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05 outubro, 2013

INVASÕES FRANCESAS

ALENQUER APÓS A RETIRADA DOS FRANCESES 
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- Massena em retirada (Gravura da Biblioteca Nacional).
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Recolhidas as tropas aliadas às Linhas de Torres, são estas alcançadas por Massena no dia 12 de Outubro de 1810. É então que este marechal fixa quartel-general em Alenquer, enquanto o seu oitavo corpo avançava quanto podia em direcção ao Sobral, o sexto alojava a 1.ª Divisão em Vila Nova da Rainha e a 2.ª em Ota, localidade onde o Marechal Ney que a comandava estabeleceu QG. A 3.ª, por sua vez, instalou-se no Moinho do Cubo, fixando-se o segundo corpo de exército à direita do Carregado.
Como refere Guilherme Henriques no seu "A Vila de Alenquer", «em fins de outubro aí esteve o Intendente Geral Lambert e talvez Alenquer tivesse sofrido menos «pelo facto de Massena ter aqui os seus doentes em tratamento enquanto não retirou para o norte (...)».
Mas, muito em breve Massena assumiria que as Linhas eram, de facto, intransponíveis, daí que tivesse retirado o seu exército para Santarém, Leiria e Rio Maior, saindo de Alenquer a 12 de Novembro. Com a saída dos franceses, avançaram e instalaram-se na nossa vila as tropas aliadas. Ainda segundo Henriques «No dia 15 daquele mês a Divisão Ligeira [seria a Leal Legião Lusitana?]  do exército defensor chegou a Alenquer, espiando os movimentos do inimigo, e tendo verificado que estes tinham por destino Santarém, a vila foi ocupada pela Quinta Brigada sob o comando do brigadeiro inglês Campbell.».
Feita esta introdução, apresentemos, pois o documento abaixo:
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- Ofício do Vigário da Vara de Alenquer a D. Miguel Pereira Forjaz (PT AHM-DIV- 1-14-169-09).

«Ilmº, Exmº, Sr. D. Miguel Pereira Forjaz

Achando-se já na vila de Alenquer e suas vizinhanças várias famílias (1)  insta o meu dever, e o Ex.mº e Rev.mª Patriarca eleito exige que eu passe àquela vila para restabelecer o culto público da nossa Religião e acudir com o Pasto Espiritual a estes Povos. E como a minha residência e a do meu cura e todas as Igrejas se acham servindo de Quartel às Tropas combinadas de que são chefes Campbell (2) e o Barão de Eber, pretendo que V. Ex.ª se digne rogar àqueles que removam os Quartéis das residências referidas e igualmente de uma das cinco igrejas que eu escolher como mais decente
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- Gravura oitocentista da Igreja da Várzea mostrando-a muito arruinada.

   para o Santo Ministério Pastoral e que as mesmas tropas não obstem ao exercício das funções ministeriais (...) .
Esta é a graça que suplico a V. Ex.ª por serviço de S.A.R. como protector da Igreja.
Vigário da Vara d'Alenquer - João Teixeira de Azevedo Monterroso.

Num segundo ofício o mesmo clérigo dá conhecimento a D. Miguel Pereira Forjaz que havia regressado a Alenquer e havia sido bem atendido pelos supra citados chefes militares.

(1) - Os franceses haviam saído de Alenquer a 12 de Novembro de 1810 e um mês depois já havia notícia que muitos alenquerenses haviam regressado à vila e às suas casas. Parece que houve mais assaltos e destruições, inclusive a edifícios administrativos e cartórios religiosos, neste período do que no anterior em que se deu a ocupação francesa.
(2) - O brigadeiro inglês Campbell que comandava a Quinta Brigada (Infantaria 6 e 18 e Caçadores).
(3) - Barão de Eber - No Buçaco comandou um Batalhão a 5 companhias da Leal Legião Portuguesa.

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- Soldado da Leal Legião Portuguesa
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A Leal Legião Lusitana foi criada em Inglaterra (Plymouth) por iniciativa de dois coronéis portugueses: José Maria de Moura e Carlos Frederico Lecor. O grosso desta formação, organizada como um Regimento a dois Batalhões reforçado com uma bateria de Artilharia, era um corpo de voluntários composto por exilados portugueses mas também por britânicos - o seu comandante foi o Coronel Sir Norbert Wilson - 26 suíços, 63 alemães e 15 piemonteses desertores das tropas napoleónicas.
A LLL, afinal Regimento de Infantaria Ligeira, desembarcou no Porto em 1808 e combateu em Portugal e Espanha, após o que se integrou no Exército Português (1811).
Uma vez que o Barão de Eber foi um dos seus comandantes e estando ele em Alenquer conforme o documento acima, é bem possível que a Leal Legião Lusitana também aqui tivesse estado, talvez integrada na tal Divisão Ligeira que veio no encalço  dos franceses quando estes retiraram. 
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- Igreja e Arcadas do Espírito Santo, como deviam ser à época.

