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21 julho, 2012

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS - III

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Monte de Santa Tecla  visto de Portugal, da Praia do Moledo.
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MONTE DE SANTA TECLA, DE GUARDA À FOZ DO MINHO
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Quem, passeando junto ao Rio Minho, de Cerveira a Caminha, não o viu já, elevando-se majestoso do lado de lá da Galiza? Pois olhem que vale a pena atravessar a ponte em Vila Nova de Cerveira, fazer alguns, poucos, quilómetros até A Guarda e, aí, num cruzamento a meio da cidade, seguir a direcção indicada pela placa que aponta Santa Trega (Santa Tecla).
Disponham-se então a galgar  as alturas deste monte cuja cota se eleva a 360 metros, mas, antes de atingirem o seu ponto mais alto, duas paragens obrigatórias: uma na portagem onde uma simpática guarda vos cobrará um euro por visitante, outra no castro ou citânia.
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Neste castro em parte colocado a descoberto, terá vivido, entre o séc. I AC e o séc. I DC uma população que terá atingido o elevado número de 3.000 habitantes. Mas, com a romanização da Galícia e com as reformas administrativas por ela introduzidas, veio pouco a pouco a perder importância, até ao seu total abandono, isto com picos de ocupação.
O sítio já era conhecido ao longo do séc. XIX, aí se registando, por várias ocasiões, achados que faziam supor a importância do mesmo para a arqueologia. Contudo, só em 1912 seria constituída uma Sociedade Pró-Monte de Santa Tecla a qual encarregaria Ignácio Calvo Rodrigues de conduzir uma primeira campanha arqueológica que decorreu de 1914 a 1923. A esta outras se seguiriam, a última de 1983 a 1988, após um longo período de abandono entre 1933 e 1979, sendo que este assunto ainda não está encerrado, pois Santa Tecla terá muito mais para oferecer aos estudiosos.

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Do alto do Monte de Santa Tecla as vistas são amplas e magnificas. Para Sul avista-se a foz do Minho, a mata do Camarido e a praia do Moledo:


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Para Este é todo o vale do Minho que se oferece com a vila de Caminha em evidência:


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Para Norte vê-se, em primeiro plano o porto de A Guarda, seguindo-se a costa que liga a Baiona:


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Mesmo no alto do monte, onde encontrará excelentes condições de estacionamento (a subida também é boa e não arrepia), poderá visitar um interessante Museu (entrada gratuita) ou beber uma amarelinha no bar/café do hotel que também aí existe a par de sanitários públicos e inúmeras tendas de recuerdos.
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16 julho, 2012

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS - II

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NOTÍCIA DE OIA ou COMO UM PEDAÇO DE COSTA QUE SE ME AFIGURAVA COMO DESINTERESSANTE O DEIXOU DE SER
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Sempre fui da opinião que os bons segredos devem ser partilhados... até que deixem de o ser. Por isso, hoje, vou falar-vos da Oia: Como lá cheguei, o que me encantou e o que ela me ofereceu.
Amante da Galiza como sou, sempre passei apressado por aquele pedaço de território junto à fronteira que tinha por desinteressante e aborrecido. Mas, pensando melhor, por lá se situava uma cidade/praia chamada Baiona ou uma estância termal denominada Mondariz, terras que tinha que conhecer ou o mapa da Galiza ficaria para sempre incompleto...
Atravessando a fronteira (que, na realidade, já o foi...) em Vila Nova de Cerveira pela nova ponte, dirigi-me A Guarda que percorri em toda a sua extensão sem perder tempo, tomando aí a estrada para Baiona, trinta e tal quilómetros de costa que não me diziam nada... 
Erro meu. A costa é bonita, a estrada costeira óptima no seu correr entre a montanha (quase a pique) e o mar e motivos de interesse não faltam. Gostei da paisagem e admirei,com uma pontinha de inveja, vá lá, a nova ciclovia que em toda a sua extensão a acompanha (falta, ainda, um outro pequeno troço) interrompida aqui e ali por áreas de lazer e miradouros sobre o mar, servidos por bons parques de estacionamento e seguras rotundas.
E foi assim até chegar a Oia, pequenino concelho com a sua característica aldeia piscatória aninhada à sombra de um imponente Mosteiro. Tinha que descer ao encontro no monumento...
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Reza a história que o Mosteiro de Santa Maria Oia foi fundado no século XII pelo Rei Afonso VII que lhe concedeu os primeiros privilégios. Teria sido seu construtor (arquitecto e mestre de obras) um monge francês chamado Bernardo (daí a as semelhanças com a igreja francesa de Fontenay) que deu por prontas as obras do mosteiro e da igreja em 1231. Aí se acolheram, primeiro sob o hábito de S. Bento e depois do de Císter, três comunidades de religiosos: a de São Cosme e São Damião de Bahiña (Baiona), a de San Mamede de Loureza (Oia) e a Santa Maria de Oia, sob a autoridade de D. Pedro Laiciense.
Teria sido pacifica a vida destes monges até 1820 e ao advento das ideias liberais. A 2 de Dezembro desse ano os seus ocupantes foram expulsos, regressando em 1823 quando Fernando VII aboliu a Constituição, mas, em 1835, com a Lei de Desamortização de Mendizabál, estes mosteiro cisterciense fechou de vez, tendo sido D. Angel Amores o seu último abade.
A partir de então conheceu muitos proprietários e ocupantes, alguns bem curiosos, como um grupo de jesuítas portugueses expulsos em 1910 de Portugal com a República, que o alugaram, permanecendo nesta ordem até 1932, quando os bens da Companhia de Jesus foram expropriados. Em 1936, com a Guerra Civil chegou a albergar cerca de 1.000 prisioneiros. Volta, desde então, a conhecer vários proprietários, sendo hoje da Vasco Gallega de Consignaciones que o adquiriu em 2004. 
Como é comum a estes patrimónios que atravessaram séculos, também o Mosteiro de Oia conheceu obras que lhe acrescentaram arte e valor, neste caso, as mais importantes nos séculos XVI e XVII.
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Frente ao Mosteiro, situa-se um pequenino porto, o qual como tivemos oportunidade de verificar, acolhe algumas embarcações vocacionadas para a pesca do polvo (o saboroso pulpo) como o indiciou as artes embarcadas e como o proporciona uma vasta costa muito rochosa.
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Alcandorada sobre o pitoresco portinho, fica a casa "A Camboa", que se anuncia taperia mas, na realidade, é muito mais do que isso, servindo em churrasco as boas carnes galegas, o "pulpo à feira" (esse não me escapou..), os mariscos - desde os mais evidentes como os mexilhões "ao vapor" (deliciosos) até aos esquivos percebes, tudo com uma multiplicidade de vegetais da terra onde, como não poderia deixar de ser, avultam os bons pimentos de Padrón ou os grelos. 
E, a propósito, afirmo-vos que não é tão depressa que esqueço aquele "Revuelto (omelete) de grelos e gambas" mais que generoso quanto às últimas. Um autêntico tratado de bem fazer que transformou um prato banal num monumento da culinária. Se me perguntarem pela "conta", direi que é bastante suportável, mesmo para um português. Casa honesta, bem situada, boa para qualquer refeição ou petisco. Experimentem e depois digam-me. Na verdade, até apetece dizer: Oia que coisa tão boa...
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