricadas" pelo caminho? O Secretariado do PS local emitiu então este "salvo-conduto", o qual, todavia, poderia ser insuficiente já que havia outras forças políticas no terreno.
Daí a "confirmação" do Partido Comunista, com carimbo e assinada pelo Miranda que era o funcionário local (e acho que "suplente do Comité Central"). No Carregado assisti eu à passagem do Dr. Carvalho dos Santos que foi recebido por todos com grande simpatia e seguiu viagem informado do que o esperava daí para baixo. Sem dúvida um documento interessante que concitou uma rara convergência PS/PCP.


07 março, 2014

ENTRE A HISTÓRIA LOCAL E A FILATELIA...

UM POSTAL DE UM MAÇON ALENQUERENSE
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Este postal que há bem pouco tempo adquiri em França (por correio, já se vê...), está datado de 6 de Junho de 1906 e assinado por Fernando Campeão, de seu nome completo Fernando Campeão dos Santos, que então, ainda jovem, vivia na Rua "dos Muros" (uma alusão à antiga muralha que corria perpendicular à rua), para quem não conhece é a rua que se vê em primeiro plano na Vila Alta.
O jovem Fernando Campeão habitava a enorme casa paterna, sendo seu pai Henrique António Campeão dos Santos, advogado e proprietário da tipografia e papelaria que girava sob o nome comercial de "H. Campeão & C.ª", local onde se editava o jornal Damião de Góis de tendência republicana. Aliás, Fernando Campeão viria a ser proprietário e administrador desse mesmo jornal.
Republicano convicto, Fernando Campeão foi membro da Comissão de Vigilância Republicana de Alenquer (1910) e Vogal da Comissão Municipal Republicana do Concelho de Alenquer entre 1910 e 1913.
Uma outra referência a este alenquerense, diz respeito à sua condição de maçon e consta de um artigo publicado pelo meu amigo Filipe Rogeiro na Nova Verdade de 15/10/2003: «Em 1909 é fundado em Alenquer, por diversos indivíduos, o grémio maçónico Damião de Goes, que fica sob a direcção de João de Avellar. Consigo estavam tantos e tão insignes cidadãos que em Alenquer desempenhavam os mais altos cargos publicos e sociais, que neste Gremio me rodeavam na tarefa de proteger a Humanidade fraternalmente, conforme mais tarde recordará o próprio João de Avellar. Os nomes desses cidadãos não são conhecidos, à excepção do de Fernando Campeão dos Santos».
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Agora, atente-se num pormenor do postal, o selo de 10 réis da emissão D. Carlos: nele o rei está de cabeça para baixo, ou como filatelicamente se diz, na posição de "enforcado". Esta era uma desfeita que os republicanos então praticavam a sua majestade e que facilmente permite identificar a ideologia do remetente. Mas não era a única, por vezes imprimiam sobre a real cabeça um barrete frígio (símbolo republicano), e assim circulava a correspondência.

19 fevereiro, 2014

AS NASCENTES DE ALENQUER

ESTE ANO A LAPA DOS MORCEGOS "REBENTOU"


- A Lapa dos Morcegos num postal do séc. XIX
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Rebentou, que é como quem diz, deitou água. Depois de Invernos bem chovidos, esta gruta situada no vale que se abre frente ao Parque das Tílias, por detrás do parque de estacionamento do restaurante que aí se situa,  torna-se uma copiosa cascata.
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- A Lapa dos Morcegos numa fotografia de Março de 1967
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E quando isso acontece logo a notícia corre pela vila: A Lapa dos Morcegos está a deitar água! Tanto mais porque, em tempos passados, esta ocorrência era comum, sendo nos dias de hoje bastante mais rara. Daí que, tendo ouvido a notícia, logo me deitei ao caminho.
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Ao passar pelas Águas reparei que o rio ia lindo e que uma outra nascente que nele desagua jorrava abundantemente.

