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12 agosto, 2011

MÁS NOTÍCIAS AO «PEQUENO ALMOÇO»...

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E A "DESPESA" SENHOR PRIMEIRO-MINISTRO, E A "DESPESA"?
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Conforme havia prometido, lá veio o Gaspar (esse grande disciplinador de jornalistas) assombrar «este querido mês de Agosto» com novas medidas anti-crise. As que havia prometido? Uma «lipo-aspiração» à «gordura» estatal? Não!!! Mais aumentos de impostos! Desta vez mais um encontrão no IVA que incide sobre dois bens essenciais, a electricidade e o gás.
Por onde andarão esses super-economistas que nas televisões animavam mesas redondas, quadradas, rectangulares, ortorrômbicas, proclamando que não havia mais margem para aumentos de impostos? Por onde andarão esses políticos de obra feita que apontavam a dedo os aumentos de impostos, tentando convencer os portugueses que assim era fácil governar, difícil e necessário era cortar na «Despesa»?
De férias, penso eu... Enchendo esses areais ao lado de todos quantos mandaram intervalar a crise, porque o Sol quando nasce é para todos, até para os «enrascados» nacionais que por estes dias percorrem o «rectângulo» de festival em festival. Dizia-me um amigo meu gaguejando perante as imagens que chegavam dos distúrbios em Inglaterra: « Estes ingleses são uns tótós... quando vier o Verão façam festivais. Façam festivais e vão ver como essa gentalha fica quieta e sossegada. Pelo menos um Verão sem sobressaltos, ninguém lhes tira». Naturalmente... digo eu.
Mas, este ir ao bolso dos portugueses, faz-se sempre acompanhar por uma justificação que nada justifica mas moraliza muito os «assaltantes»: «Estamos a pagar as malfeitorias do Sócrates». Pois é. No tempo do Sócrates não havia crise, só havia má governação... Ela, a crise, começou, justamente, naquele dia de festa, quando no Palácio da Ajuda este Governo tomou posse e houve beija-mão.
Em tempos, quando ainda não havia percebido a importância da vida, de toda e qualquer vida, seja ela animal ou vegetal, cheguei a gostar de ir às touradas. E olhem que já percebia um pouco daquilo... Porém, havia uma coisa com que sempre embirrava no toureio a pé: Era quando aqueles diestros pouco dados ao trabalho, delegavam nos seus peões de brega boa parte dos quites: Era preciso bandarilhar? Vai lá tu ó Manel. Era preciso uns capotazos? Vai lá tu ó Jaquim, que eu só estou aqui para uns trincheirazos ou uns derechazos, arte superior, já se vê... É! Estou a falar do «PêPê Coelho». O homem é bom nas cortesias, mas que raio, não se arrima às broncas. Para as coisas antipáticas manda sempre os Ministros ou Secretários de Estado. Preserva mais a sua imagem, do que os egípcios a múmia do Tut Ankh Amon.
E tanto que eu gostava de lhe ver a cara anunciando aos portugueses aquilo que, ainda há dias, lhes garantia que não faria: aumentar os Impostos! Mas «o Povo é sereno! É sereno...», já lá dizia o Almirante. E com um Sol destes quem é que está cá para se preocupar com os Impostos?

16 julho, 2011

AO MURRO E AO PONTAPÉ...