31 maio, 2013

"INVASORES FRANCESES EM TERRAS DE ALENQUER" de ANTÓNIO RODRIGUES GUAPO

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MAIS UMA OBRA QUE VEM ENRIQUECER A NOSSA HISTÓRIA LOCAL

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No próximo Domingo dia 2 de Junho, pelas 15,30 horas, no Museu João Mário, terá lugar a apresentação da obra "Invasores Franceses em Terras de Alenquer" da autoria de António Rodrigues Guapo, historiador local que muito se tem dedicado à investigação do nosso passado e à defesa do património local.
Com algum atraso, mas sempre a tempo, este livro assinala, também, os 200 Anos da presença do invasor francês em terras do concelho de Alenquer, que, por se situarem próximas das intransponíveis Linhas de Torres, mas fora delas, muito sofreram com a primeira e a terceira invasão, particularmente com a última, comandada por Massena.
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Profusamente ilustrado e prefaciado pelo Dr. Filipe Soares Rogeiro é mais uma edição da "Arruda Editora", de Nuno Santos Alexandre. A este propósito uma palavra torna-se necessária, para dizer que o Nuno Alexandre não é um simples editor, mas um artista da edição. Assim, aqui temos mais esta preciosidade, com a sua capa rígida cozida e não colada, o seu papel que, faltando-me os termos técnicos adequados, direi de qualidade superior, o seu design gráfico que evidencia um apurado bom gosto, as fotografias e gravuras coloridas, e, cereja em cima do bolo, as aguarelas que Mestre João Mário e Marta Teives produziram especificamente para este edição. Adquirimos um livro e levamos para casa uma obra de arte!
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O Autor: António Rodrigues Guapo nasceu a 31 de Maio de 1933, na terra alentejana de Barbacena e veio para Alenquer (Olhalvo) em 1956 leccionar o ensino primário. Por aqui ficou, constituiu família e se dedicou ao estudo do património e história local, assim como da etnografia. Desse estudo resultaram uma infinidade de artigos dispersos pela imprensa local, regional e as mais diversas revistas. Com António de Oliveira Melo e o Padre José Eduardo Martins foi co-autor do "O Concelho de Alenquer", obra em quatro volumes. Foi ainda coordenador de "Damião de Goes - Uma antologia de textos biográficos"e a ele se ficou a dever, também, um opúsculo editado pela Câmara Municipal intitulado "Palácio Municipal de Alenquer". Homem de teatro encontra-se ligado desde o seu nascimento ao Grupo de Teatro Palmira Bastos de Aldeia Gavinha, sua localidade de residência, a ele se devendo, ainda, a dinamização de outros grupos e espectáculos como "Alenquer - 850 Anos da Reconquista Cristã" (1998), "Porquê Damião?"(2003) e os mais recentes espectáculos levados à cena pelo Grupo de Teatro Vida Activa. Rodrigues Guapo é ainda pintor de elevado mérito, pelo que o lançamento deste seu livro é acompanhado pela abertura de uma exposição com obras da sua autoria.

21 novembro, 2010

FOI HÁ DUZENTOS ANOS

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ALENQUER LIBERTADA - NOVEMBRO DE 1810

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De forma ainda que modesta, não quis o Pelouro da Cultura da nossa Câmara Municipal deixar de comemorar os duzentos anos da retirada de Massena da vila Alenquer, onde este Marechal havia instalado o seu Quartel-General. Exposições e o lançamento do livro Foi há duzentos anos de António Rodrigues Guapo, em data ainda a marcar, fazem parte do programa.
Todavia, um dos pontos pontos mais altos destas comemorações, terá lugar no próximo Sábado, dia 27 de Novembro, pelas 21 horas, no Pavilhão Municipal das Paredes. Também da autoria de António Rodrigues Guapo, aí será representada uma dramatização desses dolorosos acontecimentos sofridos pelos alenquerenses há duzentos anos.
Um imponente e gigantesco cenário ao comprimento do recinto espera os espectadores e aí evoluirão mais de cem amadores e figurantes dos grupos de teatro do Concelho: Grupo "Vida Activa", "Os 4 e o Burro", "Palmira Bastos" de Aldeiagavinha e "Teatro da Biblioteca" da Labrugeira sob a orientação de Gualberto Silva que também colaborou no texto. Apresentar-se-à, ainda, a Fanfarra da Banda do Exército fardada à época.
Ainda que relativamente curto, estamos certos que todos virão a gostar do espectáculo que lhes será proporcionado.
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É de Guilherme João Carlos Henriques o texto que se transcreve e que relata os acontecimentos ocorridos faz agora dois séculos:

«No dia 12 (de Novembro de 1810) Montebrun marchou, com a vanguarda do exército francês, de Alenquer para Vila Franca de Xira; e o oitavo corpo seguiu de Alenquer para o Sobral. Em seguida o marechal Massena fixou o seu Quartel General em Alenquer. Em fins de Outubro aí esteve o Intendente Geral Lambert. Durante um mês a vila, abandonada quase de todo pelos habitantes, esteve à mercê dos invasores; mas talvez sofresse menos pelo facto de Massena ter aqui os seus doentes em tratamento enquanto não retirou para o norte, o que fez a 12 de Novembro.