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Atravessado o parque de estacionamento do restaurante segue-se um carreiro que bordeja este pequeno regato que vem das alturas da Carapinha e do Barreiro. E, com alguma ginástica e sapatos molhados, logo que percorridos poucos metros, lá está ela, a Lapa dos Morcegos:
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Mas, vejam como ela seria mais bonita se estivesse limpa e não conspurcada com entulho! Vejam também, dado o pitoresco do local, como seria interessante se nos poucos metros a percorrer houvesse uma passadeira sobrelevada que desse acesso fácil ao local. Trata-se de uma pequenina curiosidade geológica... Pois sim. Mas são todos estes pequenos nadas, estes pequenos mimos da natureza, que contribuem para o pitoresco da vila. Logo há que saber aproveitá-los e valorizá-los.
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Os mais antigos ainda se lembram dos "Banhos Velhos" alimentados por estas águas que brotam mornas e já tiveram a fama de medicinais. Situavam-se eles nesse parque de estacionamento atrás mencionado, junto à estrada. Ainda os conheci, mas já em ruínas.

23 dezembro, 2013

A TODOS DESEJO...


UM NATAL FELIZ



E que em 2014 vejam concretizados os vossos melhores desejos!

07 dezembro, 2013

V ANIVERSÁRIO DO "AL AIN KEIR"

COM ALENQUER E POR ALENQUER
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 Faz hoje precisamente cinco anos que aqui publiquei a "mensagem" abaixo transcrita, a primeira desta minha página, através da qual, fundamentalmente, tento levar junto dos interessados, a minha (e nalguns casos, a nossa) vila de Alenquer, a sua beleza e o seu rico passado histórico. Para falar verdade, nunca pensei que esta tentativa de divulgação durasse tanto tempo. Mas durou e acho que, com mais ou menos assiduidade, irei continuar.
Uma página destas só terá alguma valia e interesse se tiver leitores. Sobre esse aspecto não poderei dizer que foi um rotundo sucesso. Mas bastaria que um só leitor houvesse, para me sentir motivado a dar-lhe continuidade.
Assim sendo, para todos quantos por aqui têm passado, vai o meu sincero obrigado pela vossa companhia. Continuemos pois com o nosso "Al Ain keir", neste aniversário com o seu rio, evocando a primeira mensagem aqui publicada no dia 7 de Dezembro de 2008.
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«Nasce nuns regatos ao pé da serra de Montejunto» e em Alenquer «...com os olhos de água, que recebe da fonte [nascente] Perenal, e de outros, que aí se incorporam, engrossa muito a sua corrente; e passando por dentro da Vila vai cortando na mesma direitura de Norte a Sul, algo tanto inclinado ao Sueste.
São as águas deste rio medicinais, porque os seus banhos curam os achaques, que procedem de intemperanças quentes, e os males cutâneos a que chamam do fígado.
Por ser este rio muito vizinho de Lisboa vai muita gente a ele tomar banhos no Estio, e ordinariamente costumam remediar as ditas queixas, ou seja porque a sua água lhes aproveite com a virtude natural, ou por milagre da Rainha Santa Isabel!...
Não tem casas determinadas para os banhos, mas costumam pela borda do rio fazer barracas em que os tomam».
- In Diccionario Geografico do P. Luiz Cardoso - 1747.
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Alenquer estância termal...! Todavia, ainda conheci no sítio das Águas, naquele pequenino vale abaixo da "Lapa dos Morcego", o edifício, já em ruínas, dos Banhos Velhos (Séc. XIX), cujas águas, dizia o Povo, saravam qualquer mal da pele.