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TAMBÉM TU OBAMA?
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Na ocidental praia lusitana um náufrago luta desesperadamente por se manter à tona de água, e, sempre que parece estar a conseguir fazê-lo, vem alguém e zás, empurra-o de novo para baixo, que é onde deve estar o «lixo».
Primeiro foi o «murro no estômago», logo após a enunciação das medidas salvadoras (facada no 13º incluída). Depois foi o «pontapé nos tintins» logo após o atestado de boa saúde passado aos nossos bancos pouco stressados. E, como se as malfeitorias da Moody's não chegassem, veio o amigo (de Peniche) Obama lembrar ao mundo que os Estados Unidos eram pessoa de bem, nada comparável a esses moinantes gregos e portugueses.
Apunhalados, assim, na escadaria do nosso «domum» de vaidades, só nos apetece exclamar: «Também tu Obama?». Dizia-me um amigo descoroçoado com a venenosa frase presidencial: «Logo este gajo que nos saiu tão caro da última vez que por aqui passou...». Deixa lá Manel, para a próxima partimos-lhe uma perna com um desses «chaimites» anti-arruaceiros, daqueles que chegaram tarde, mas ainda podem vir a dar muito jeito!
Entretanto as medidas ditas salvadoras vão aparecendo, pelo lado da «Receita», já se vê, porque o «corte da gordura» estatal exige outra maturação... E, afinal, esta ida ao bolso dos parvos do costume, é inteiramente justificável face a uma «previsão macroeconómica» marcada por «taxas de incerteza invulgares». Por acaso isto dito assim tem a sua piada, porque no tempo do Sócrates dizia-se que andava tudo a dormir, o Banco de Portugal, o Primeiro Ministro, Ministros... Também não havia «crise internacional», o Presidente da República, pelo menos, nunca deu por ela, por isso passava-lhe sempre ao lado para espetar o dedo na socrática incompetência...
Mas, enquanto este período de «estado de desgraça» se vai esgotando, sempre há alguém que nos vai fazendo rir contando-nos histórias engraçadas, como aquela do apagar dos «condicionados» no Ministério da Cristas, por troca com os colarinhos esgarguelados. Pois é, meus amigos agricultores de secretária, o melhor é porem-se de bem com um polar quentinho, ou um casacão de pêlo de camelo, porque, ao que tudo indica, o próximo inverno promete ser muito frio, aí para os lados do Terreiro do Paço.
- A secular «Bordalo Pinheiro» das Caldas da Rainha, vai lançar um «Zé Povinho» de «manguito» feito à Moody's. Boa! A isto chama-se cavalgar a crise. Por lá passarei para comprar um, mas, já agora porque não darem início a uma colecção. Por exemplo, um «manguito» ao Obama, outro ao Gaspar, e o mais que se verá, porque a colecção promete ser longa e variada.


08 julho, 2011

Na minha rua não entram eles...

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Baa2

Ba2 (!!!)

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ESSES MALANDROS DA MOODY'S!
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À hora a que escrevo e publico este post, um estremecimento patriótico tomou conta do País: No batustão da Madeira, o soba-mór, que por acaso (?) é de más contas públicas, arrotou para o ar e  fez a ilha levitar uns metros acima do nível do mar, ao proclamar um «aqui não entram mais!». Do Porto a Sintra, o poder autárquico tomou idêntica atitude, enquanto o Povão, a toque de caixa das televisões, se apresta para mais uma vez enfrentar esse produto sucedâneo do da velha Albion que, para lá do Atlântico, herdou a sua arrogância e mau feitio.
Como poderia eu, pois, ficar indiferente a esta onda de patriotismo? Vim à varanda do meu descontentamento e gritei: «Porque não se metem vocês com os belgas que são do nosso «tamanho» e têm mais dívida externa do que nós?». Claro que só pode ser por inveja do nosso Sol... Pois então que se toque «A Portuguesa» e se avance ordenadamente contra os bretões, como manda a sua letra original!
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Estamos em 1890 e a nossa Alenquer vibra de patriotismo e de indignação (como qualquer outra vila portuguesa, já se vê) face ao «Ultimato Inglês».
Ora acontece que, ali para as «Águas», na Companhia de Fiação e Tecidos que empregava mais de 500 operários, o mestre e contra-mestres eram nem mais, nem menos, ingleses (ou seja, a personificação do diabo!). Estava o baile armado:
«Cá em Alenquer, não corre o tempo muito fresco para os nossos fiéis aliados. Quinta-feira um inglês, empregado da fábrica da Companhia de Fiação e Tecidos, deu uma bofetada num operário português da mesma fábrica, que não quis desforçar-se imediatamente pelo receio de ser demitido do seu cargo. Um outro operário português, indignado com a petulância do beef, que se julgava talvez lá pelas alturas do Chire, esperou-o à porta da fábrica e tosou-o valentemente. Claro é que todos os operários viram com prazer e com disposição para qualquer eventualidade, a carga dada no inglês, o que não sucedeu a cinco ou seis operários ingleses que deram "ás da Vila-Diogo" logo que viram o princípio da festa. Abençoada tareia». (Damião de Góis, n.º235(29 de Junho de 1890), p.2).
Abreviando e resumindo: Muitos encontrões, greves e movimentações depois, os técnicos ingleses foram corridos da fábrica de Alenquer, à excepção de um que chefiava uma secção de fabrico importante e para o qual não havia substituto.
Mas, quem consultar os jornais locais de então, acabará por perceber que o Ultimatum foi só um pretexto, pois o verdadeiro motivo foi outro: Os famigerados ingleses, para aumentar a produtividade, haviam tido o desaforo de implementar métodos e uma disciplina importados da sua ilha que duzentos anos atrás havia dado início á Revolução industrial: Um sistema manual de relógio de ponto, o recebimento da féria semanal na sua bancada de trabalho, dentro de uma caixa individual de folha, a troco de uma manhã na fila frente ao tesoureiro, etc., etc. e, escândalo dos escândalos:
«o mestre não queria que os operários fumassem ou conversassem (...) quem fosse mais de uma vez num terço de dia à retrete, era multado e por fim despedido, embora fosse lá fumar como se impunha aos operários» (O Alenquerense, n.º 293, (6 de Agosto de 1891, p.1).
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Voltando à Moody's e de cabeça fresca. A culpa é da Agência de notação ou foi o País que «se pôs a jeito»? Oiço e leio tanto sobre isto, mas não me recordo de ter ouvido as razões que assistem à Agência. Vamos, pois, a uma breve consulta ao site da Moody's (difícil porque eu o inglês andamos sempre às avessas, sempre fui mais do Latim):
1 - Os planos do Governo podem ser difíceis de implementar na íntegra em sectores como a saúde, as empresas públicas, governos regionais e poder local - Diz a Agência... Hum... Bem avisados andam em desconfiar dessa gente. Ver para crer...
2 - Gerar receitas fiscais adicionais, em combinação com o atrás dito, pode comprometer a redução do déficite. - Naturalmente...
3 - O crescimento da Economia pode vir a ser mais fraco do que o esperado, comprometendo a redução do déficite. As previsões de crescimento foram revistas em baixa após assinatura do empréstimo com a troika. - Também por cá há quem pense o mesmo...
4 - Existe a possibilidade, não negligenciável, do sector bancário vir a exigir apoio além do que é actualmente previsto no acordo com a troika. - Para mim, é uma «desconfiança certa»...
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Pois é, estamos lixados e a culpa não é dos ingleses, americanos e quejandos. Mas que diabo, bem podiam ter esperado um pouco... E que tal se em vez da Moody's, mandássemos mas era o Euro e esta Europa incapaz à fava? Naturalmente, na medida em que ela já não está connosco, lá terá que ser... Ah! Mas para criarmos riqueza há muito trabalho de casa por fazer, muita charutada para dar nos privilégios, roubos e desmandos. E, já agora, saibamos que eles não se metem com os belgas, porque esses criam muito mais riqueza do que nós, logo terão muitos mais meios para cumprirem com a sua dívida.



