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23 março, 2013

TEATRO NA "LIGA "

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A ANTE-ESTREIA FOI ONTEM NO "ANA PEREIRA"
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O colectivo "Os 4 e o Burro", companhia amadora residente no "Ana Pereira", apresentou ontem em ante-estreia, dedicada aos compradores das novas cadeiras da plateia (lá iremos), o seu novo trabalho "O Sangue dos Bamberg", «...uma comédia negra de enganos, onde nada é o que parece, e as aparências devem ser salvaguardadas a todo o custo», um trabalho do inglês John James Osborne, o qual, como se escreve no programa foi um «crítico acérrimo da monarquia britânica, as suas peças descrevem não raras vezes o sistema monárquico como algo arcaico, e repleto de maneirismos ridículos e ultrapassados, recorrendo a um humor corrosivo para expor os seus pontos de vista. A peça "O Sangue dos Bamberg", escrita em 1962 no auge da sua produção artística e da sua popularidade, é exemplo disso mesmo». E foi.
O Palco estava deveras bonito, com uma cenografia bem conseguida e eficiente, impondo-se aos sempre parcos recursos financeiros para a montagem, superando de forma muito positiva esse factor "€". E aproveitamos a oportunidade para tecer, também, os mais rasgados elogios  ao cartaz anunciador, um trabalho de fazer inveja  aos profissionais, na linha do que o Frederico Rogeiro já nos habituou. Nota máxima.
Em palco estiveram: Os já "veteranos" Álvaro Gomes (o perfeito oficial inglês) e Maria Albertina, excelente no seu papel de "intrusa". Palavras para quê? Deste ofício percebem eles. Mas, tenham paciência, o grande destaque vai para... o Frederico Rogeiro! Perfeito, no seu "Bamberg" de emergência, e que tem aqui, neste estreado trabalho, a sua melhor interpretação de sempre. Quanto aos novos: a Andreia Filipa, faz uma excelente «pivot» televisiva (ai se as televisões a vêm, com a sua estética pessoal, deixemo-nos de eufemismos, palminho de cara e físico, e com o seu dizer, não lhes escapa, de certeza absoluta...). O Pedro Cordeiro, também muito bem, acompanhando na perfeição o mestre, perdão, "tenente-coronel" Álvaro Gomes. E a Ana Marta Luís? Cada um é para o nasce e ela nasceu para actriz, não há como lhe fugir... Excelente, também, na sua "Princesa Melanie".
No que respeita aos papéis secundários, uma palavra para Mestre Virgílio Morais. O Virgílio em palco nem sequer precisa de falar, pois só a sua presença diz-nos estar perante um grande actor, a quem os anos ensinaram tudo. Não que ele não saiba dizer, porque diz e bem, mas a sua mímica é de primeira e sabe compor um personagem como ninguém. Grande Virgílio, conserva-te assim por muitos e bons anos, para que possamos usufruir do teu inigualável trabalho teatral. Completam o elenco com pequenas intervenções, o Adolfo Costa que nasceu para padre mas desta chegou a bispo, o Leopoldo Rodrigues e o João Tralha repórteres em campo e o Armando Valle-Quaresma numa figuração. Onde ninguém o vê, mas tão necessário e artista como os demais, o Carlos Vicente na luz e som. Guarda-Roupa a condizer de Dália Flores (Arte e Costura). Resumindo, uma noite divertida e bem passada, o conforto de sabermos que o Teatro está vivo e bem vivo em Alenquer.

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De trabalho para trabalho, o "Ana Pereira" vai-se mostrando mais sala de teatro. Está a renascer graças à teimosia do Virgílio e das sucessivas Direcções que nisso se têm empenhado: o palco foi recuperado (está novo), a sala idem, os camarins começam a ser dignos desse nome e ganharam uma pequena casa de banho de apoio... Excelente essa ideia de promover uma ante-estreia a um preço de entrada superior para aquisição das cadeiras. A plateia, assim, como ontem se apresentou, adquiriu um outro grau de conforto. Na pessoa do actual Presidente da Liga, Marco Raposo (que lá vi, nas obras, a dar no duro, como se costuma dizer), felicito todos quantos se empenharam, nos últimos anos, em prol desta sala única.
Mas ainda falta tanto e tão importante: Principalmente, um pano boca-de-cena e um tecto que traga maior conforto à sala (e isolamento) e a complete naquilo que ela é e deverá ser: um renovado teatro oitocentista, uma preciosidade do nosso património colectivo. Que os nossos poderes tenham a sensibilidade de ajudar nesta obra, mesmo que não lhes peçam.