20 novembro, 2013

ALENQUER X 8


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MINHA TERRA É LINDA!
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Na Estremadura Litoral, a 40 quilómetros de Lisboa para quem circula pela A1, para o Norte, Alenquer, desculpem-me o orgulho, é uma das mais lindas vilas que Portugal tem. Quando estamos a pouco mais do que um mês do Natal, lembramos a todos os que visitam esta página, que a "Vila Presépio", assim chamada pelo seu monumental Presépio inserido na paisagem, merece uma visita.
Mas não só. Se hoje trazemos aqui Alenquer, "de Cima a Baixo" (título de um espectáculo que por cá se fez, da autoria do saudoso Manuel Gírio), é, também, porque está página se apresta a comemorar o seu 5º aniversário. Cinco anos ao longo dos quais, Alenquer e a sua História foram o tema principal. Fiquem pois com estas imagens de uma Vila que, como nenhuma outra - no dizer do historiador José Hermano Saraiva - esteve no coração de Camões.
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Panorâmica de Alenquer, a "Jerusalém do Ocidente", a "A Vila Meandro", a "Vila Presépio"...
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A "Vila Alta" com as suas ruelas que levam a S. Francisco, primeira casa dos Franciscanos em Portugal (fará em breve 800 anos). Mas também S. Pedro e a capela-túmulo de Damião de Góis e os monumentais Paços do Concelho. Mesmo em frente umas das mais lindas vistas sobre a vila e a esplanada do "Chapéu Alto" dos bons petiscos e ainda melhores vinhos.
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O alto do Castelo e o Bairro da Judiaria inclinando-se sobre o Areal, que já foi importante bairro operário. Visite o "Celeiro Real", hoje Portal da Rota do Vinho da Região de Lisboa. Mesmo ao lado a "Tasca do Areal", do Pedro Moreira, outro jovem empresário a apostar na boa gastronomia e nos vinhos de excelência.
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Passeie junto ao rio, descobrindo nas suas águas límpidas os enormes barbos e os coloridos patos reais. Para uma boa refeição tem o "1º de Janeiro", junto ao Sporting (logo verá o Zé a grelhar o seu peixe de grande qualidade). Mas não só, mais abaixo, junto à Biblioteca encontrará a Casa "Bichezas" também ela de bons grelhados.
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Alenquer espera por si!

02 novembro, 2013

FEZ HÁ DIAS 40 ANOS...

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AS "ELEIÇÕES" LEGISLATIVAS DE 1973 EM ALENQUER
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As eleições legislativas de 1973 constituíram a última farsa eleitoral do regime caído no 25 de 1974, portanto, na vigência da Constituição de 1933. A vencedora, sem surpresas, foi a Acção Nacional Popular que elegeu os 150 deputados com, imagine-se 100% dos votos dos 1.393.294 eleitores inscritos. Isso mesmo, sem um voto nulo ou branco! A CDE, "Comissão Democrática Eleitoral", que reunia a generalidade de opositores aos regime, acabaria por desistir de ir às urnas (já depois de ter feito a sua campanha, não eleitoral, mas de esclarecimento e agitação popular), por considerar que não existiam condições para a realização de eleições livres.
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- Uma "relíquia" desses dias, o meu pin.

Antes de entrar propriamente no assunto, direi que há em Alenquer uma história que está por fazer, a da luta contra a Ditadura. E é pena que assim seja, pois muitos dos principais actores dessa luta difícil, em que para fazer política era preciso uma grande dose de coragem, já desapareceram, pelo que o tempo começa a ser curto para recolher, oralmente, testemunhos importantes. O que escreverei de seguida é, simplesmente, uma evocação (não tem a pretensão de ser "história") a partir do que então me foi dado viver e que me ficou na memória.
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- Edifício da antiga fábrica da Romeira, então propriedade de Adriano Graça, onde decorreram as acções de esclarecimento da CDE.
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Em Alenquer, a campanha de esclarecimento para este acto eleitoral - que para os democratas nem sequer o chegou a ser - ficou marcada por três iniciativas, sendo elas dois comícios e pelo meio uma sessão/ debate, que decorreram num dos edifícios da fábrica da Romeira, então propriedade de Adriano Graça. Nesses actos, participaram alguns candidatos pelo Círculo de Lisboa cuja lista completa reunia os seguintes nomes:

- Alberto Arons de Carvalho
- António Simões de Abreu
- Carlos António de Carvalho
- Dulcínio Caiano Pereira
- Francisco Manuel da Costa Fernandes
- Maria Helena Augusto das Neves
- Herberto de Castro Goulart da Silva
- João Sequeira Branco
- José Joaquim Gonçalves André
- José Manuel Marques do Carmo Mendes Tengarrinha
- Maria Luísa Rodrigues Amorim
- Pedro Amadeu de Albuquerque Santos Coelho
- Vítor Manuel Caetano Dias
- José Maria Roque Lino (substituído pelo suplente Tavares da Cruz)
Suplentes
- Francisco José Cruz Pereira de Moura
- Luís Filipe Lindley Cintra
- Mário Augusto Sottomayor Leal Cardia
- Francisco Manuel Marcelo Curto
- Urbano Tavares Rodrigues
- Gilberto Lindim Ramos
- Francisco de Almeida Salgado Zenha
Fernando Abranches Ferrão
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- Um dos cartazes que não chegou a vir para a rua pois o regime ameaçou aumentar a repressão se ele viesse. Autores dos textos foram José Carlos Ary dos Santos e Ruben de Carvalho.
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- Recorte do "Ecos de Alenquer" jornal local opositor ao regime.
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A primeira sessão/comício teve lugar na Romeira e foi presidida pelo democrata local Manuel António de Matos, tendo sido oradores Manuel Fernandes (de Torres Vedras e então estudante no Técnico, estabelecimento universitário onde a luta contra o regime terá sido das mais acesas), Helena Neves, Arons de Carvalho e José Manuel Tengarrinha.
Com a enorme sala a "rebentar pelas costuras", estimou-se uma assistência de cerca de 400 pessoas. No exterior, o aparato policial era enorme, com a polícia de choque de capacete e espingarda Mauser em punho, fazendo-se transportar em jeeps que nós chamávamos de "rabo comprido". Dirigia-me eu para o local na companhia do meu sogro, quando na ponte de Santa Catarina passou por nós o impressionante comboio policial, o que mereceu dele o sereno comentário: «Parece que hoje vamos ter festa»...
Abriu a sessão Manuel António de Matos afirmando: Estas sessões devem ser mais para aqueles que não vêm do que para quem aqui está. Muitos não aparecem porque ainda existe medo neste país. Manuel Fernandes seria o primeiro orador a usar da palavra, lendo primeiro uma comunicação relativa ao Instituto Superior Técnico que se encontrava encerrado por ordem do seu Director. Citando o jornal "A República" que o "Ecos" transcreveu (1): «Entrando no seu discurso, após referir certas afirmações proferidas em conversas em família e de ter mencionado as lavagens ao cérebro diárias da Emissora Nacional e da R.T.P., o orador abordou todas as manobras de intimidação a que o povo e os candidatos têm estado sujeitos. Terminou com um incitamento pela Paz, pelo Socialismo.
Depois de Helena Santos e de Arons de Carvalho, chegou, enfim, a vez de José Manuel Tengarrinha se dirigir aos presentes, um momento muito ansiado e entusiasticamente aplaudido. Do seu discurso, aqui fica um período do que "A República" publicou: 
O governo tenta criar uma fachada de crescimento económico, mas apenas se trata de negócios do tipo especulativo, afirmou. Por outro lado, o governo tenta perseguir especuladores, apresentando tudo como casos isolados, quando o mal é a estrutura, o regime. Porém, num país subdesenvolvido como o nosso, os lucros dos grandes capitalistas estão ao nível internacional, tudo isso porque têm a colaboração do governo. 
Sempre aclamado pela assistência, o orador falou da perda de ilusões do regime. Basta comparar as listas da ANP agora e em 1969, salientou. Hoje a estrutura do regime está limitada aos seus fiéis e influentes adeptos salazaristas. O regime é cada vez mais vulnerável à discussão. Por isso prefere o monolitismo das listas que apresenta.
Entrando na parte fundamental do seu discurso, o candidato referiu a problemática da guerra». 
A "guerra" (colonial) era matéria tabu e também "deixa" para a Assembleia, principalmente os jovens, levantarem-se e, de punho erguido, gritarem a palavra de ordem «Abaixo a guerra colonial». Assim aconteceu. Geralmente este passo era mal sucedido (por isso ficava para o fim das sessões...), pois a polícia de choque, sempre presente, logo dava por terminado o comício (2). Mas em Alenquer isso não aconteceu. O oficial comandante da força policial ainda esboçou um gesto no sentido de desligar o som, mas foi travado nesse intento pelo nosso Presidente da Câmara, João Mário Oliveira, ali presente, que manteve em sossego os diligentes policiais, pelo que a sessão decorreu até ao fim, mesmo com as tais palavras de ordem proibidas. 
«Sempre aclamado pela assistência, o orador falou da perda de ilusões do regime. Basta comparar as listas da ANP agora e em 1969, salientou. Hoje a estrutura do regime está limitada aos seus fiéis e influentes adeptos salazaristas. O regime é cada vez mais vulnerável à discussão. Por isso prefere o monolitismo das listas que apresenta.
Após prolongados gritos colectivos de vitória e CDE a sessão terminou com o Hino Nacional».
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A campanha em Alenquer ainda teve uma segunda sessão e entre elas um programado debate. Nesse dia era elevado o número de pessoas que esperavam na rua fronteira (com a porta vedada pela polícia armada) pelos oradores que viriam de Lisboa mas nunca chegaram a Alenquer, simplesmente porque haviam sido presos pela polícia política (lembro-me de Blasco Hugo Fernandes como um dos que estava previsto vir a Alenquer). Quando isto se soube, os policiais destacados, foram envolvidos pela pequena multidão que forçou a entrada na sala e repartindo-se pelo primeiro andar e pelo rés-do-chão, onde, respectivamente, Teófilo Carvalho de Santos e Manuel António de Matos, assumiram a direcção das reuniões. Desse acontecimento recordo, particularmente, a forma entusiástica como Manuel António de Matos abriu a sessão, gritando: «Amigos, o medo morreu!» A sala levantou-se em ovação e o medo morreu mesmo. Também foi assim que, em tempos de ditadura, se conquistou o direito à reunião, hoje uma coisa tão comezinha...