12 dezembro, 2010

AS PALAVRAS CERTAS EM TEMPO INCERTO

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QUE TERRÍVEL TEMPO ESTE...
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São de José Manuel dos Santos e foram publicadas na sua crónica intitulada «Miséria», revista "Actual" do jornal Expresso, de 11 de Dezembro, as palavras que de seguida transcrevo e perante as quais me curvo respeitosamente em face da sua qualidade, fazendo-as minhas, esperando que o autor me desculpe o atrevimento:
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Que terrível tempo este, a que somos obrigados a chamar nosso! Sobre este tempo e os seus males, sobre estes dias e os seus medos, as vozes erguem-se para proclamar o óbvio e baixam-se para murmurar o absurdo. As palavras levantam-se para afirmar o injusto e caem para gaguejar o inútil. Lemos o que escrevem sobre esta crise e reparamos que a sua escrita está sempre do lado da morte. A monstruosidade quer mais monstruosidade e a avidez exige mais avidez. Todos apontam o dedo a todos, todos desviam o olhar de todos, mas todos se fazem com todos. Os culpados de ontem são os inocentes de hoje e os inocentes de hoje serão os culpados de amanhã. Como o ladrão que grita "Agarra que é ladrão!", todos acusam os outros de terem feito o que eles fazem. Todos cheios de virtudes. Todos cheios de valores. Todos cheios de verdades.(...)
O pior é ouvir os que são réus a falarem como juízes. Ouvir dizer o horror com alegria sádica ("É preciso acabar com o Estado providência"). Ouvir dizer a esperança com tristeza masoquista ("É preciso mudar de vida"). Ouvir dizer a palavra 'mercados' como se a rezassem. Os que ajoelhavam perante os ameaçados donos de hoje erguem-se agora para os insultar - e ajoelham-se já em frente dos anunciados donos do amanhã que lhes canta aos ouvidos. São sempre os mesmos a fazer o mesmo para obter o mesmo.
E, aqui, da política sobra alguma coisa? Sobra sempre este poema de Sophia, na sua anacrónica actualidade justa:
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Nestes últimos tempos é certo a esquerda fez erros
caiu em desmandos confusões praticou injustiças.
Mas que diremos da longa tenebrosa e perita
degradação das coisas que a direita pratica?
Que diremos do lixo do seu luxo - de seu
viscoso gozo da nata da vida - que diremos
da sua feroz ganância e fria possessão?
Que diremos da sua sábia e tácita injustiça
que diremos de seus conluios e negócios
e do utilitário uso dos seus ócios?
Que diremos de suas máscaras álibis e pretextos
de suas fintas labirintos e contextos?
Nestes últimos tempos é certo a esquerda muita vez
desfigurou as linhas de seu rosto
mas que diremos da meticulosa eficaz expedita
degradação da vida que a direita pratica?

02 novembro, 2010

HAVERÁ MAIS VIDA PARA ESTE GOVERNO DEPOIS DE...

