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02 outubro, 2013

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS - V

TRANCOSO - A TERRA DO SAPATEIRO QUE FAZIA PROFECIAS
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Trancoso pertence ao Distrito da Guarda e a ela se acede a partir da A-25 (um pouco antes de Celorico para quem vem da Guarda) pelo IP 2, ou, então, a partir de Celorico da Beira pela EN 102 (nunca a partir de Fornos de Algodres por Sobral Pichorro, porque as voltas da serra são muitas...). Trancoso alcançou a dignidade de cidade em 2004, mas é cidade pequena, com cerca de 3.000  habitantes. O Concelho tem uma área de 364 Km2 onde habitam cerca de 6.500 habitantes (com uma forte emigração, os números são sempre relativos...) em 29 Freguesias, isto antes da recente reforma administrativa. Hoje fala-se em 9.878 habitantes em 1960 eram 18.224...
Concelhos limítrofes, são Penedono a Norte, Celorico da Beira a Sul, Sernancelhe a noroeste, Fornos de Algodres a Sudoeste, Meda a Nordeste, Aguiar da Beira a Oeste e Pinhel a Leste. É uma zona planáltica, com uma altitude média de 750 metros, as cotas mais elevadas, 985 metros, situam-se nas freguesias de Sebadelhe da Serra e Guilheiro, e 890 metros em Terrenho, Moreira do Rei e Guilheiro. Terras arejadas portanto, mas quentes no Verão e frias no Inverno.
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- Uma das entradas de Trancoso, ao fundo uma das portas do Castelo, em primeiro plano, no exterior da vila, monumento evocativo das bodas de D. Dinis com Isabel de Aragão
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- Edifício dos Paços do Concelho, com a estátua de Gonçalo Anes Bandarra em primeiro plano.
Bandarra, sapateiro-poeta, que nas suas Trovas "exalta a imaginação sebastianista do povo português. Estas "Trovas" tiveram a sua primeira publicação em 1540.
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- Pelourinho de Trancoso, bem no centro de Trancoso. Um pelourinho dito de "gaiola" no estilo manuelino.
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- Uma perspectiva do Castelo de Trancoso.
O castelo de Trancoso será anterior á própria nacionalidade. Por ali terão andado, também os mouros, mas D. Afonso Henriques conquistou-o em 1160. Depois conheceu melhoramentos com D. Afonso II (que confirmou a Carta de Foral doada pelo Conquistador) e também com D. Dinis.
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- Aspecto da Judiaria
- Tendo tido importante presença judaica, são muitos os sinais que a mesma deixou gravados nas velhas pedras das suas casas.
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- Casa que foi Quartel-General de Beresford, quando da Guerra Peninsular.
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- Rua da Corredoura, uma das principais.
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Uma nota final para aqui evocar duas coisas que me chamaram a atenção em Trancoso, uma terra bem cuidada. Primeiro os seus bonitos candeeiros que talvez sirvam de inspiração para uma iniciativa local (com as devidas adaptações, claro, no que toca aos motivos recortados na chapa):
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Por último, a excelente Casa da Prisca, na Rua da Corredoura, onde encontrará produtos regionais de excelência: Enchidos, presuntos, queijos regionais, compotas, geleias, e... as famosas "sardinhas" emblemático (e saboroso) doce local. Como diz o folheto «tem forma de peixe, tem nome de peixe, mas não sabe a pescado. Sugere o mar, mas de salgado não tem nada, nem tem pescado como ingrediente. São as sardinhas doces, a pastelaria conventual de Trancoso». Gostava de lá voltar...