(1) - Há uma pequenina história por detrás desta transcrição do "A República": Foi-me pedido em reunião de redacção que fizesse a reportagem, uma vez que lá estaria. Só que eu andava «complexado» com a Censura, achava que tinha sido tomado de ponta e que ela me cortava tudo. Não era uma questão de medo, mas aquilo era uma despesa para o nosso bom e saudoso amigo Ricardo, o dono do jornal, sendo também um desperdício de tempo e trabalho, todos aqueles "bacalhaus" (provas) traçados a azul... Vai daí lembrei-me de um expediente: escrevi a introdução acima e transcrevi o resto do "A República", porque aí já eles não iam cortar (pensava eu...), uma vez que o texto já havia passado por lá...  Errado. Então não é que cortaram mesmo!? Houve períodos que o "A República" publicou mas que a Censura já não deixou que fossem publicados no "Ecos de Alenquer". Grandes tempos aqueles. E ainda há quem tenha saudades...

(2) - Assim aconteceu, por exemplo, em Vila Franca de Xira, na sessão que decorreu no já desaparecido Cine-Teatro (no local hoje ocupado pelo Centro Comercial) onde estive na companhia de alguns antigos companheiros de trabalho nessa cidade. Aí a repressão foi feroz, com a polícia actuando às ordens do então vice-presidente da Câmara, um senhor professor de má memória.

01 novembro, 2013

MARCOFILIA ALENQUERENSE

UMA MARCA DE SERVIÇO DOS ANOS 50
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Em 1944 os carimbos de serviço dos CTT passaram a exibir o esqueleto que abaixo se apresenta com os dizeres CTT ao alto, o datador ao centro entre duas cruzinhas e o nome da estação em baixo. Em 1979, mantendo o mesmo esqueleto, o nome da estação passou a ser inscrito ao alto, CTT no meio círculo superior e em baixo o código postal.
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Daí ser interessante que, nos anos 50, a estação de Alenquer tenha tido ao seu serviço o carimbo exibido no postal: Os dois semicírculos abertos na base e, ao alto a sigla CTT aparentemente sem pontos.