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DA ESTRATÉGIA DO CINISMO À ESTRATÉGIA DA HUMILHAÇÃO
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Digo-vos desde já, à revelia dos argumentos mais tacanhos que as oposições têm querido fazer passar, que não acredito que a crise económica e financeira que vivemos seja fruto da má governação do executivo de Sócrates ou dos erros acumulados por todos quantos o antecederam.
Antes fosse! Matava-se o mal pela raiz e, como se diz no futebol, passávamos a depender só de nós...
Deixem-me recuar umas décadas neste tempo que já vivi para vos dizer que, quando jovem bancário, tive uma vez formação com um senhor que tinha sido dealer do banco onde trabalhava no Mercado de Capitais de Lisboa. O que era isso? Era um local onde os agentes dos bancos que tinham «excesso de liquidez» (mais dinheiro depositado do que aquele que necessitavam para o crédito que faziam) vendiam dinheiro aos que tinham «falta de liquidez». Qualquer coisa como isto: «Tenho 4 milhões de contos, quem pega?», havendo, naturalmente, quem respondesse, «compro 2 por 15 dias à taxa de juro x ou y».
E isto funcionava porque neste País havia uma coisa chamada «poupança» (vejam bem, num tempo em que a vida era incomensuravelmente mais difícil do que é hoje), porque estávamos num tempo em que ainda não haviamos sucumbido à febre consumista que rouba às famílias o que elas têm e não têm. Sim, porque hoje, Banco ou Governo, se necessitam de liquidez para satisfazer as necessidades de crédito dos seus clientes, particulares ou empresas, ou de funcionamento dos Ministérios, há que ir lá fora e pagar a taxa de juro que as tais agências de classificação de risco atribuem ao país, porque poupanças depositadas, coitadinhas.
Este, o da dívida externa, é como todos sabemos o rosto actual da tal «crise» que há cinco anos nos atormenta (a nós Portugal, à Europa e ao Mundo), aquela que começou pelo rebentamento da tal bolha imobiliária, que passou pelo abanão das instituições que enfardaram nos tais «produtos financeiros tóxicos», que depois... poupo-vos ao resto, para vos dizer que só um cego não vê ou não quer ver, que mesmo as economias mais fortes da Europa tiveram que implementar medidas orçamentais rigorosas para combaterem os seus déficites e cuidarem do seu endividamento.
Eu não sonhei isto, pois não? Então para quê todo este espectáculo para «tótós» distraídos que ainda por cima nos sai caro no mercado externo de capitais? Enquanto ia assistindo ao folhetim das negociações PS/PSD, uma só qualificação me vinha à ideia: «estratégia do cinismo» (por acaso título de um livro de Carlos Coutinho que há muito tempo li e não tem nada a ver com isto...).
Todos estavam muito preocupados com o País, coitadinho, porque vai pagar caro um «chumbo» (tá bem abelha...), mas o que mais interessava aos «salvadores», está visto, eram as sondagens para ver se mandavam ou não o Sócrates bugiar ou fazer um doutoramento em engenharia nos Estados Unidos, que é para onde vão desenfastiar os ex-governantes que por decoro não entram logo num acolhedor Conselho de Administração. E o que pensaria Sócrates? Sinceramente, penso que já não pensa nada, porque isto de cinco anos a dançar com a mais feia...
Hoje, a espaços, assisti ao debate do Orçamento. O que me veio à ideia? Que da «estratégia do cinismo» havíamos passado à «estratégia da humilhação». O Sócrates que eu vi hoje no Parlamento, não era seguramente o mesmo combatente de outrora, era a sombra do político que foi e essa sombra toldava-lhe já o rosto. Estava lá, mas era como se já lá não estivesse.
Desculpem-me: Que triste espectáculo de arrogância o daquela bancada que, dizem as sondagens, nos irá em breve governar. Assis esteve certo naquilo que disse àqueles que vão fazer o favor de dar aos portugueses este Orçamento por eles classificado de inqualificável, e eu não sei como classificar esse gesto abnegado de Coelho e quejandos...
Mas há uma coisa que todos já sabemos: que este é um Governo de dias contados, os dias que na estratégia partidária laranja faltam para Cavaco ser de novo eleito Presidente da República. E que dias serão esses que este Governo irá (ou poderá) dar ao País depois da aprovação por omissão deste Orçamento? Depois do que vi hoje acontecer em S. Bento, acho, só, que vamos ter um Inverno muito cinzento e duvido muito que a Primavera se vista de verde, que é a cor da esperança.

28 abril, 2010

OU HÁ MORAL... OU COMEM TODOS!

