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LUSO SOARES - HOMEM DO DIREITO E DA CULTURA
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As minhas deambulações pelos leilões on line levaram-me a tropeçar (e a licitar) na obra cujo rosto acima reproduzo. O seu autor, já desaparecido, Fernando Augusto de Freitas Mota Luso Soares, nasceu em Alenquer no dia 2 de Março de 1924, na casa que seus pais habitavam na Calçada Francisco Carmo, logo abaixo do mirante e à esquerda de quem desce.
Seu pai, alto funcionário público, ocupava nesta Vila um dos lugares de Conservador. Foi ainda em Alenquer que Fernando Luso Soares fez a sua instrução primária, após o que a família se retiraria para a capital. Não deixa por isso de ser curioso que a primeira obra por si produzida, em 1941, tivesse sido precisamente esta monografia sobre a sua terra natal, obra que eu já havia consultado na BN e que, embora bem escrita, para o investigador mais exigente, diga-se em abono da verdade, nada trás de novo ou surpreendente.
Quis o acaso que ao frequentar a faculdade de Direito viesse a ser aluno de Processo Civil deste ilustre alenquerense que aí leccionava em busca do doutoramento que, na minha perspectiva, injustamente lhe viria a ser negado quando o júri recusou a sua tese por a considerar «demasiado filosófica». Uma treta, os motivos foram outros e bem mais mesquinhos, pois ao tempo era a extrema-direita que imperava entre o doutoral corpo da Faculdade e Luso Soares era da área do PCP, amigo íntimo do General Vasco Gonçalves (pois é amigos, e olhem que isto não foi há muito tempo...).
Quando Luso Soares entrava ano Anfiteatro 1 da Faculdade para leccionar, a enorme sala tornava-se pequena. Era assim tão grande o interesse reinante pelo Processo Civil? Não. O motivo era outro. A enorme cultura do professor tornava estas aulas, onde o Processo Civil era só mais um tema, verdadeiramente apetecíveis. E, fruto de uma paixão pecadora (digo eu), por lá perpassava, sempre, uma inevitável alusão ao seu Sporting Clube de Portugal! Não há homens perfeitos...
Luso Soares foi um dos mais brilhantes advogados da praça lisboeta e, também, um dos poucos que em tempo de Ditadura advogou no famigerado Tribunal Plenário em defesa dos presos políticos. O glorioso «25 de Abril» encontra-o precisamente aí, ao lado de Salgada Zenha exercendo a defesa de militantes da«ARA-Acção Revolucionária Armada» (tida como o braço militar do PCP, a quem se deveram, entre outras acções, o atentado ao COMIBERLAN [NATO] em Oeiras, aos helicópteros de Tancos e às viaturas que no porto de Lisboa aguardavam embarque para a guerra colonial), entre eles de Carlos Coutinho.
Outra das grandes paixões de Luso Soares foi o Teatro. Para além de ficcionista, ensaísta, autor de compêndios jurídicos e tradutor (traduziu Maiakovski, Giradoux, Vitrac, entre outros) este alenquerense foi, também, autor dramático e crítico teatral.
Terminamos com a inserção de uma listagem das suas obras: