IMPRENSA LOCAL I

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A IMPRENSA NO CONCELHO DE ALENQUER – PARTE I (Do seu nascimento à República)
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Em permanente actualização. Aceitam-se e agradecem-se contributos, quer no que respeita ao historial dos periódicos, quer no que diz respeito a imagens (fotocópia ou cópia digitalizada).

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O Alemquerense (1.ª Série) – 3 de Janeiro de 1878 a 8 de Janeiro de 1880.
Semanário a 4 páginas com composição dividida a três colunas. Publicava-se às quintas-feiras e o número avulso custava 20 réis.
Editor e proprietário: Júlio Raposo – Representante em Alenquer: Venâncio José d’Oliveira e Carmo.
Imprimia-se em Vila Franca de Xira e, como O Ribatejo daquela vila, tinha o mesmo proprietário, o solicitador Júlio Raposo. Aproveitava-se a composição do O Ribatejo para O Alemquerense do que resultava ser o jornal mais de Vila Franca do que de Alenquer.
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Damião de Góis – 3 de Janeiro de 1886 a 20 de Novembro de 1925.
Semanário a 4 páginas. Dele se publicaram 1.916 números. Tinha tipografia própria.
Proprietário e Editor: Jayme Pereira Coutinho – A partir do n.º 306 de 8/1/1891: Henrique Campeão dos Santos (Porém, até ao n.º315, figurou o fundador como editor).
A sua função dominante era a de divulgar tanto as pequenas facetas que preenchiam o quotidiano de Alenquer como política e agricultura. Nos artigos que abordavam este segundo tipo de ocorrências, o Damião de Goes mantinha sempre uma sóbria imparcialidade, notando-se por vezes um certo espírito progressista. Nas páginas interiores situavam-se as pequenas notícias que hoje não deixam de proporcionar uma leitura divertida. Tudo merecia ser mencionado: aniversários, casamentos, as mais grotescas cenas de pancadaria, o desaparecimento de uma mula… Bastava que algum indivíduo conhecido se deslocasse a Lisboa para que esse facto fosse noticiado com exactidão.
Com o advento da República este jornal, que respeitava os monárquicos e os seguidores de Afonso Costa, não deixava de confrontar as forças mais radicais do Partido Evolucionista e do Partido Unionista.
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O Rapaz1887
Segundo Guilherme Carlos Henriques que foi um coleccionador destes jornais, dele ter-se-à publicado um único número.
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O Alemquerense (2.ª Série) – 15 de Janeiro de 1888 a 29 de Dezembro de 1893.
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Ele próprio definia-se como «semanário político, literário e noticioso». O primeiro número saiu a um domingo, passando, depois, a sair às quintas-feiras.
Director: Francisco Vidal – Proprietários: Francisco Vidal e Alfredo Gabriel Garcia. Em Declaração assinada em 27 de Março de 1888, os dois sócios proprietários afirmam que se desligaram ficando a propriedade do jornal a pertencer a Francisco Vidal.
Teve tipografia sua.
Este teria sido o primeiro jornal republicano a publicar-se em Alenquer e dele disse Guilherme Henriques que teve sempre boa aceitação e, embora sustentasse algumas polémicas com o Damião de Goes, «nunca excedia os limites que formalismo moderno estabelece». Ao anunciar o seu aparecimento, o Damião de Goes escrevia que «ignoramos se advogará alguma ideia política: mas se traduzir bem o pensamento dos seus proprietários será republicano».
No seu primeiro número Publicou:
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A NOSSA PROFISSÃO DE FÉ
Não vimos com propósitos reservados, nem com ambições mal cabidas – O novo jornal dimana da nossa crença e da nossa vontade, naturalmente, serenamente… Sai do prelo de que nos acercámos, atravessa a nossa terra, histórica, formosa, e seguirá pelas vilas e cidades de Portugal, afirmando os princípios mais democráticos e o patriotismo mais português… Assim dimanam da Fonte Perenal as águas do Alemquer, beijam suavemente as águas do Triana e vão, ao colo do Tejo até às muralhas de Lisboa.
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Entramos na luta e não trazemos ódios, que para temperar as armas dos debates preferimos ao fogo das paixões a luz dos argumentos.
Não somos contra um partido; somos contra uma força – a inércia.
