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08 agosto, 2009

ALENQUER - EVOCANDO OUTROS VERÕES

O sítio das Águas, pela sua beleza à beira-rio e pela frescura das águas que perenemente brotavam das suas nascentes, foi desde sempre utilizado pelos alenquerenses como zona de lazer e descanso. Ainda hoje o é, muito embora as nascentes estejam há muito encanadas para Lisboa ( crime de lesa-terra praticado pelo Machado, então presidente da Câmara, e nunca perdoado pelos conterrâneos mais idosos ) e o Parque das Tílias aguarde, eternamente, requalificação ( jargão do vocabulário camarária ). O arranjo deste Parque é, porventura, a obra há mais tempo por aqui falada e também, por isso mesmo, há mais tempo esquecida.
Nos anos cinquenta, quando ainda vestia calções, lembro-nos de assistir a verbenas organizadas, salvo erro pelo Sporting local, no terreno onde depois foram edificados os lavadouros públicos hoje adaptados a tanatório. Também por aí teve o Sporting o seu campo de basquetebol, modalidade onde alcançou, nos anos 30/40 notável sucesso. Se agora relembro estes factos, é para arriscar, com alguma probabilidade de sucesso, o palpite de ter sido este o local onde nos finais do século XIX, se realizaram notáveis verbenas, aí e no espaço onde se situa o jardim.
Particularmente, evocarei hoje a que se realizou no ano de 1893 em benefício da Caixa Económica Operária Alenquerense recém-criada. Referindo-se a essa iniciativa estival, noticiou «O Alemquerense»:
«Este ano atentos os planos, será mais brilhante e de mais belo efeito que a do ano passado. Pensa-se em construir grande número de barracas, elegantes e de bom gosto, segundo o desenho do sr. Manuel Viana (...) As duas filrmónicas da vila tocarão aos domingos, e parece que a fanfarra 1.º de Maio, de Vila Franca de Xira, também virá abrilhantar esta festa. A iluminação à moda do Minho e à Veneziana será de grande efeito. Pensa-se também organizar um torneio à antiga portuguesa».
Depois, no seu número publicado no dia 2 de Junho, o mesmo jornal noticiou a inauguração da «Kermesse nas Águas», nestes termos:
«Eram 5 horas da tarde quando se abriu a kermesse com a chegada da filarmónica Operária e pouco depois a filarmónica União dava também entrada no recinto. A concorrência do povo ainda era diminuta.
Ao pôr do sol é que começou a afluir grande quantidade de povo, de volta da festa de Meca, chegando a haver dentro do recinto mais de 900 pessoas.
As barracas, desenho do sr. Viana que gostosamente tomou a direcção dos trabalhos, são de construção simples mas elegante, sobressaindo a barraca do bazar que é linda e revela um bom gosto da parte do artista que a delineou (...) O interior da barraca é forrado de panos de diversas cores, assim como o tecto que é todo em gomos simetricamente dispostos, que dão um tom alegre à barraca.
Os coretos são altos, cobertos de motano [rama de pinheiro] e destoam do estilo da construção das barracas, pois são feitos com pinheiros toscos, havendo no espaço que medeia entre eles um cercle para as crianças dançarem.
Atravessando a ponte que há num lado do recinto fica o restaurant que se está concluindo.
A iluminação não deu o efeito que se esperava apesar da grande quantidade de lumes(...).
O barco pouco ou nada fez por causa da brisa que havia, temendo-se de alguma constipação os habitués daquele divertimento, que é sem dúvida o mais agradável por uma noite de calma, navegar rio acima até à Redonda ou Barnabé, ouvindo ao longe os sons deliciosos das músicas; e quando regressamos, ao passar a ponte, ver de chofre as luzes reflectirem-se nas águas, serpeando, torcendo-se em caprichosos zigues-zagues, e por entre os eucaliptos e plátanos perpassando gentis vultos femininos envoltos em garridas toilettes, pondo uma nota alegre no meio da multidão que se agita, que ondula... Lindo!».
O barco de que aqui se fala chamava-se Pero de Alenquer, podia transportar uma dúzia de passageiros e havia sido trazido para a vila um ano antes, quando de um evento semelhante.
Voltaremos a esta kermesse e a este Verão de 1893 ...

07 dezembro, 2008

ECOS DO PASSADO - O RIO ALENQUER EM MEADOS DO SÉC.XVIII

"Nasce nuns regatos ao pé da serra de Montejunto" e em Alenquer "...com os olhos de água, que recebe da fonte [nascente] Perenal, e de outros, que aí se incorporam, engrossa muito a sua corrente; e passando por dentro da Vila vai cortando na mesma direitura de Norte a Sul, algo tanto inclinado ao Sueste.
São as águas deste rio medicinais, porque os seus banhos curam os achaques, que procedem de intemperanças quentes, e os males cutâneos a que chamam do fígado.
Por ser este rio muito vizinho de Lisboa vai muita gente a ele tomar banhos no Estio, e ordinariamente costumam remediar as ditas queixas, ou seja porque a sua água lhes aproveite com a virtude natural, ou por milagre da Rainha Santa Isabel!...
Não tem casas determinadas para os banhos, mas costumam pela borda do rio fazer barracas em que os tomam.".
- In Diccionario Geografico do P. Luiz Cardoso - 1747
Alenquer estância termal...! Todavia, ainda conheci no sítio das Águas, naquele vale abaixo da "Lapa dos Morcegos" ( se a memória não me engana, quanto à sua localização ) o edifício, já em ruínas", dos Banhos Velhos (Séc. XIX), cujas águas, dizia o Povo, saravam qualquer mal da pele.