No dia 15 daquele Mês a Divisão Ligeira do exército defensor chegou até Alenquer, espiando os movimentos do inimigo, e tendo verificado que estes tinham por destino Santarém, a vila foi ocupada pela Quinta Brigada sob o comando do brigadeiro inglês Campbell. Em 18 de Novembro de 1810 achavam-se em Alenquer os Regimentos nacionais n.º11 e 23, com duas brigadas de artilharia.

Começaram, então, os desgraçados alenquerenses a voltar para as suas casas, que na maior parte encontraram saqueadas e arruinadas. Tinham abrigo, mas de comestíveis havia a mais absoluta falta. Na vila fazia-se, diariamente, a expensas da oficialidade inglesa e nacional, um caldeirão de caridade a que acudiam trezentas pessoas por dia, e no qual se cozinhavam as cabeças, pés e miudezas das rezes que se matavam para sustento dos soldados. Assim duraram as coisas até 5 de Março de 1811, quando Massena, não recebendo os reforços que pedira, começou a evacuar o país.



19 junho, 2009

AS INVASÕES FRANCESAS E O COMBATE DE ALENQUER, NO DIA 10 DE OUTUBRO DE 1810


Por vezes é assim. Vamos para a Biblioteca Nacional com um programa de pesquisa bem definido e depois... é uma desgraça. Vem à rede de tudo um pouco, menos o que lá nos levou. E tudo piora quando por obra e graça do Espírito Santo ( por isso ele "soprou" tanto, aqui em Alenquer, sua terra de eleição ) lográmos conseguir que nos viessem à mão 10 anos de jornais antigos com o título «Damião de Goes»! Então a perdição é completa... Irei partilhando convosco algumas descobertas.
É de Guilherme Henriques esta achega ao combate de 10 de Outubro travado em Alenquer, combate a que ele havia já feito referência, evocando uma descrição do seu padrinho General Duque Saldanha que do mesmo foi testemunha em primeira mão a partir do QG instalado na "Arcada" do Espírito Santo:
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«Há dias tive a oferta de uma obra inglesa sobre a Guerra Peninsular, intitulada Adventures in the Rifle Brigade pelo capitão Sir John Rincaid. Nele encontrei as seguintes referências:
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Na manhã de um dia de muita chuva e vento retirámos até Alenquer, pequena vila, ao cimo de um monte, cercado de outros mais elevados; e como o inimigo não se tinha mostrado na véspera, tomámos posse das casas ( pobres alenquerenses...), com razoável probalidade de nos ser permitido o prazer, pouco usual de comermos um jantar debaixo de telha.
Mas quando o arrátel ( cerca de meio quilo ) de vaca - que era a ração diária de cada praça - estava talvez meio cozido, e no momento em que um oficial de dragões estava narrando que tinha patrulhado seis léguas para a frente sem encontrar sinais do inimigo, vimos aqueles indefatigáveis (sic) mariolas, no monte em frente das nossas janelas, começando a cercar-nos com uma mistura de cavalaria e infantaria; soprando um vento de tal forma que a cauda comprida de cada cavalo estava estendida, em recta, e tocava o focinho do cavalo que o seguia, fazendo o efeito de todos estarem enfiados num cabo e rebocados pelo que vinha na frente.
Umas poucas de companhias formaram e contiveram o inimigo enquanto o resto da Divisão se estava reunindo. Deitámos fora o caldo como era normal e metemos os sólidos fumegantes, nos sacos, para serem mastigados oportunamente, e continuámos a nossa retirada.».
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- Conclui Henriques: « Concorda isto exactamente com o que me contou o Marechal Duque de Saldanha que fazia parte da mesma Brigada.
- Damião de Goes, n.º 253, 2 de Janeiro de 1910, p. 3.
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Para o próximo ano, no dia 10 de Outubro, completar-se-ão 200 anos sobre este acontecimento histórico que a nossa Vila testemunhou. Esperamos que a data venha a ser dignamente comemorada, como, aliás, tem vindo a acontecer um pouco por todo a País, nas vilas e cidades que foram palco destas ocorrências.