Quantos absurdos têm dado as melhores definições?! Filiamo-nos num partido de... tracção; empregamos uma força… impulsora, e caminhamos… para a frente.
Somos progressistas porque nas forças da natureza como nas forças vivas duma sociedade – o progresso representa para nós a síntese das ciências mais cultas e das crenças mais vigorosas.
Somos regeneradores porque, mau grado os progressos das instituições e a influência da moral, sabemos que nos caracteres dos cidadãos, na organização das famílias, nas relações das classes, nos códigos do país, nos costumes do poder e nos expedientes dos partidos, muito há a transformar e a corrigir.
Somos democratas, dos que transigem com as condições históricas do seu meio, e tudo fiam do império da opinião, quer ela vá lentamente abolindo privilégios em sistemas transitórios, quer se abalance à solução política que salvou a França e felicita a América.
Somos socialistas que seria absurdo ter pejo de aceitar um título que se impõe a todos aqueles que prezam a democracia do mundo, fundada na igualdade dos direitos civis e políticos, e a paz do mundo na solução dos problemas económicos.
E, porque somos tudo isto, não queremos colocar-nos ao lado dos que, em nome do progresso, travam a reforma que os povos constantemente reclamam; nem ao lado dos que, falseando a significação dos vocábulos dizem que regeneram quando pervertem e corrompem; nem ao lado dos que, com exageros de vaidade e com expedientes de impaciência, confundem a licença com a liberdade, a desordem com a revolução!
Estamos ao lado de todos os partidos, ou antes na vanguarda de todos eles, dispostos sempre a dispensar o nosso aplauso ao que for mais progressista, mais regenerador, mais democrata e mais socialista.
Cremos no futuro!
Eis a nossa profissão de fé!
- N.º 1, 15 de Janeiro de 1888, P. 1
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O Petiz1889
Segundo Guilherme João Carlos Henriques, ter-se-ia ficado pelo primeiro número.
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O 17 de Dezembro (I) – 17 de Dezembro de 1889
Número único, também segundo G. J. Carlos Henriques.
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O 17 de Dezembro (II)1890
Também número único.
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O Cacete1890
Segundo G. J. Carlos Henriques, ter-se-ia ficado pelo primeiro número.
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A Cooperativa – 18 de Julho de 1895 a 22 de Agosto de 1895
Assim se definia: «A Cooperativa: órgão das associações operárias e do operariado em geral».
Semanário com a bem presente intenção de formar uma consciência de classe. 6 números publicados.
Editor: Georgino Alberto Corrêa – Impressão Tipografia e Papelaria H. Campeão.
Como afirma a redacção deste jornal, muitas foram as dificuldades de ordem financeira que se atravessaram. Um secretismo enorme rodeava A Cooperativa e, nas suas páginas, os artigos e o cabeçalho permaneciam em anonimato. A linguagem utilizada era radical e violenta e o objectivo dos operários empenhados na luta de classes era o de «esmagar, reduzir ao nada e submeter a um princípio pregado pelo Nazareno, os incansáveis abutres que nos devoram lentamente».
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Commercio d’Alemquer – 7 de Fevereiro de 1897 a 18 de Julho de 1899
Editor: Silvino Alfredo – Sucessivamente, ocuparam esse lugar: Dr. Manuel Veloso Armelim Júnior, João Baptista, Joaquim Baccelar Faria dos Santos, Bento José Pereira e Abílio Freixo Durão.
Publicou 121 números e a sua tendência política era a do Partido Progressista. Publicado numa época de grande divergência política entre os habitantes da Vila Alta (Regeneradores) e os da Vila Baixa (Progressistas), dele se diz que fomentou e prolongou essas divergências com pouco proveito para ambos os Partidos.
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O Rapioca1897
Número único. Mencionado por Esteves Pereira e G. Rodrigues em «Portugal», Vol. I.
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O Cofre - 1898
Esteves Pereira e G. Rodrigues em «Portugal», Vol. I – A-I, referem O Cofre. G. J. Carlos Henriques dá-nos notícia do O Cafre (trata-se de "gralha", com certeza). 
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O Alenquerense (3.ª Série) – 1901 a 1902(?)
Citado por Esteves Pereira e G. Rodrigues em «Portugal» - Vol. I.
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O Sol1902 a (?)