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Estranho mundo este em que as agências de rating fazem tremer países, economias, sistemas... mas é este o mundo em que vivemos, cada vez mais dependentes uns dos outros ( dívida pública ), cada vez mais vulneráveis aos ataques dos especuladores que engordaram a ponto de poderem actuar a uma escala internacional.
O que acabamos de dizer está bem insinuado nesta sugestiva imagem publicada hoje pelo jornal francês Le Figaro, onde os países europeus surgem representados por um instável e vulnerável dominó, um dominó prestes a ser derrubado em cadeia pela queda da primeira pedra, a Grécia, surgindo já em desequilíbrio uma segunda, Portugal.
Será possível endireitar esta segunda pedra verde-rubra? Sim, dirão os especialistas, logo acrescentando: com um vigoroso apertar de cinto, com mais sacrifícios impostos a um povo dos mais pobres entre os europeus.
Não sei se ainda se lembram, quando nos tempos que se seguiram à Revolução de Abril desembarcavam na Portela uns sinistros senhores com umas pastas onde se lia FMI e que vinham endireitar as nossas finanças públicas, pondo o País a pão e laranjas? Pois bem, embora eles ainda andem por aí, hoje é óbvio que têm a sua tarefa muito facilitada por estas agências de rating que pontuam os países de acordo com a sua capacidade futura ( a curto ou longo prazo ) em cumprirem com o pagamento das suas dívidas, logo fazendo oscilar as taxas de juro dos empréstimos a contrair.
Novos sacrifícios, é, pois, aquilo que nos espera. Mas alguém quer ouvir falar disso? Claro que não, pois eles recairão sobre os mesmos de sempre: Menos serviços gratuitos? Mais impostos? Menor protecção social? Maior austeridade salarial ( principalmente no sector Estado )? Menos subsídios (seja lá para o que for)? Menos investimento público?
Enquanto alinho estas palavras o primeiro-ministro Sócrates reúne com Passos Coelho o chefe da oposição. Será que chegarão a acordo sobre as medidas que reforçarão o PEC dando maior credibilidade internacional ao esforço proposto de redução do déficite?
Uma coisa, todavia, terão de ter presente: Mais sacrifícios só com uma maior moralização da vida nacional, corrigindo essas pequenas coisas que só por si nada resolvem, mas que contribuem decisivamente para a confiança ou desconfiança dos governados naqueles que os governam: Salários e prémios dos gestores públicos, dinheiros para os boys, luvas para os corruptos, até mesmo essa insignificância das viagens domingueiras da senhora deputada Medeiros à sua mansão parisiense, logo ela que deveria aproveitar os seus fins de semana descendo à realidade dos cidadãos do distrito de Lisboa, aqueles que a elegeram e correm sério risco de nunca lhe meterem os olhos em cima a não ser na televisão.
Pois bem, augura-se que nada de bom virá. Mas não se esqueçam: ou há moralidade... ou comem todos! Por outras palavras, isto irá mesmo para o charco ( se é que já lá não está ). Por isso, ou muito me engano ou isto nunca esteve tão perigoso...
Enquanto isso, este País vai vivendo a novela ( quase surrealista) daquela comissão de inquérito que discute aquele negócio que não se realizou, vai-se revolvendo neste frenesim de greves ( do sector Estado, já se vê...), vai regorgitando a comida que já não cabe no estômago sem fundo das corporações que minaram o regime democrático.

07 abril, 2009

A COISA É ANTIGA...MAS TEM REMÉDIO!

A crise financeira mundial tem colocado muita coisa a descoberto, sendo uma delas a forma indecorosa como banqueiros e outros gestores, partem e repartem o bolo que têm entre mãos, ficando, é claro, com a parte"do leão". Os nossos políticos, esses vão olhando para o "bodo" com olhos de quem sabe que os próximos a comerem serão ( quem haveria de ser?) eles próprios.
E sabem o que mais me assusta quanto ao que se passa cá pelo "rectângulo"? É um certo cheiro a «espera-se que isto passe, para que tudo volte ao mesmo», pois não são tomadas medidas que nos levem a acreditar que as regras do jogo mudaram de uma vez por todas, que os verdadeiros culpados vão ter que apertar o cinto para que não sejam sempre os mesmos a fazê-lo ou que a justiça social prometida no já distante "Abril " não seja mais uma palavra vã.
Mas não pensem que a ganância dos administradores e outros que tais é de hoje! Ela tem, efectivamente, fortes raízes no passado. Senão, vejamos este exemplo:
Segundo o Relatório e Contas da Fábrica da Chemina respeitante ao ano de 1942, nesse ano foram pagos de salários, aos mais de cem operários, 68.467$80. Mas o Conselho de Administração, nesse mesmo ano embolsou 198.000$00(!) e o Conselho Fiscal, que reuniu uma vez, 9.600$.
Mas o "fartai vilanagem" não ficou por aqui, pois foram distríbuidos "Dividendos" no valor de 90.000$00. A quem? Bom, tratava-se de uma Sociedade Anónima, com o capital realizado de 1.500.000$00 muito disseminado, mas... só dois accionistas detinham, em partes iguais, 10.810 acções das 15.000 emitidas. Eram eles Manuel Alves Barreto e Manuel Alves Ceppas, sendo que, pelo menos este último era administrador.
Vejam bem meus amigos para quem andaram trabalhando os operários alenquerenses da Chemina, nesse já distante ano de 1942... Para uns senhores que, com toda a probalidade. eles nunca conheceram e estavam lá para cima, para o Porto.
Será que isto alguma vez vai mudar? Diz o Povo que a última a morrer é a Esperança...Espero que não se engane.