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E do coleccionamento destas pequenas curiosidades se faz a "Marcofilia", neste caso, aquela que praticamos, especializada nas marcas postais de Alenquer. Como bónus, no verso, uma imagem da avenida Jaime Ferreira... sem carros. Tinha outra beleza, não tinha?
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12 outubro, 2013

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS - CONCLUSÃO

Céu cinzento e tristonho de um Outono a pedir chuva... Assim está o dia hoje, e, talvez por isso, aqui fica a minha despedida do Verão, um Verão quente mas de férias curtas, porque obrigações houve que se sobrepuseram ao lazer.
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MANTEIGAS - A SERRA E O RIO
- Vila de Manteigas, "encaixada" na cadeia montanhosa da Serra da Estrela.
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Manteigas é um pequeno concelho do Distrito da Guarda. O seu território de 125 Km2, acolhe 3.420 habitantes  dispersos por 4 freguesias: as urbanas de S. Pedro e Santa Maria e com cerca de 3.000, os restantes nas de Sameiro (343) e Vale de Amoreira (223).
Chega-se a Manteigas, a partir da A-23, tomando a Nacional 232, precisamente por Vale de Amoreira e Sameiro, passando, antes, junto a Belmonte e à praia fluvial de Valhelhas. O concelho de Manteigas confronta a noroeste com o de Gouveia (vila que fica do outro lado da Serra), a leste com o da Guarda, a sueste com o da Covilhã e a oeste com o de Seia.
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- Vista parcial de Manteigas. À esquerda o edifício dos Paços do Concelho.
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A partir de Manteigas pode-se subir à Serra alcançando as Penhas da Saúde, ou então desfrutar da magnífica paisagem do Vale Glaciar do Rio Zêzere.
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- O Vale Glaciar do Zêzere por detrás das curvas da Serra.
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Para banhos ou simples lazer, a Praia Fluvial de Relva, a meros cinco quilómetros de Manteigas, é o local indicado: bom relvado para estender a toalha, sombras acolhedoras, bom apoio de praia, ares saudáveis e um silêncio reconfortante para quem já se habituou ao barulho de fundo (de fundo porque já não damos por ele...) da cidade.
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- Junto à praia fluvial de Relva a maior pista sintética de ski da Europa.
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- Parque de lazer junto ao Rio Zêzere na Praia de Relva - Sameiro
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- Praia fluvial de Relva com as suas águas límpidas. Deu para bater umas braçadas...
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- Praia fluvial de Relva com o seu relvado tílias e cerejeiras bravas - Bar e instalações de apoio.
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- Mergulhar na praia fluvial de Relva é dar também um "mergulho" na natureza.
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As excelentes instalações do INATEL em Vila Ruiva, concelho de Fornos de Algodres (perto de Gouveia e de Linhares da Beira), constituem uma boa "base" para quem procura férias junto à grande Serra (boas instalações, excelente cozinha, serviço simpático, local aprazível e sossegado). Em Manteigas e em Linhares da Beira (aqui sem restaurante), também é possível encontrar unidades hoteleiras do INATEL de excelente qualidade. E há que ter em atenção as promoções que esta instituição pratica!
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- Instalações do INATEL em Vila Ruiva - Fornos de Algodres.