14 setembro, 2013

DEAMBULAÇÕES ESTIVAIS IV

PINHEL CIDADE SOLARENGA
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- Edifício dos Paços do Concelho, antigo Solar dos Mena Falcão.
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Cidade onde antigos solares marcam solenemente a malha urbana, Pinhel pertence ao Distrito da Guarda, tinha 27 freguesias (até à recente reforma), o município tem uma área de 484,5 Km2 e 9. 627 habitantes, sendo que deles 3.518 habitam na cidade.
Chega-se a Pinhel pela A-25, a que vai para Vilar Formoso, mas a partir do nó do Pinzio, segue-se a placa que indica esta cidade, também ela conhecida por Cidade Falcão - o Falcão está no seu brasão - em homenagem à bravura dos pinhelenses que em 1383 tomaram o partido do Mestre de Avis e bateram-se corajosamente com os de Castela em defesa da independência nacional.
Já foi Diocese, dissociada da de Lamego em 1770, data em que, também, ganhou o estatuto de cidade. Todavia, em 1881 a Diocese seria extinta, restando desses tempos o magnífico Paço Episcopal. Hoje é evidente nesta cidade raiana o processo de desertificação que assola o nosso interior, pois lá chegado tive a sensação de que tinha toda uma cidade só para mim. Para mais, os números não enganam, mas o que lhe falta em habitantes sobra em beleza e testemunhos de uma história que deixou traços de opulência no seu património construído. Uma coisa boa: o turista não tem problemas com o estacionamento, mesmo no centro da cidade...
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- Igreja da Misericórdia (1537). Próxima desta a Igreja de S. Luís (1596).
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Com um património construído tão rico, são muitos e variados os pequenos pormenores que surpreendem o visitante a cada esquina ou nas fachadas dos imóveis.
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A caminho do Castelo a pequena mas muito antiga (Séc. XIV) Igreja de Santa Maria do Castelo (abençoadamente fechada como as da maioria das terras por onde passei...).
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-Torre de menagem do castelo de Pinhel conhecida como Torre Manuelina, sendo visíveis elementos desse estilo.
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O castelo de Pinhel datará do reinado de D. Sancho I, soberano que deu foral à vila. D. Dinis «revigorou» este sistema defensivo mandando-o reconstruir. Teve seis torres amuralhadas e, muralha de 800 metros e seis portas (ainda existem cinco). Numa elevação 600 metros acima do nível do mar, erguem-se sobranceiras duas torres. 
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- Pelourinho, vendo-se por detrás  a "Casa Grande" (séc.XVIII) construída pela família Fagundes. Foi, até 2005, Paços do Concelho.
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O Pelourinho de Pinhel é, sem dúvida alguma, o ex-libris da cidade. Ao estilo manuelino e do tipo "gaiola", apresenta coluna octogonal (o fuste não é ornamentado) assente em base quadrada e encimada por capitel também octogonal, sobre o qual assenta a gaiola. Esta é formada por oito colunelas decoradas com motivos vegetalistas estilizados. Até ao séc. XVII os pelourinhos eram popularmente conhecidos como picotas. Dizem os estudiosos da matéria que em alguns se fizeram execuções (até ao séc. XIV) ou expuseram à fúria popular criminosos. Depois passaram a ser vistos como símbolos da autonomia judicial do concelho para, finalmente, se tornarem símbolos da liberdade municipal.
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- A bonita praça fronteira aos Paços do Concelho (Largo Ministro Duarte Pacheco) com a Torre do Relógio (séc. XIX) e ao fundo as torres do Castelo.
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Não está na fotografia mas merece ser mencionado. Quando na Praça acima perguntei por um restaurante onde pudesse almoçar, logo me indicaram o ali próximo "Skylab". Confesso que com um nome destes, de snack americano... Bom, mas lá fui porque a hora já era tardia. Moral da história: almoçámos supinamente: entradas tradicionais e um excelente vinho da casa (terra de bons vinhos...) abriram caminho a uma excelente posta de vitela assada (e bem temperada) apresentada, originalmente, em tradicional tacho de barro e com todos os acompanhamentos. Sobremesas e cafés abriram caminho a uma módica conta (cá pelos nossos lados já não se come assim e muito menos por aquele preço... Serviço simpático a merecer uma nova visita que, porventura, jamais acontecerá, pois Portugal sendo pequenino ainda tem muito por descobrir.