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O espectáculo estreia este Sábado, dia 23 de Março e prosseguirá, com representações semanais, sempre ao Sábado, de 6 de Abril a 25 de Maio.


09 março, 2013

UMA GRANDE ARTISTA DO TEATRO QUE NASCEU EM ALENQUER

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ADÉLIA SOLLER
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A grande actriz Adélia Soller nasceu em Alenquer em 1873, filha de Alfredo Soller e de Silvéria Soller, também eles actores de profissão. As circunstâncias que determinaram o seu nascimento nesta vila não as conhecemos, mas  somos levados a pensar que sendo seus pais artistas ao serviço da companhia  Soares, companhia essa que fazia muita itinerância, eles se encontrassem a representar em Alenquer quando a hora do parto chegou.
Ainda muito nova começou por representar, também ela, na companhia teatral Soares, percorrendo aí integraga o País, vindo, depois, a estrear-se em Lisboa na Trindade, onde pouco se evidenciaria, daí transitando para o teatro da Alegria, depois para o da Rua dos Condes e por último para o grande Ginásio.
Adélia Soller foi casada com um outro actor de nomeada, Sebastião Alves, que faleceu no Brasil em 1903. Todavia, Adélia pouco lhe sobreviveria pois viria a falecer ainda nesse mesmo ano, também no Brasil, quando por lá fazia uma tournée com a sua companhia do Ginásio, vitimada pela febre amarela que igualmente ceifou outros colegas seus.
Pelo apelido, terão sido seus antepassados (eventualmente avó) a consagrada actriz Josepha Soller (1822-1864) de ascendência espanhola e filha de um proprietário  de uma companhia e o actor Júlio Soller nascido em 1843.
Mais um nome, portanto, a juntar aos de Ana Pereira e a Palmira Bastos que, igualmente, tiveram berço em Alenquer.

21 maio, 2011

OUTRO ALENQUERENSE (QUASE ESQUECIDO...)



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LUSO SOARES - HOMEM DO DIREITO E DA CULTURA


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As minhas deambulações pelos leilões on line levaram-me a tropeçar (e a licitar) na obra cujo rosto acima reproduzo. O seu autor, já desaparecido, Fernando Augusto de Freitas Mota Luso Soares, nasceu em Alenquer no dia 2 de Março de 1924, na casa que seus pais habitavam na Calçada Francisco Carmo, logo abaixo do mirante e à esquerda de quem desce.


Seu pai, alto funcionário público, ocupava nesta Vila um dos lugares de Conservador. Foi ainda em Alenquer que Fernando Luso Soares fez a sua instrução primária, após o que a família se retiraria para a capital. Não deixa por isso de ser curioso que a primeira obra por si produzida, em 1941, tivesse sido precisamente esta monografia sobre a sua terra natal, obra que eu já havia consultado na BN e que, embora bem escrita, para o investigador mais exigente, diga-se em abono da verdade, nada trás de novo ou surpreendente.


Quis o acaso que ao frequentar a faculdade de Direito viesse a ser aluno de Processo Civil deste ilustre alenquerense que aí leccionava em busca do doutoramento que, na minha perspectiva, injustamente lhe viria a ser negado quando o júri recusou a sua tese por a considerar «demasiado filosófica». Uma treta, os motivos foram outros e bem mais mesquinhos, pois ao tempo era a extrema-direita que imperava entre o doutoral corpo da Faculdade e Luso Soares era da área do PCP, amigo íntimo do General Vasco Gonçalves (pois é amigos, e olhem que isto não foi há muito tempo...).


Quando Luso Soares entrava ano Anfiteatro 1 da Faculdade para leccionar, a enorme sala tornava-se pequena. Era assim tão grande o interesse reinante pelo Processo Civil? Não. O motivo era outro. A enorme cultura do professor tornava estas aulas, onde o Processo Civil era só mais um tema, verdadeiramente apetecíveis. E, fruto de uma paixão pecadora (digo eu), por lá perpassava, sempre, uma inevitável alusão ao seu Sporting Clube de Portugal! Não há homens perfeitos...


Luso Soares foi um dos mais brilhantes advogados da praça lisboeta e, também, um dos poucos que em tempo de Ditadura advogou no famigerado Tribunal Plenário em defesa dos presos políticos. O glorioso «25 de Abril» encontra-o precisamente aí, ao lado de Salgada Zenha exercendo a defesa de militantes da«ARA-Acção Revolucionária Armada» (tida como o braço militar do PCP, a quem se deveram, entre outras acções, o atentado ao COMIBERLAN [NATO] em Oeiras, aos helicópteros de Tancos e às viaturas que no porto de Lisboa aguardavam embarque para a guerra colonial), entre eles de Carlos Coutinho.


Outra das grandes paixões de Luso Soares foi o Teatro. Para além de ficcionista, ensaísta, autor de compêndios jurídicos e tradutor (traduziu Maiakovski, Giradoux, Vitrac, entre outros) este alenquerense foi, também, autor dramático e crítico teatral.


Terminamos com a inserção de uma listagem das suas obras:




  • Crime a 3 Incógnitas (1953).


  • Notas para a Criação da Novela Policial em Fernando Pessoa (1954).


  • Crimes e Criminosos na Divina Comédia de Dante (1954).


  • O Crime de um Fantasma - Romance (1954).


  • O Mais Inteligente dos Estúpidos - Novelas (1956).


  • Tentação Escarlate com Eficácia em Cor de Burro Quando Foge (1960).


  • O Parque dos Camaleões - Contos (1962).


  • Os Cavalos Marinhos - Drama (1963).


  • O Banqueiro Anarquista e Outros Contos do raciocínio de Pessoa (1964).


  • Vontade de ser Ministro (1965).


  • Cadáver Adiado que Procria (1967).


  • Quando Menos se Espera (1967).


  • Grandezas e Misérias num Sonho de Maiorais de Gado (1967).


  • A Outra Morte de Inês (1968).


  • Literatura Dialéctica Estrutura - Ensaios (1971).


  • António Vieira (1973).


  • Teatro Vanguarda - Revolução e Segurança Burguesa (1973).


  • A Novela Dedutiva em Fernando Pessoa (1976).


  • A Teoria Geral do Direito Civil - Manual (1977).


  • Vasco Gonçalves - Perfil de um Homem (1979).


  • O Direito Processual Civil - Manual (1980).


  • Maria Pia, Duquesa de Bragança contra D. Duarte Pio, o senhor de Santar (1983).


  • A Decisão Judicial e o Raciocínio Tópico-Abdutivo do Juiz - Direito (1983).


  • Vontade de Ser Ministro (1999).


  • O Poeta era um Fingidor (1999).


  • O Agravo e o seu Regime de Subida - Direito.


  • PIDE(DGS - Um Estado dentro do Estado.


  • Ainda: Foi Co-Director de «Cronos: Cadernos de Literatura (1965-1970).

21 novembro, 2010

FOI HÁ DUZENTOS ANOS

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ALENQUER LIBERTADA - NOVEMBRO DE 1810