Não se encontrava filiado em qualquer partido político e o objectivo supremo que lhe deu força e vida, como o seu nome indica, era iluminar «tudo quanto se forjava na sombra, os tenebrosos acordos que se planeiam nas trevas ara levar este pobre Portugal à maior das ignomínias». Depois de alguns anos sem publicação, O Sol renasceria com a implantação da República.
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O Povo d’Alenquer1906 a 1907(?)
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Intitulava-se «Semanário Progressista». Semanário com 4 páginas.
Director: José Lobo – Impressão: Editor-Cândido Chaves, Imprensa Lucas, Rua Diário de Notícias, 93, Lisboa; Depois: Editor – José da Costa, Minerva Lusitana, rua Direita, V. F. de Xira.
Tinha a sua Redacção na Rua de Triana e era afecto ao Partido Progressista.
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Gazeta de Alenquer - 1907(?) - 1909(?)
Era tido como «regenerador-liberal».
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O Arreda 1907 (?)
Jornal humorístico.

A IMPRENSA LOCAL NO CONCELHO DE ALENQUER – PARTE II   -  (Na I República)

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Jornal d’Alemquer 19131928(?)
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Definia-se como «Semanário Republicano Independente» - «Propriedade de um grupo de republicanos representado por José Alves Fevereiro».
Director e Editor: José Alves Fevereiro; Secretário de Redacção: João Carlos Sant’Ana. Sede na Rua da República em Alenquer. Impressão na Minerva d’Alenquer- Rua da República (de Triana), Alenquer.
Segundo Pedro Galvão:
“Em 1910 ocorreu uma viragem radical na imprensa alenquerense. Logo três anos depois iniciou-se a publicação de um grande jornal, propriedade de um grupo de republicanos: o “Jornal d’Alemquer”.
Este grupo de republicanos mantinha uma posição que actualmente, analisada à luz de uma história concebida algumas décadas depois, se revela correcta. Não se mostravam adeptos de nenhuma das tantas forças políticas republicanas que existiam na época, embora não simpatizassem com o Partido Democrático de Afonso Costa, o “Napoleão Português”, segundo as palavras de um redactor deste jornal. “Oxalá que os partidos políticos cheguem à compreensão de que não é com insinuações e birras que se governa bem”, era a esperança dos que criaram o “Jornal d’Alemquer”.
As pequenas notícias do dia-a-dia de Alenquer foram abolidas para dar lugar a uma crítica séria e construtiva sobre as carências desta localidade. Quando o “Jornal d’Alemquer” descrevia o ocorrido nas sessões da Câmara Municipal ( o que era frequente em qualquer jornal ), não o fazia sem aplaudir ou repreender aquilo que este órgão tinha deliberado. Artigos abundantes de género ensaístico, possuidores de uma qualidade surpreendente, enriqueciam as páginas desta publicação inovadora através de temas como história, literatura ou filosofia.
Mas depressa se tornou difícil a vida deste jornal de idealistas, de defensores da justiça e do progresso que tinham como maior desejo que fosse este o século da Revolução Social. A Comissão de Censura iniciou a sua actuação de repressão cultural e informativa. Além disso, outros métodos mais violentos foram usados contra o “Jornal d’Alenquer” e a tipografia onde este era impresso chegou mesmo a ser arrombada e o seu cabeçalho foi roubado.”
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O Merceanense1917 (?)
Quando do seu aparecimento, escreveu o colega Jornal d’Alenquer (n.º219 de 9 de Dezembro de 1917):
«Com um bonito aspecto, impresso em bom papel e colaboração escolhida, reapareceu o nosso prezado colega O Merceanense, que há meses havia suspendido a sua publicação. O Merceanense enfileira agora no Partido Unionista, publicando na primeira página um magnífico retrato do chefe da União, sr. Dr. Brito Camacho».
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Terra Estremanha - 1917 - 1918 (?)
Teve como directora Maria Milne Carmo.
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A Razão – 1923 a 1924
A Razão teve distribuição gratuita e defendia a ideologia republicana conservadora. Intitulava-se «Órgão do Partido Republicano Nacionalista».

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O Saraça
Era um pequeno jornal humorístico que veio chocar um pouco a sociedade alenquerense, na qual, como diz a sua Redacção, «ocorre sempre um ou outro caso que nós, os despreocupados da vida, temos de levar para o ridículo». O seu lema, aliás muito sugestivo, era «Crítica a tudo e a todos». Retratava Alenquer «sob um ponto de vista piadista».