05 outubro, 2013

INVASÕES FRANCESAS

ALENQUER APÓS A RETIRADA DOS FRANCESES 
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- Massena em retirada (Gravura da Biblioteca Nacional).
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Recolhidas as tropas aliadas às Linhas de Torres, são estas alcançadas por Massena no dia 12 de Outubro de 1810. É então que este marechal fixa quartel-general em Alenquer, enquanto o seu oitavo corpo avançava quanto podia em direcção ao Sobral, o sexto alojava a 1.ª Divisão em Vila Nova da Rainha e a 2.ª em Ota, localidade onde o Marechal Ney que a comandava estabeleceu QG. A 3.ª, por sua vez, instalou-se no Moinho do Cubo, fixando-se o segundo corpo de exército à direita do Carregado.
Como refere Guilherme Henriques no seu "A Vila de Alenquer", «em fins de outubro aí esteve o Intendente Geral Lambert e talvez Alenquer tivesse sofrido menos «pelo facto de Massena ter aqui os seus doentes em tratamento enquanto não retirou para o norte (...)».
Mas, muito em breve Massena assumiria que as Linhas eram, de facto, intransponíveis, daí que tivesse retirado o seu exército para Santarém, Leiria e Rio Maior, saindo de Alenquer a 12 de Novembro. Com a saída dos franceses, avançaram e instalaram-se na nossa vila as tropas aliadas. Ainda segundo Henriques «No dia 15 daquele mês a Divisão Ligeira [seria a Leal Legião Lusitana?]  do exército defensor chegou a Alenquer, espiando os movimentos do inimigo, e tendo verificado que estes tinham por destino Santarém, a vila foi ocupada pela Quinta Brigada sob o comando do brigadeiro inglês Campbell.».
Feita esta introdução, apresentemos, pois o documento abaixo:
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- Ofício do Vigário da Vara de Alenquer a D. Miguel Pereira Forjaz (PT AHM-DIV- 1-14-169-09).

«Ilmº, Exmº, Sr. D. Miguel Pereira Forjaz

Achando-se já na vila de Alenquer e suas vizinhanças várias famílias (1)  insta o meu dever, e o Ex.mº e Rev.mª Patriarca eleito exige que eu passe àquela vila para restabelecer o culto público da nossa Religião e acudir com o Pasto Espiritual a estes Povos. E como a minha residência e a do meu cura e todas as Igrejas se acham servindo de Quartel às Tropas combinadas de que são chefes Campbell (2) e o Barão de Eber, pretendo que V. Ex.ª se digne rogar àqueles que removam os Quartéis das residências referidas e igualmente de uma das cinco igrejas que eu escolher como mais decente
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- Gravura oitocentista da Igreja da Várzea mostrando-a muito arruinada.

   para o Santo Ministério Pastoral e que as mesmas tropas não obstem ao exercício das funções ministeriais (...) .
Esta é a graça que suplico a V. Ex.ª por serviço de S.A.R. como protector da Igreja.
Vigário da Vara d'Alenquer - João Teixeira de Azevedo Monterroso.

Num segundo ofício o mesmo clérigo dá conhecimento a D. Miguel Pereira Forjaz que havia regressado a Alenquer e havia sido bem atendido pelos supra citados chefes militares.

(1) - Os franceses haviam saído de Alenquer a 12 de Novembro de 1810 e um mês depois já havia notícia que muitos alenquerenses haviam regressado à vila e às suas casas. Parece que houve mais assaltos e destruições, inclusive a edifícios administrativos e cartórios religiosos, neste período do que no anterior em que se deu a ocupação francesa.
(2) - O brigadeiro inglês Campbell que comandava a Quinta Brigada (Infantaria 6 e 18 e Caçadores).
(3) - Barão de Eber - No Buçaco comandou um Batalhão a 5 companhias da Leal Legião Portuguesa.

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- Soldado da Leal Legião Portuguesa
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A Leal Legião Lusitana foi criada em Inglaterra (Plymouth) por iniciativa de dois coronéis portugueses: José Maria de Moura e Carlos Frederico Lecor. O grosso desta formação, organizada como um Regimento a dois Batalhões reforçado com uma bateria de Artilharia, era um corpo de voluntários composto por exilados portugueses mas também por britânicos - o seu comandante foi o Coronel Sir Norbert Wilson - 26 suíços, 63 alemães e 15 piemonteses desertores das tropas napoleónicas.
A LLL, afinal Regimento de Infantaria Ligeira, desembarcou no Porto em 1808 e combateu em Portugal e Espanha, após o que se integrou no Exército Português (1811).
Uma vez que o Barão de Eber foi um dos seus comandantes e estando ele em Alenquer conforme o documento acima, é bem possível que a Leal Legião Lusitana também aqui tivesse estado, talvez integrada na tal Divisão Ligeira que veio no encalço  dos franceses quando estes retiraram. 
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- Igreja e Arcadas do Espírito Santo, como deviam ser à época.