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De forma ainda que modesta, não quis o Pelouro da Cultura da nossa Câmara Municipal deixar de comemorar os duzentos anos da retirada de Massena da vila Alenquer, onde este Marechal havia instalado o seu Quartel-General. Exposições e o lançamento do livro Foi há duzentos anos de António Rodrigues Guapo, em data ainda a marcar, fazem parte do programa.
Todavia, um dos pontos pontos mais altos destas comemorações, terá lugar no próximo Sábado, dia 27 de Novembro, pelas 21 horas, no Pavilhão Municipal das Paredes. Também da autoria de António Rodrigues Guapo, aí será representada uma dramatização desses dolorosos acontecimentos sofridos pelos alenquerenses há duzentos anos.
Um imponente e gigantesco cenário ao comprimento do recinto espera os espectadores e aí evoluirão mais de cem amadores e figurantes dos grupos de teatro do Concelho: Grupo "Vida Activa", "Os 4 e o Burro", "Palmira Bastos" de Aldeiagavinha e "Teatro da Biblioteca" da Labrugeira sob a orientação de Gualberto Silva que também colaborou no texto. Apresentar-se-à, ainda, a Fanfarra da Banda do Exército fardada à época.
Ainda que relativamente curto, estamos certos que todos virão a gostar do espectáculo que lhes será proporcionado.
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É de Guilherme João Carlos Henriques o texto que se transcreve e que relata os acontecimentos ocorridos faz agora dois séculos:

«No dia 12 (de Novembro de 1810) Montebrun marchou, com a vanguarda do exército francês, de Alenquer para Vila Franca de Xira; e o oitavo corpo seguiu de Alenquer para o Sobral. Em seguida o marechal Massena fixou o seu Quartel General em Alenquer. Em fins de Outubro aí esteve o Intendente Geral Lambert. Durante um mês a vila, abandonada quase de todo pelos habitantes, esteve à mercê dos invasores; mas talvez sofresse menos pelo facto de Massena ter aqui os seus doentes em tratamento enquanto não retirou para o norte, o que fez a 12 de Novembro.

No dia 15 daquele Mês a Divisão Ligeira do exército defensor chegou até Alenquer, espiando os movimentos do inimigo, e tendo verificado que estes tinham por destino Santarém, a vila foi ocupada pela Quinta Brigada sob o comando do brigadeiro inglês Campbell. Em 18 de Novembro de 1810 achavam-se em Alenquer os Regimentos nacionais n.º11 e 23, com duas brigadas de artilharia.

Começaram, então, os desgraçados alenquerenses a voltar para as suas casas, que na maior parte encontraram saqueadas e arruinadas. Tinham abrigo, mas de comestíveis havia a mais absoluta falta. Na vila fazia-se, diariamente, a expensas da oficialidade inglesa e nacional, um caldeirão de caridade a que acudiam trezentas pessoas por dia, e no qual se cozinhavam as cabeças, pés e miudezas das rezes que se matavam para sustento dos soldados. Assim duraram as coisas até 5 de Março de 1811, quando Massena, não recebendo os reforços que pedira, começou a evacuar o país.



17 novembro, 2010

NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA

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ALENQUER VAI AO TEATRO
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A Troupe de Teatro «Os 4 e o Burro» e a Junta de Freguesia de Santo Estêvão decidiram promover uma Noite Solidária, levando ao palco do Auditório Damião de Goes, nesta vila de Alenquer, Sábado Dia 20, pelas 21,30 horas, a peça do dramaturgo brasileiro Dias Gomes, intitulada «O Santo Inquérito».
Noite Solidária porque a receita reverte inteirinha a favor da obra assistencial da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos que, louvavelmente, aqui presta apoio a famílias carenciadas.
Aproveitando a oportunidade, quiseram as gentes do teatro alenquerense ir ainda um pouco mais além, pelo que Sexta-Feira dia 19, pelas 21,30 horas e Domingo dia 21, pelas 16,00 horas promovem outras duas representações, sendo 50% da receita igualmente destinada à citada Irmandade.
O Grupo «Os 4 e o Burro» assumiu este seu nome singular quando, há já alguns anos, quatro actores se reuniram para na companhia de um burro fazerem teatro de rua, mais concretamente, representarem a peça Ruzante volta da Guerra, de Ângelo Beoco. Depois disso, o elenco cresceu, o burro foi à sua vida e o teatro continuou. Sob a orientação do actor-encenador Álvaro Gomes o Grupo representou A Farsa de Mestre Pathelin, de um Anónimo do Séc. XIV, O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, Pranto para Ignacio, de Garcia Lorca, Deus lhe Pague, de Juracy Camargo e Um Pedaço de Céu que me Fugia, de Pedro Pinheiro, encontrando-se já em ensaios Felizmente Há Luar de Sttau Monteiro.
Sobre este seu trabalho agora em cena, O Santo Inquérito, elaborou o Grupo a seguinte sinopse:
Em meados do séc. XVIII, no auge das visitações do Tribunal do Santo Ofício, Branca Dias uma jovem rapariga cujo único pecado é a sua inocência e ingenuidade, vê-se envolvida num tenebroso inquérito movido por interesses pouco claros, que irá colocar em causa tudo o que sempre acreditou. Perdida a inocência, ganha a consciência de que a dignidade humana é algo de que não se pode abdicar, "nem mesmo em troca da liberdade, nem mesmo em troca do sol". Escrita na década de sessenta, em plena ditadura militar O Santo Inquérito, é uma peça sobre a perversão do poder nos estados totalitários, mas também sobre a intolerância, a incapacidade de compreender o outro.
E você? Vai ficar em casa? Desta vez não acredito.


29 abril, 2009

UMA FOTOGRAFIA CURIOSA E UMA LEGENDA AINDA MAIS


Trata-se de uma fotografia curiosa, esta que já publiquei no meu livro Memórias da Arcada. O seu estado de conservação não é dos melhores, mas nela reconhece-se a antiga sala da Arcada, quando ela era simultaneamente pequeno teatro - lá está, ao fundo, o palco - e sede da Sociedade Filarmónica d'Alemquer, dita a Formiga Branca.
Ela mostra-nos, ainda, uma mesa (bem) posta para uma refeição, que uma legenda impressa em rodapé esclarece ter sido um «...banquete oferecido no Teatro da Arcada por um grupo de republicanos de Alenquer aos oradores de um comício em 21 de Agosto de 1910». O momento histórico aproximava-se.
Mas esta fotografia tem no seu verso uma outra legenda manuscrita, da autoria de João Avellar, que nos chama a atenção para um outro pormenor quase imperceptível:
«...Na cadeira de espaldar (ao fundo) vê-se o barrete frígio (um dos símbolos da República) que Izidoro Guerra ostentava no quadro final de apoteose à República, na revista À procura do Ideal que foi representada nesta vila, no Teatro da Arcada, com geral agrado.».
Aqui fica, pois, este pequenino subsídio para a História do Teatro em Alenquer, uma obra que se torna urgente produzir, uma vez que essa arte teve fortes tradições na nossa vila e concelho, em especial o teatro de revista.
Foram inúmeras as casas onde em Alenquer se fez teatro, por aqui nasceram artistas de renome nacional como Ana Pereira, Adélia Soller e Palmira Bastos, o teatro de rua com as suas Cegadas e Enterros e Julgamentos do Bacalhau também esteve, desde sempre, fortemente enraízado nas tradições das nossas gentes e foram inúmeros os grupos amadores que fizeram subir à cena as mais variadas peças e revistas.
Esta é, sem margem para dúvidas, uma outra história local que merece ser preservada em forma de livro. Enquanto isso não acontece, por aqui vão ficando ligeiros apontantamentos...

23 fevereiro, 2009

UMA FOTOGRAFIA CURIOSA




Trata-se de uma fotografia curiosa esta que já publiquei no meu livro Memórias da Arcada. O seu estado de conservação não é dos melhores, mas dá para ver que ela nos mostra a antiga sala da Arcada, quando ela era simultaneamente pequeno teatro - lá está ao fundo o palco - e sede da Sociedade Filarmónica d'Alemquer, dita Formiga Branca.
Ela mostra-nos ainda uma mesa (bem) posta para um jantar, que uma legenda impressa em rodapé esclarece ter sido um «... banquete oferecido no Teatro da Arcada por um grupo de republicanos de Alenquer aos oradores de um comício em 21 de Agosto de 1910» O momento histórico aproximava-se...
Mas esta fotografia tem no seu verso uma outra legenda manuscrita, da autoria de João de Avellar, que chama a atenção para um outro pormenor quase imperceptível:
«...Na cadeira de espaldar ( ao fundo ) vê-se o barrete frígio que Isidoro Guerra ostentava no quadro final de apoteose à República, na revista Á procura do Ideal que foi representada nesta vila, no Teatro da Arcada, com geral agrado.».
Aqui fica, pois, este pequenino subsídio para a História do Teatro em Alenquer, uma obra que se torna urgente produzir, uma vez que, desde sempre, essa arte foi uma tradição da nossa vila e concelho, em especial o teatro de revista.
Foram inúmeras as casas onde em Alenquer se fez teatro, por aqui nasceram artista de renome nacional como Ana Pereira, Adélia Soller e Palmira Bastos, o teatro de rua, com as suas Cégadas e os Enterros e Julgamentos do Bacalhau, também esteve sempre bem enraízado na nossa tradição popular e inúmeras foram as revistas e peças que por aqui subiram à cena representadas por incontáveis grupos amadores. Esta é, sem margem para dúvidas, uma outra história local que merece ser preservada em forma de livro.



20 janeiro, 2009

ANA PEREIRA - UMA ACTRIZ, UM TEATRO




Ana Pereira nasceu na freguesia de Cadafais a 27 de Julho de 1845 e era irmã de Margarida Clementina, também artista de renome, falecendo em Lisboa no dia 24 de Julho de 1921.
No seu tempo, foi uma das mais importantes e consagradas actrizes. Da sua impressionante biografia, transcrevemos, ao acaso:
«Em 1868, no teatro da Trindade, vive a época mais brilhante da sua vida artística distinguindo-se, particularmente, na opereta Barba Azul.
O público começou a adorá-la e, todas as noites, logo à sua entrada, no primeiro acto, era recebida com entusiásticos aplausos». (In O Concelho de Alenquer de António de Oliveira Melo e outros)
O cartão ao lado reproduzido é da autoria de Francisco Valencia e faz parte do acervo iconográfico da Biblioteca Nacional.
Em reconhecimento do mérito artístico desta actriz nossa conterrânea, foi dado o seu nome a uma sala de teatro que se construiu no Club Alenquerense, hoje Liga dos Amigos de Alenquer, colectividade de Bairro, logo importante para aqueles que nela procuram um lugar de encontro e convívio.
Acontece que o edifício pertence à Misericórdia e, não tecendo quaisquer juízos por absoluto desconhecimento das razões que assistem às partes, esse facto tem vindo a dificultar a sua recuperação.
A sala é preciosa, merece ser recuperada, e, apesar da sua pequena dimensão ( mais ou menos cem espectadores, na plateia e na galeria superior ), reune excelentes condições para o teatro, em especial pelas condições que o seu palco oferece, com um magnífico fosso para instalação dos maquinismos de cena. Daria uma excelente "oficina" de Teatro.
Todavia essa recuperação caíu num impasse. É caso para dizer: Em Alenquer, nada anda, tudo emperra ( não olhem só para autarquia, por favor )... Hipólito Cabaço costumava dizer que, algures por aí, está uma cabeça de burro enterrada e, enquanto não a encontrarem, é escusado...
Mas, nisto do Teatro, não deixa de ser curioso como a História, de algum modo, se repete: Leiam o que nos diz Guilherme J. C. Henriques no seu A Vila de Alenquer, publicado em 1902, a propósito do Celeiro das Jugadas ( demolido para a construção do edifício dos Paços do Concelho ):
«Pelo que diz o douto alenquerense ( Bento Pereira do Carmo ) parece que já em 1842, o antigo celeiro servia de teatro; mas é certo que em 1863 se construiu aí um lindo teatrinho que embora nunca tivesse cenário efectivo, nem maquinismo, serviu durante alguns anos para a representação de peças de grande merecimento e que, até exigiam estes acessórios, cuja falta era suprida segundo a habilidade de cada um».
Mas, uns anos antes, quando escreveu uma outra obra intitulada Alenquer e o seu Concelho, Henriques havia acrescentado mais este período:
«É para lamentar que possuindo Alenquer uma filarmónica e orquestra mais que sofrível, não possua também uma sociedade dramática para nas noites do inverno entreter os seus patrícios com tão instrutivo recreio».
Pois bem, quando não é do ... é das calças. O melhor mesmo é partirmos, todos, à procura dessa tal caveira ou «cabeça de Burro»!